Europa

Euro 2016: Blatter não vai à França por medo de ser deportado aos EUA

Depois de ter se recusado a vir ao Brasil para a comemoração dos 100 anos de seu padrinho político João Havelange, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter disse que não viajará para a França em junho, para a 15ª edição da Eurocopa. O motivo pelo qual o suíço que tanto viajava está há um ano praticamente sem sair de seu país o próprio deixou explícito: ele teme que seja extraditado para os Estados Unidos por conta de sua situação ilegal. Mas por que será que o ex-dirigente da entidade máxima do futebol no mundo está com medo de ser deportado se ele já afirmou e reafirmou tantas vezes que é inocente? É como diz aquele provérbio famoso: quem não deve, não teme.

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A declaração de Blatter foi feita hoje, durante uma entrevista à revista France Football. “Por enquanto, eu não irei à França para a Eurocopa. Sei que as autoridades francesas não vão me cobrar nenhuma explicação. Mas enquanto esse caso envolvendo autoridades norte-americanas estiver correndo, eu não viajarei a país algum do mundo”, disse o suíço. Ele se referia ao processo de investigação contra dirigentes da Fifa que foi autorizado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e está sendo executado pelo FBI desde maio do ano passado.

Desde então, Blatter só saiu da Suíça em uma ocasião. Foi quando o ex-dirigente foi à Rússia, à convite do chefe de Estado russo Vladimir Putin. Inclusive, enquanto esteve no país, Sepp disse que voltaria para marcar presença na Copa do Mundo de 2018. “Blatter é uma pessoa muito respeitável, que contribuiu muito para o desenvolvimento do futebol moderno. Ele sempre tentou usar o futebol como ferramenta para a cooperação entre pessoas. É a pessoa que deveria receber o prêmio Nobel da Paz”, afirmou o presidente russo, em defesa a Blatter. O fato da Rússia se aliar a quem está contrário aos Estados Unidos e vice-versa não poderia fazer mais sentido.

Além de ter apoiado um candidato à presidência da Fifa que era suspeito de violar direitos humanos, Blatter é acusado de cometer irregularidades em sua condução da entidade. Apropriação indébita de recursos, lavagem de dinheiro, suborno e fraudes são as ilegalidades às quais Sepp está submetido. O suíço também havia sido suspenso por oito anos de toda a atividade ligada ao futebol pela justiça interna da Fifa, por conta do pagamento de 1,8 milhões de euros ao então presidente da Uefa, Michel Platini, porém o tempo foi reduzido para seis anos.

“Há lugares em que nós suíços tivemos más experiências. Tem um caso, por exemplo, de um banqueiro que foi para a Itália e acabou indo parar em Nova York. Por esse motivo, não vou correr o risco de ir à França. A menos que eu receba um convite oficial da federação”, falou Blatter mencionando ao também suíco e ex-executivo do banco UBS, Raoul Weil, preso na Itália em dezembro de 2013 antes de ser inocentado das acusações de conspiração fiscal nos Estados Unidos um ano depois.

O ex-dirigente acredita que essa perseguição por parte das autoridades estadunidenses nada mais é do que parte de um complô contra a Fifa. “Eles querem se vingar por não terem ganho o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022 e pretendem tomar o controle da entidade. Houve até aquela famosa coletiva de imprensa, quando eles alegaram que a Fifa era uma máfia e que precisava ser destruída”, disse. Bem, não é novidade para ninguém que os Estados Unidos têm um péssimo histórico envolvendo pessoas inocentes, mas acredito que não seja o seu caso, Blatter.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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