Eurocopa

A Hungria travou a França em Budapeste e o empate mantém os magiares vivos rumo à rodada final do “grupo da morte”

França teve o domínio do jogo, mas a Hungria marcou muito bem e até abriu o placar na Puskás Arena

A Hungria tinha complicado a vida de Portugal em sua estreia na Euro 2020, mesmo desmanchando durante os minutos finais da derrota por 3 a 0. Já neste sábado, os magiares arrancaram seu primeiro ponto na competição, com um merecido empate contra a França na Puskás Arena. Sem grandes jogadores, os húngaros permaneceram focados durante os 90 minutos, com uma marcação bastante encaixada. Conseguiram abrir o placar no primeiro tempo e botaram pressão sobre os franceses. Os Bleus até buscaram o 1 a 1 na segunda etapa, numa jogada construída por Mbappé, o melhor do time em Budapeste. Todavia, a equipe de Didier Deschamps jogou abaixo da estreia contra a Alemanha e não teria tantas chances à virada. Melhor à Hungria de Marco Rossi, que teve o prêmio por seu empenho e segue com chances de classificação.

As escalações

A França mantinha uma formação parecida com a da estreia. A única troca ocorreu na lateral esquerda, onde Lucas Digne entrou no lugar de Lucas Hernández. De resto, os mesmos nomes no 4-3-3 de Didier Deschamps, com destaque à trinca ofensiva formada por Antoine Griezmann, Karim Benzema e Kylian Mbappé. Já a Hungria trazia como novidade em seu 3-5-2 o ala direito Loïc Négo, francês de nascimento e que defendeu as seleções de base dos Bleus antes de optar pela Hungria no nível principal. Péter Gulácsi e Willi Orbán se mantinham como as referências defensivas. Já na frente, se combinava a dupla Roland Sallai e Ádám Szalai.

Jogo começou travado até a França dar calor

O início da partida era bastante travado em Budapeste. A Hungria fazia uma marcação cerrada e em bloco baixo, sem conceder espaços à França. Por outro lado, os magiares ainda tentavam algumas escapadas investindo pela esquerda. Todavia, pouca ação acontecia, com muitas faltas entre as equipes. O primeiro grande lance dos Bleus ocorreu aos 13. Benzema chutou de fora e Gulácsi buscou no cantinho. Logo depois, o goleiro fez uma defesa ainda mais impressionante no rebote de Griezmann, que de qualquer forma estava impedido. N’Golo Kanté também tentou uma arrancada pelo meio, mas Gulácsi se antecipou atentamente. Já aos 17, Digne cruzou no capricho e Mbappé cabeceou com muito perigo ao lado da trave.

Quase um golaço dos Bleus

Com a França conseguindo impor seu jogo, as brechas se tornavam maiores nos arredores da área. Benzema era quem saía da área para a penetração de Mbappé. Além disso, Kanté e Pogba tentavam alimentar o ataque um pouco mais pela direita. Aos 23, durante a pausa para hidratação, a Hungria precisou realizar sua primeira substituição: o centroavante Ádám Szalai não estava se sentindo bem e deu lugar a Nemanja Nikolics. Já aos 33, veio o lance mais bonito da França. Começou com Griezmann puxando mais atrás para lançar na direita. Mbappé dominou com estilo na área e, cercado, deu um toque belíssimo de calcanhar. Benzema chegou sozinho batendo com o peito do pé, mas pegou na orelha da bola, que lambeu a trave do atônito Gulácsi.

Mbappé insiste

Mbappé queria jogo. Aos 33, quase o garoto anotou um golaço. Ao receber na entrada da área, o atacante conseguiu se desencilhar de três marcadores com dribles curtos. Achou um espaço para chutar cruzado, mas o tiro não foi tão bom e seguiu para fora. A Hungria se limitava a marcar de maneira bem contida, permitindo que a França ditasse o ritmo. Pogba também tentou uma batida para fora, com pouco ângulo. Parecia que a defesa magiar ficava no limite do risco, com uma sequência de desarmes cruciais. Além do mais, os anfitriões não acertavam suas ligações diretas.

O gol nos acréscimos deixa a Hungria em vantagem

Até parecia que o primeiro tempo terminaria empatado. A França baixou o ritmo nos minutos finais e não forçava tanto as jogadas. Uma escapada aos 47 bastou para que a Hungria surpreendesse, com o primeiro gol na Puskás Arena. A jogada se iniciou com uma inversão da direita para a esquerda realizada por Ádám Nagy. O ala esquerdo Attila Fiola aparou de cabeça para Roland Sallai e já se projetou na frente para receber o passe de volta. Lançado em velocidade, o camisa 5 aproveitou as costas de Benjamin Pavard e encontrou a avenida livre depois do bote errado de Raphaël Varane em Sallai. Sozinho dentro da área, Fiola bateu no canto de Hugo Lloris. A vantagem era valiosa aos magiares.

Deschamps muda

A França voltou ao segundo tempo buscando um abafa maior. Arriscava muitos cruzamentos fechados e Pogba chutou com perigo aos seis, mesmo escorregando. O problema é que o time seguia penso para o lado direito, por mais que Griezmann tentasse circular. Rabiot era nulo e seria ele o primeiro a sair, com a entrada de Ousmane Dembélé aos 12 minutos, aumentando as alternativas ofensivas. O ponta entrou pela direita, abrindo mais Mbappé na esquerda e mantendo Griezmann centralizado. Além disso, Pogba e Kanté passavam a funcionar como uma dupla de volantes.

Dembélé carimba a trave

Dembélé precisou de uma bola para mostrar que poderia fazer a diferença. Numa arrancada aos 14, o ponta chamou a marcação para dançar e mandou um foguete de direita que estalou a trave. Porém, enquanto a França se acertava, a Hungria também saiu um pouco mais para o jogo. Na sequência, László Kleinheisler cruzou rasteiro e Varane realizaria uma interceptação vital dentro da área. Não parecia uma partida simples para os Bleus, até pela forma como Pavard ficava exposto às arrancadas de Sallai pela esquerda.

Num contra-ataque, Mbappé dispara e Griezmann empata

A França chegou ao empate com 21 minutos. E o gol sairia num contra-ataque. Depois de uma cobrança de falta, Lloris segurou o cruzamento e repôs para Mbappé disparar no ataque. O atacante ganhou da marcação dupla e chegou à linha de fundo, cruzando rasteiro. Orbán cortou parcialmente e a bola ficou limpa para Griezmann, que chutou no canto de primeira e estufou as redes. Artilheiro da Euro 2016 com seis gols, Griezmann chegou aos sete tentos no torneio e se igualou a Alan Shearer como terceiro maior goleador da história da competição.

Giroud e Tolisso entram na França, mas fica o empate

Aos 31 minutos, os dois times trocaram. A França sacou Benzema e Pogba, um tanto quanto ineficientes na tarde, para as entradas de Corentin Tolisso e Olivier Giroud. Já a Hungria vinha com o ponta Tamás Cseri na vaga do volante András Schäfer. O duelo perdeu um pouco o ritmo nos minutos seguintes, mas os Bleus ameaçaram a virada aos 37. Numa bola roubada no meio, Mbappé tabelou com Giroud e encheu o pé diante do gol, mas Gulácsi espalmou. Logo depois, Tolisso bateu de fora da área e o goleiro magiar encaixou sem grandes dificuldades. Na sequência, mais uma mudança entre os húngaros, com Gergo Lovrencsics no lugar de Kleinheisler. Por fim, os franceses apostariam em Thomas Lemar na vaga de Dembélé, que sentiu a coxa. Nada que tenha impactado tanto nos minutos derradeiros da partida. A França rodava a bola, mas sem encontrar brechas. O principal lance foi uma falta fechada que Griezmann cobrou e Gulácsi afastou. Ficaria o empate.

Próximos compromissos

Sem encaminhar a classificação, a França completa sua participação no Grupo F durante a próxima quarta, quando pega Portugal na Puskás Arena. Os Bleus somam quatro pontos. Já a Hungria segue viva com um ponto e atuará fora de casa na quarta, quando visita a Alemanha em Munique.

 Ficha técnica

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo