Eurocopa

A meia-noite nunca chega para Gales, o incrível semifinalista da Eurocopa

A mera classificação à Eurocopa já foi um sonho para os três milhões de galeses, muitos dos quais apaixonados por futebol, e para uma nação obrigada a assistir às grandes competições pela televisão durante 58 anos. A expectativa dos realistas era fazer jogos duros na fase de grupos, talvez conseguir chegar às oitavas de final como terceiro colocado. O otimista deslumbrava-se com as quartas. O País de Gales, de Bale e Ramsey, de Robson-Kanu e Ashley Williams, foi além dos melhores prognósticos. Ganhou da Bélgica por 3 a 1, de virada, e está nas semifinais. A carruagem ainda não virou abóbora. A meia-noite nunca chega. O sonho não tem hora para acabar.

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Pode-se dizer que, favorecido pela sorte, Gales caiu na chave menos difícil do mata-mata da Eurocopa e perdeu o jogo grande da primeira fase, contra a Inglaterra. Mas liderou o seu grupo, venceu a Irlanda do Norte no tempo normal e, nesta sexta-feira, indiscutivelmente teve uma atuação destacada. Enfrentou uma badalada Bélgica, também diante da sua grande chance de fazer história, e não desanimou nem quando estava sendo atropelado nos minutos iniciais.

Dá uma olhada neste lance: De Bruyne fez a jogada pela direita, e Carrasco chutou em cima do goleiro Hennessey. Meunier ficou com o rebote, também à queima-roupa, e parou em Neil Taylor, que cortou praticamente em cima da linha. Em um segundo rebote, Hazard encheu o pé e novamente a bola foi desviada no muro de jogadores vestidos de vermelho. No entanto, seis minutos depois, Nainggolan abriu o placar, com um míssil de fora da área. Os galeses, sempre tão atentos na marcação, permitiram ao jogador da Roma armar o chute e mirá-lo, sem ser sequer levemente pressionado.

Levar um gol tão cedo representava um problema gigante para Gales. Sair atrás no placar significaria negligenciar a defesa para buscar o empate. E isso contra uma equipe que tem Hazard, De Bruyne e um contra-ataque letal, que destruiu a Irlanda e a Hungria. Mas os belgas também vacilaram na marcação. Primeiro, permitiram que Ramsey aparecesse livre pela ponta direita e cruzasse rasteiro para Taylor, que pegou de primeira. Courtois executou uma defesa maravilhosa. Segundo, em cobrança de escanteio, havia dois prestando atenção em Bale e nenhum no capitão Ashley Williams, ótimo no jogo aéreo. Gol de Williams. Empate de Gales.

Bale havia feito duas boas jogadas individuais no primeiro tempo, uma que terminou no lado de fora da rede, outra nas mãos de Courtois. Mas ainda não brilhava. Até acertar um lançamento primoroso para Ramsey, que dominou e achou Robson-Kanu dentro da área. O contrato do atacante com o Reading terminou nesta sexta-feira. Logo, o golaço foi marcado por um jogador sem clube que certamente garantiu um emprego para a próxima temporada. Perigoso, dominou de costas para o gol, girou como se, em vez de Kanu, fosse Cruyff, e bateu alto, sem chance para Courtois.

 

Atrás no placar pela primeira vez, a Bélgica decepcionou. Não buscou o empate com ferocidade, com aquela sensação de urgência de quem não admite ser derrotada. Até ameaçou, com uma cabeça de Fellaini que fez muitos galeses perderem o cabelo. Mas, como em outros jogos, não soube furar o bloqueio do adversário. No fim, Vokes, de cabeça, decretou uma decepção pesada para a geração que precisa lidar com a pressão de ser muito talentosa e que ainda não justificou, com resultados concretos, todas as expectativas.

O País de Gales não só venceu as quartas de final, como também saiu atrás, fugiu da sua principal estratégia e conseguiu virar o jogo contra uma das favoritas da Eurocopa, com um golaço de um atacante sem clube, que até outro dia atuava na segunda divisão inglesa. Terá pela frente Portugal, de Cristiano Ronaldo. Jogou melhor que o adversário nessas cinco primeiras partidas da Eurocopa. Descobrirá, em 6 de julho, no estádio do Lyon, se a sua história de Cinderela chegará ao fim ou será estendida até a grande final em Saint-Denis.

País de Gales 3 x 1 Bélgica

Gales: Hennessey; Chester, Taylor e Williams; Gunter, Joe Allen, Ledley (Andy King), Ramsey (James Collings) e Neil Taylor; Gareth Bale e Hal Robson-Kanu (Vokes). Técnico: Chris Coleman

Bélgica: Courtois; Meunier, Alderweireld, Denayer e Jordan Lukaku (Mertens); Witsel, Nainggolan, De Bruyne, Carrasco (Fellaini) e Hazard; Lukaku (Batshuayi). Técnico: Wilmots

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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