Eurocopa

As esperanças da Polônia passam muito por Lewandowski e ele garantiu a sobrevida contra a Espanha

Não há outra seleção nesta Eurocopa que concentre mais suas esperanças em apenas um jogador do que a Polônia. A importância de Robert Lewandowski à equipe é gritante e, sem que o centroavante tivesse muitos espaços, o time decepcionou na estreia contra a Eslováquia. Porém, se os poloneses chegarão à rodada final com chances de classificação, essas possibilidades passam muito por Lewa. O camisa 9 não fez sua partida mais brilhante contra a Espanha, mas seria decisivo, pela liderança e pelo poder de fogo. Conduziu os melhores ataques dos alvirrubros, marcou o gol de empate e permitiu que o time chegue vivo ao duelo contra a Suécia.

Lewandowski atravessa seu melhor momento da carreira com o Bayern de Munique. O desempenho na Tríplice Coroa de 2019/20 fala por si e, em 2020/21, o centroavante conseguiu ser ainda mais destrutivo na Bundesliga. Não à toa, bateu o recorde histórico de Gerd Müller e as dificuldades por sua ausência acabaram expressas na eliminação diante do Paris Saint-Germain pela Champions League. Na seleção, entretanto, Lewa já teve outros períodos mais efetivos.

Lewandowski experimentou seu ápice pela Polônia nas Eliminatórias para a Copa de 2018. O atacante marcou incríveis 16 gols em dez partidas, passando em branco em apenas um dos compromissos que levaram os poloneses ao Mundial. Contudo, na Rússia, a equipe ficou devendo e o artilheiro passou em branco na eliminação durante a fase de grupos. Desde então, os poloneses perderam outras lideranças, como Jakub Blaszczykowski e Lukasz Piszczek. O desempenho do craque cairia na Liga das Nações e nas Eliminatórias da Euro, mesmo que os números nem pareçam tão ruins se comparados aos de outros colegas. Desde o segundo semestre de 2018, o artilheiro anotou 11 gols e deu seis assistências em 21 aparições pela equipe nacional. De qualquer forma, estava abaixo de seu próprio potencial, como visto repetidamente no Bayern.

A Polônia chegou ao torneio continental com perspectivas distintas das vistas na Euro 2016. Naquele momento, os poloneses contavam com uma equipe mais competitiva. Tanto é que o gol solitário de Lewandowski na campanha não atrapalhou a caminhada até as quartas de final, quando sucumbiram nos pênaltis diante de Portugal. A defesa segurou as pontas naquele momento. Mesmo que o grupo atual possua outras opções interessantes, perdeu em consistência. Teria mesmo Lewa como principal diferencial.

E não que as condições para Lewandowski fossem as melhores. Primeiro, pela falta de um parceiro mais confiável. Arkadiusz Milik e Krzysztof Piatek poderiam dividir o fardo no ataque, mas ambos se lesionaram às vésperas da competição. Além disso, a chegada do técnico Paulo Sousa no início de 2021 também provocou mudanças que não pareciam deixar Lewa tão cômodo, com um estilo de jogo que não emplacou durante a preparação. Além do mais, o camisa 9 teria outras pressões sobre si – seja por uma cobrança por render tanto quanto no Bayern, seja por ter anotado apenas dois gols em suas primeiras oito aparições em Eurocopas.

Como dito, a Eslováquia conseguiu travar Lewandowski na estreia. Contra uma Espanha que sairia mais para o jogo, sobrariam mais espaços. E, de fato, Lewa conseguiu jogar em Sevilha. Por vezes até pareceu exageradamente sozinho, como num lance em que arrancou da defesa ao ataque sem ver uma camisa branca sequer acompanhá-lo, até perder a bola. Ainda assim, as principais chances vinham com ele. Habilitou um chute de Mateusz Klich e depois cruzou no capricho para Karol Swiderski concluir para fora. Quando a bola caiu nos seus pés diante do gol, todavia, o camisa 9 cometeu um erro que não costuma. No rebote de um chute de Swiderski na trave, o matador teve tempo para definir. Preferiu encher o pé e carimbou o goleiro Unai Simón.

No segundo tempo, enfim, apareceria o Lewandowski conhecido no Bayern. E o gol de empate surgiu num lance de raça do artilheiro, em que disputou com Aymeric Laporte antes de subir sozinho para cabecear às redes. Os espanhóis ainda reclamaram de falta, mas nada que a arbitragem tenha anotado. Contudo, ao final, ainda pareceu que faltavam parcerias melhores. Por mais que a Polônia lutasse, não surgia alguém que criasse as oportunidades para o artilheiro. O resultado seria insuficiente para a vitória, mas pelo menos mantém os poloneses com possibilidades de classificação. Uma vitória sobre a Suécia tende a bastar.

Para que Lewandowski levasse a Bola de Ouro pela segunda vez, muito provavelmente precisaria fazer uma Eurocopa exuberante. A própria fragilidade da seleção da Polônia afasta esse sonho do jogador. O centroavante, ainda assim, pode levar as possibilidades de seus compatriotas além e botá-los nos mata-matas. Dentro das circunstâncias, isso já representa muito. E considerando o histórico desfavorável de Lewa nas competições internacionais, uma campanha acima das expectativas já seria importante. Obviamente, nem tudo depende dele. Mas, contra a Espanha, transpareceu como o poder de fogo do camisa 9 é basicamente o único trunfo dos alvirrubros num momento opaco da equipe nacional.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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