Eurocopa

A boa participação de Verratti contra Gales foi importante para aumentar sua confiança à sequência da Euro

Verratti volta de lesão e seria um teórico titular da Itália, fazendo uma boa partida em sua estreia no torneio

A Itália realizou oito mudanças em sua escalação para enfrentar Gales no fechamento do Grupo A da Eurocopa. Desses novatos, um deles era mais importante que os outros: Marco Verratti, que só não começou o torneio no 11 inicial por voltar de lesão. Ainda há expectativas de que o meio-campista tome a posição na sequência da competição, considerando sua experiência e o seu talento, que podem ser um diferencial nos mata-matas. E a participação de Verratti contra os galeses seria fundamental para transmitir um pouco mais de confiança sobre suas condições, diante de sua boa atuação na vitória por 1 a 0.

Verratti possui um histórico de lesões que muitas vezes atravanca seu potencial. Em termos técnicos, de qualquer maneira, não há muitas dúvidas sobre a qualidade do meio-campista como um dos principais jogadores italianos de sua geração. Verratti trata a bola como poucos e também possui uma visão de jogo na criação que auxilia suas equipes. Os problemas físicos impediram que Verratti fosse mais efetivo nas campanhas recentes do Paris Saint-Germain na Champions League. Agora, ficam as esperanças de que ele se recupere para entregar o que a Itália ambiciona na Eurocopa.

A Euro 2020 é apenas o segundo torneio internacional de Verratti pela seleção italiana. O meio-campista esteve presente na Copa de 2014, quando a Azzurra não teve vida longa. Perdeu a Euro 2016 por lesão e não evitaria o fiasco contra a Suécia nas Eliminatórias para o Mundial de 2018. Depois disso, enquanto se manteve saudável, Verratti foi uma peça importante no esquema de Roberto Mancini e deu uma grande contribuição na atual sequência invicta de 30 partidas dos italianos. O entrave é mesmo a forma como o camisa 6 sempre permanece no departamento médico. Porém, mesmo sem estar 100%, Verratti foi bancado por Mancini para disputar sua primeira Eurocopa.

Nas duas primeiras partidas da Itália, Verratti sequer entrou em campo por se recuperar de uma lesão no joelho. O jogo em ritmo mais baixo contra Gales, enfim, permitiria que ele estreasse no torneio. E a ocasião foi importante não apenas por ver as condições do meio-campista ao longo dos 90 minutos. O camisa 6 também seria um dos melhores em campo, ditando o ritmo da equipe e criando uma série de oportunidades aos companheiros. Não foi coincidência que o gol da Itália surgiu dos pés de Verratti, descolando um ótimo cruzamento em cobrança de falta para que Matteo Pessina emendasse às redes.

O retorno de Verratti ao 11 inicial não é uma certeza ainda. Afinal, Manuel Locatelli foi um dos melhores jogadores do time nesta fase de grupos. Mesmo jogando fora de posição, o atleta do Sassuolo deu conta do recado e saiu como o protagonista na vitória diante da Suíça. Forma uma trinca muito azeitada com Jorginho e Nicolò Barella. Entretanto, a rodagem e o talento podem pesar a favor de Verratti. O camisa 6 possui mais casca para jogos em alto nível e não há muitas dúvidas sobre a maneira como pode decidir aos italianos nestes mata-matas. A decisão está no colo de Mancini.

Reserva ou titular, porém, Verratti deve desfrutar a Euro 2020 como uma grande oportunidade em sua carreira. Se no Mundial de 2014 ele ainda era um novato de 21 anos, a competição continental apresenta uma versão bem mais madura do meio-campista aos 28 anos. É até estranho pensar no tempo que o camisa 6 perdeu até reaparecer num torneio internacional, por diferentes fatores. Mas não se nega seu talento para isso e a importância que pode ter à seleção italiana neste ciclo, em meio a outros tantos companheiros mais jovens.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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