Eurocopa 2024

Chave na estratégia de Löw, a qualidade técnica da Alemanha começa de trás

A qualidade técnica de seu meio-campo costuma ser o grande trunfo da Alemanha de Joachim Löw. O elenco do Nationalelf é completo em todos os setores, mas a dominância quase sempre se exerce a partir da trinca formada por Toni Kroos, Sami Khedira e Mesut Özil. Tem sido assim na Eurocopa, da mesma forma como aconteceu nas melhores exibições durante a Copa do Mundo – ainda que com uma disposição tática diferente e a presença de Bastian Schweinsteiger. Se os alemães contam com uma seleção tão capacitada, no entanto, é porque consegue se valer de outras virtudes. E, diante da Itália, preponderou a excelente linha defensiva encabeçada por Mats Hummels e Jérôme Boateng.

Tudo bem, nem tudo foi perfeito. O erro infantil de Boateng custou caro e poderia ter sido fatal. Mas os futuros companheiros do Bayern de Munique tiveram uma noite completa em Bordeaux. Ao lado de Höwedes, seguro defensivamente, mantiveram a concentração para anular a maioria das chegadas da Itália nas ligações diretas. E, contra a bem armada muralha da Azzurra, precisaram se responsabilizar pela construção na maior parte do jogo, sobretudo no primeiro tempo. Foram muito bem na função.

No futebol atual, apenas Bonucci, do outro lado do campo, apresenta uma qualidade tão grande nos passes e bolas longas. Predicados mais do que necessários neste sábado a Boateng e Hummels. Ambos superaram os 100 passes na partida, cadenciando o ritmo, esperando os espaços para a progressão – o que os italianos pouco ofereceram. Mantiveram a tranquilidade quase sempre, mesmo quando pressionados. E, caindo mais pelo lado esquerdo, Hummels ainda serviu no apoio, permitindo que Hector centralizasse um pouco mais. Por duas vezes, ajudou o Nationalelf a criar perigo, causando desequilíbrio.

Uma partida na qual os zagueiros representam tanto ofensivamente quase sempre aponta para zonas de ação distantes da área. De fato, neste ponto o Alemanha x Itália deixou a desejar. Mas não dá para diminuir as atuações de Hummels e Boateng por isso. Na estratégia de Joachim Löw, ambos se tornaram as peças centrais neste sábado.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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