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A imagem do dia na Euro: De volta para casa

Se tem alguém que pode falar em voltar para casa, na acepção da palavra, é o atacante Raheem Sterling

“Football is home”, dirão os fanáticos e empolgados ingleses, que mais uma vez se julgam favoritos para conquistar um título que jamais venceram. Cabe a nós, que não somos nascidos em tal pátria, lembrar que na verdade as favas não são tão contadas assim e que a seca da Inglaterra já dura longos 55 anos, desde a controversa vitória diante da Alemanha na final da Copa do Mundo de 1966.

Se tem alguém que pode falar em voltar para casa, na acepção da palavra, foi o atacante Raheem Sterling, na abertura desta Eurocopa em Londres.

Muita expectativa girava em torno da estreia dos ingleses diante da Croácia, não só pelo encontro de duas seleções fortíssimas, mas também por conta de certa tinta de revanche, já que na última vez que os dois se enfrentaram por um torneio oficial, os croatas levaram a melhor na prorrogação e ficaram com a vaga na final da Copa de 2018.

É verdade que a Inglaterra foi muito melhor em campo e se esforçou mais para sair vitoriosa. A Croácia, prostrada em sua tarefa de marcar e explorar um erro defensivo do rival, esperou algo que não ocorreu em 90 minutos. Para Sterling, havia a oportunidade única de estar novamente em Wembley, lugar que guarda relação especial com a sua vida particular, já que morou nas cercanias do estádio por alguns anos durante sua infância e adolescência. É como se o destino tivesse lhe dado a chance de regressar às suas origens.

Maduro, bem-sucedido e carregando a responsabilidade de ser um dos protagonistas da Inglaterra, Sterling foi o responsável por garantir os três primeiros pontos de sua equipe na jornada rumo ao inesquecível. Completou uma bela jogada de Kalvin Phillips e furou o bloqueio axadrezado com um toque à meia-altura no limite da pequena área.

Há quem diga que o placar foi baixo para o tanto que os ingleses prometem. Contudo, estrear superando a encardida Croácia parece satisfatório, por ora. Duelo direto pela ponta que foi vencido, dando combustível para ter jogos mais tranquilos na sequência, o que não costuma ser a regra para um grande como a Inglaterra, que sempre se complica nos detalhes.

O gol de Sterling foi o primeiro na Euro que, ao menos nos grupos, será no quintal de sua antiga casa. Só o próprio jogador conhece a profundidade do significado de estar tão perto do lugar no qual começou a alimentar os sonhos que hoje estão sendo realizados em campo. Hoje é só um gol, mas quem sabe o que poderá vir a ser nas próximas semanas?

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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