Eurocopa

Croácia fez questão de cair de cabeça erguida, mas atuação superior da Espanha prevaleceu em jogo insano

A vice-campeã mundial forçou a prorrogação, apesar de estar perdendo por dois gols a dez minutos do fim do eletrizante 5 x 3

A Espanha teve a sua melhor atuação na Eurocopa. Até pela ocasião, mais impressionante do que a goleada sobre a Eslováquia. E, ainda assim, flertou com um desastre histórico. No fim, porém, a sua superioridade acabou prevalecendo sobre a orgulhosa seleção croata, que fez questão de cair com cabeça erguida. Perdendo por dois gols de diferença a 10 minutos do fim, forçou a prorrogação e criou chances para virar antes de a Espanha matar de vez a partida com gols de Álvaro Morata e Oyarzabal no tempo extra. No fim das contas, a vitória por 5 a 3 colocou os espanhóis na próxima fase e é forte candidata a ser a melhor partida da Euro 2020.

Escalações

A Espanha teve novamente um meio-campo com Sergio Busquets, Koke e Pedri. Pablo Sarabia foi mantido no ataque, mas Ferrán Torres retornou na vaga de Gerard Moreno. Álvaro Morata como centroavante. Ante Rebic entrou na vaga de Ivan Perisic, importante desfalque após testar positivo para a Covid-19. Bruno Petkovic e Nikola Vlasic completaram o setor ofensivo, com Kovacic, Brozovic e Modric no meio.

Espanha domina. Unai Simón, não

A Espanha teve o domínio completo não apenas dos 20 minutos, mas de todo o primeiro tempo. E finalizava, mesmo antes de sofrer o primeiro gol, o que é sempre importante observar se a Espanha está fazendo ou não. Aos 16 minutos, Pedri deu um lindo passe para deixar Koke na marca do pênalti. O meia do Atlético de Madrid chegou batendo de primeira, mas no meio do gol. Ainda assim, foi uma boa defesa de Livakovic.

Três minutos depois, Ferrán Torres apareceu pela direita e cruzou com perfeição para Morata. Na cara do gol, sabe-se lá por que ele cabeceou para o lado e acabou acertando o braço de Vida. Os espanhóis pediram pênalti. Nada foi marcado pelo árbitro Cüneyt Cakir.

E logo em seguida, a Espanha estava saindo com a bola no campo de defesa, como costuma fazer, de pé em pé. Pedri recebeu na altura do círculo central e recuou para o goleiro. Foi um passe forte, mas longo, com muito tempo para Unai Simón calcular o domínio. Mas, por um lapso de distração ou pelo quique no gramado que fez a bola tomar um pouco mais de velocidade, ele furou, e a Croácia abriu o placar.

Empolgada, teve uma sequência de boas oportunidades, com Vlasic pela direita batendo com perigo e Kovacic mandando por cima do travessão, mas a vantagem croata não contava a história do primeiro tempo. A vice-campeã mundial chegou ao fim dele sem ter dado uma finalização no alvo, apesar de ter marcado um gol, e a Espanha conseguiu voltar ao controle.

Foi na base da insistência. Gayá tentou duas vezes pela esquerda da grande área. A segunda foi defendida por Livakovic. Mas com rebote. Sarabia manteve a artilharia pesada e empatou com um chute que ainda raspou na cabeça do goleiro croata.

Azpilicueta vira para a Espanha, e Simón se redime

O experiente e versátil defensor do Chelsea começou a jogada no meio-campo acionando Pedri. Foi uma rara transição espanhola que pegou a defesa croata mais aberta. O jovem do Barcelona carregou com muita liberdade pela meia esquerda e abriu para Ferrán Torres fazer mais um cruzamento apetitoso. Azpilicueta subiu alto na segunda trave e cabeceou com firmeza para fazer 2 a 1 a favor da Espanha.

Simón fez duas boas defesas na sequência, contra Gvardiol à curta distância e de Kramaric em contra-ataque – lance depois anulado por impedimento -, redimindo-se um pouco do seu erro crasso no primeiro gol. Permitiu que, aos 30 minutos, Pau Torres aproveitasse um vacilo enorme da defesa croata. Cobrou uma falta do campo de defesa pela esquerda cruzando todo o gramado para a ponta direita, onde Ferrán Torres tirou Gvardiol no domínio e tocou na saída de Livakovic para fazer o terceiro da Espanha.

Jogo resolvido, certo? Então…

Reação incrível da Croácia

Nem dá para ter certeza de como isso aconteceu porque, durante cerca de dez minutos depois do gol de Torres, a partida parecia completamente morta. Luis Enrique até queimou quatro das suas substituições. Mas há um orgulho nesse time da Croácia que o carregou à final da Copa do Mundo e contribuiu para forçar a prorrogação em Copenhague.

Aos 39 minutos, Modric recolheu pela direita da grande área e avançou até ficar cara a cara com o goleiro. Tocou para trás, a defesa interceptou, a sobra ficou com Ante Budimir. A batida à queima-roupa foi cortada quase em cima da linha por Azpilicueta. O rebote ficou com Mislav Orsic, e parecia que Simón havia conseguido rebater, mas o relógio do árbitro confirmou o segundo gol croata.

O árbitro deu seis minutos de acréscimo. A Croácia nem precisou de todos eles. Aos 46, a bola foi recuperada no campo de defesa e rapidamente chegou a Orsic na ponta esquerda. O cruzamento fechado encontrou Mario Pasalic atacando a entrada da pequena área. O desvio de cabeça foi indefensável para Unai Simón e garantiu mais 30 minutos de bola rolando.

Prorrogação eletrizante

Quem diria, né? Estou tão surpreso quanto vocês. Mais uma prorrogação empolgante nesta Eurocopa. A Croácia manteve o embalo do fim do segundo tempo e criou duas oportunidades com Orsic. Ele bateu colocado, no segundo minuto, por cima do travessão, depois serviu um chute à queima-roupa de Kramaric, muito bem defendido por Simón, de vilão a herói da Espanha.

O jogo estava aberto, e a Espanha foi mais eficiente. E teve Dani Olmo em grande dia contra alguns dos seus velhos conhecidos do Dínamo Zagreb. Ele havia entrado no lugar de Pablo Sarabia e foi o autor do cruzamento que Morata dominou e encheu o pé para colocar os espanhóis em vantagem. Brekalo estava na marcação e errou completamente o tempo da bola.

A Croácia seguiu tentando. Kramaric mandou de fora da área, sem muita força e no meio do gol. No outro lado, logo na sequência, Dani Olmo recebeu de Morata em transição e cruzou novamente para a segunda trave. Oyarzabal dominou, ajeitou à perna esquerda e bateu no canto para matar o jogo.

Certo?

Desta vez sim. A Croácia até teve a chance de voltar ao páreo no primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação, mas o desvio de Budimir passou à esquerda trave de Simón. Depois disso, a Espanha teve calma e qualidade para manter a posse de bola durante quase todo o restante do tempo extra – 74% nos últimos 15 minutos. A Croácia, dando sinais de cansaço, não conseguiu evitar o toque de bola adversário.

Quase saiu o sexto. Seria a cereja no bolo da atuação de Dani Olmo. Mas bateu na trave. E, apesar dos sustos, a Espanha avançou às quartas de final ao fim de um jogaço.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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