Eurocopa

A imagem do dia na Euro: Luvas precisas

Sommer pegou o pênalti decisivo de Mbappé e garantiu o épico de uma Suíça gigantesca em Bucareste

Os suíços são mundialmente conhecidos por um par de coisas nem sempre relacionadas ao futebol: aos relógios, à precisão, aos queijos, aos alpes, aos chocolates, à riqueza cultural e grande fluxo de imigrantes, bem como à neutralidade no aspecto político.

Nesta segunda-feira, pela Eurocopa, o time que carrega a pecha de ser retranqueiro conseguiu se distanciar de seus estereótipos e entregou uma atuação heroica diante da França, empatando um jogo que estava quase perdido, em cima da hora.

O resultado você sabe: 3 a 3, com muitas reviravoltas, para pegar de surpresa os falastrões das tiradas fáceis. Aí eu preciso me incluir neste grupo, pelo motivo de que minhas previsões para este dia de torneio foram todas furadas. Apostei na Croácia contra a Espanha, fui no óbvio da vitória francesa e, mesmo quando a situação estava aberta no primeiro gol de Karim Benzema, não acreditei que a Suíça fosse buscar. Meu pai é prova disso, e inclusive riu da minha cara quando Mario Gavranovic fez o terceiro tento de sua seleção, chocando o planeta.

A história deste penúltimo dia de oitavas de final é a de muitos gols, de jogos absurdos e de muita emoção, coisa que precisamos reconhecer que não é comum. Viver essa Euro, por 240 minutos mais pênaltis, foi algo como estar grudado na TV para acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Tudo podia rolar hoje. E rolou.

Se já foi eletrizante ver a Espanha remontar em sua própria má sorte e depois desbancar a Croácia, o que dizer da Suíça, que precisou abdicar da sua ideia de jogo e ao mesmo tempo tentar conter os avanços do ataque mais perigoso do mundo? Acreditar que se pode punir a França é algo que poucos times podem fazer, sobretudo após a conquista de 2018. E mesmo assim, os comandados de Vladimir Petkovic cumpriram essa missão.

Registre-se que Yann Sommer fez alguns milagres antes dos penais e teve enorme parcela na tarefa de administrar o placar enquanto os franceses bombardeavam sua área. Deu a energia necessária para que lá na frente, um passe perfeito de Granit Xhaka achasse Gavranovic livre. Tudo que viesse depois era satisfatório para a Suíça, que se recusou a entregar os pontos. No entanto, o que você diz para quem alimentou a fantasia de completar um milagre desse tamanho? Que está tudo bem se não for possível? Jamais.

Sommer pegou o chute de Mbappé e viveu seu dia de santo padroeiro nacional. A Suíça, como um todo, foi quase perfeita. Perfeita o bastante para comemorar o grande jogo de sua história. 28 de junho de 2021: dia de negar aos atuais campeões do mundo uma sobrevida no torneio. O destino faz isso por vezes. O único problema dessa Euro é que logo ela acaba, e aí só nos restará a saudade de momentos como os vividos hoje em Bucareste.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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