Eurocopa

A imagem do dia na Euro: Virando a página

Kane seria decisivo na classificação da Inglaterra para a decisão da Eurocopa

O roteiro parecia trágico e destinado a mais uma frustração em semifinais. Mas a Inglaterra conseguiu superar a confiante Dinamarca e está garantida na decisão da Euro 2020. Depois de ser vazada pela primeira vez no torneio e sair atrás do placar, a equipe de Gareth Southgate superou traumas que datam da década de 1970. Depois de vencer a Copa do Mundo de 1966, os ingleses jamais disputaram outra final. Isso mudou, justamente no gramado de Wembley, em Londres, nesta quarta-feira.

No mundo dos enredos repetidos, a Inglaterra quase imitou a Itália no Mundial de 1990. Dona da casa e favorita, a Azzurra foi surpreendida pela Argentina do baleado Diego Maradona, nas semifinais. Cabe lembrar que na ocasião a Itália saiu na frente, levou o empate e perdeu nos pênaltis. O goleiro Walter Zenga vinha de uma sequência sem levar gols e parecia invencível até uma bola na área, cabeceada por Claudio Caniggia. A partida seguiu empatada e foi para as penalidades. Sergio Goycochea brilhou e colocou os argentinos na final.

Jordan Pickford era, guardadas as devidas proporções, o Zenga da vez. Imbatível até o primeiro tempo, superou uma marca histórica de Gordon Banks, somando 721 minutos sem ser vazado. O problema é que justamente quando o recorde foi alcançado, a Dinamarca teve uma falta cobrada por Mikkel Damsgaard e abriu o placar. A bola foi bem em cima de Pickford, que deixou passar.

Só deu Inglaterra até o final. O empate, pouco antes do intervalo, devolveu os mandantes ao jogo. Reagir cedo era crucial e foi isso que os comandados de Southgate miraram quando se lançaram ao ataque. O que vimos depois disso foi um show de tédio, verdade seja dita, com ambos conformados com a situação. E a Maldição de Zenga tomava forma…

A prorrogação veio e as pernas mais conservadas fizeram a diferença. Quer dizer: as pernas e o árbitro Danny Makkelie, que marcou sem hesitar um pênalti de Joakim Maehle em Raheem Sterling. O juizão holandês bancou sua decisão, para desespero dos dinamarqueses. Harry Kane foi para a bola, era ele contra Kasper Schmeichel, que vinha de uma partida esplendorosa. E o arqueiro venceu a primeira batalha, defendendo a bola quase rasteira. O problema é que, ao se jogar para a defesa, Schmeichel deu rebote para a frente. Aí, Kane não perdoou.

A comemoração de Kane e Phil Foden não foi apenas de um gol, com tom de desabafo. Foi a resposta de um país que se especializou em criar expectativas apenas para destruí-las, competição após competição. Se a Inglaterra se acostumou a ser associada a decepções, essa ideia caiu por terra, ao menos por agora. Assim como a Maldição de Zenga. Desde 2018, na Copa do Mundo, a energia mudou. A Inglaterra não quer mais só participar da festa. Ela quer ser protagonista. E é impossível não se contagiar com essa empolgação por estar voltando para casa, torça você ou não pelo título dos Three Lions.

Mais do que nunca, a Inglaterra conseguiu se colocar no lugar exato onde, 55 anos atrás, viveu seu melhor momento no esporte. Wembley receberá seus heróis e será iluminado para que uma nova geração veja o país disputar uma taça. Em 1966, deu tudo certo. Independente de cumprir ou não a missão de sair campeã, a Inglaterra já virou a página do fracasso constante.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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