Eurocopa

A imagem do dia na Euro: Dinamáquina 2.0?

O futebol voltará para casa ou o sonho de verão de 1992 ganhará um sucessor à altura?

Aconteceu o que muitos de nós esperávamos: naquele dia que foi o mais previsível da fase de mata-mata, a Dinamarca eliminou a Tchéquia e enfrentará a Inglaterra, que mais do que nunca quer voltar para casa após uma goleada diante da Ucrânia. Previsível também é apontar este time dinamarquês como a versão atualizada da Dinamáquina que assombrou a Copa do Mundo de 1986 e acabou caindo cedo demais.

A Dinamarca é desses times que adoram brincar com o papel de surpresa, de azarão. Fora dos prognósticos para a Euro, por não ter uma seleção que em tese batesse com as grandes, a equipe escandinava cresceu de forma muito rápida e ganhou casca.

Até a partida contra a Tchéquia, neste sábado, havia um misto de gratidão e de espanto pela arrancada, mas os comandados de Kasper Hjulman mantiveram a consistência, a fome e a organização, que serviram para marretar o rival ainda no primeiro tempo, praticamente resolvendo a vaga na semifinal. Não é mais obra do acaso. Trata-se de um time muitíssimo bem treinado e que entrega um futebol absoluto, sempre no caminho do gol.

A cada desafio superado, a certeza de que estamos vendo a melhor história do torneio se consolida ainda mais. Não só porque eles não vieram de um país grande, mas porque poucas equipes são tão divertidas de se ver. A Dinamarca era o time da emoção e se transformou no time do entretenimento. A vibração em campo é contagiante.

Thomas Delaney abriu o caminho para o triunfo e viu Kasper Dolberg ampliar. É verdade que os tchecos vieram com tudo e ofereceram resistência e alguns sustos na segunda etapa, mas simplesmente não era para ser.

Estava escrito que a Dinamarca não iria parar no efêmero encanto de 1984 e 86. Venceu em 1992 à sua maneira, quando ninguém esperava, em solo sueco. Depois de tanto tempo, esse mesmo sonho está sendo revivido, com peças ainda mais capazes do que outrora. Desta vez, o passeio europeu terá uma visita ao Wembley. Lá, duas vias entrarão em choque: o futebol voltará para casa ou o sonho de verão de 1992 ganhará um sucessor à altura?

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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