Eurocopa

A imagem do dia na Euro: País de Bales

Bale fez uma partidaça e conduziu a fundamental vitória de Gales contra a Turquia

Apesar de fortes dores na lombar, Gareth Bale conduziu Gales novamente a uma vitória na Eurocopa. O capitão, que lutou com dores por ter de carregar o time nas costas ao longo de mais 90 minutos, ficou com a responsabilidade de quebrar o gelo contra a Turquia. Nada parecia encaixar na seleção galesa, já que, daquele elenco que deixou uma ótima impressão no torneio em 2016, sobrou muito pouco, em questão de volúpia.

Mas Bales mostrou sua força. Diante de uma desesperada Turquia, que precisava somar pontos depois de uma surra na estreia, os britânicos criavam dificuldades com suas ofensivas. Bale, no papel de grande craque da geração, fez sua parte na primeira etapa. Se não podia marcar um gol por falta de oportunidades, criava chances para os colegas. Foi assim que ele enxergou espaço para lançar uma bola maravilhosa, que parou no peito de Aaron Ramsey, em um tremendo golaço.

A discrepância de Bale para os demais colegas não era só técnica, era também de postura. Enquanto os mais novos demoravam a esquentar e entrar na partida, o camisa 11 sobrava. Gales se preparou para jogar no contragolpe e assim foi administrando sua vantagem. O perigo, claro, era abusar da cautela e chamar a Turquia para a sua área.

Tensão. Ranger de dentes. O jogo chamou. E lá foi ele, Gareth, o homem, a lenda, para mais um lance de perigo. Pênalti para Gales. Só que o talento se desconcentrou e, em vez de girar a faca para sacramentar o resultado, o que pintou foi uma homenagem a Roberto Baggio circa 1994.

Quando tudo parecia caminhar para uma punição divina dos turcos, Bale pensou: será que terei mesmo de fazer tudo sozinho? O perigo rondou a meta do goleirão Danny Ward e a vitória parcial ainda era dos galeses. Em duas jogadas de linha de fundo, mantendo a posse para gastar tempo, Bale cansou de esperar e criou momentos de brilho. Já nos acréscimos, carregou a bola e deixou Connor Roberts apenas com a tarefa de finalizar rasteiro para garantir o triunfo.

Deram o prêmio de melhor em campo para Bale, e não havia nenhuma dúvida de que era ele o destaque. A vida seguiu como esperado. Bale já foi colocado à prova diversas vezes na carreira e sempre teve respostas adequadas para a pressão. Lá atrás, em 2014, quando se achava que ele custou caro demais para o Real Madrid, ainda era tolerável duvidar. Hoje, não mais. É hora de Gales. Depois falamos de golfe e de Madri, combinado?

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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