Estréias com o pé direito

Áustria e Suíça estrearam nas Eliminatórias européias para a Copa de 2010 com o pé direito. As anfitriãs da última Euro superaram o mau resultado no torneio continental, em que sequer passaram da fase de grupos, e deixaram seus torcedores confiantes em boas campanhas nas preliminares do Velho Continente.
Enquanto os suíços empataram fora de casa com Israel, num confronto direto, os austríacos alcançaram o resultado mais surpreendente da primeira rodada ao conquistar uma excelente vitória sobre a França, no Ernst-Happel Stadion, por 3 a 1.
Efeito Brückner?
Não faltou garra, entrega e disposição. Essas foram as principais marcas da campanha austríaca na Euro. Ainda assim, o time marcou apenas um gol, empatou um jogo e perdeu dois. Um resultado decepcionante, mas que não afastou a torcida: 48 mil pessoas lotaram no sábado o estádio que há pouco mais de dois meses consagrara a Espanha como melhor time da Europa para empurrar o time e seu novo técnico, Karel Brückner.
Com o tcheco, a garra e a briga por cada bola continuaram presentes. Apareceu, entretanto, seu toque ofensivo: saiu o 4-4-2 de Hickserberger, entrou o 4-2-3-1 que inclusive chegou a ser tentado por Brückner com sua seleção e que foi o esquema da moda na Euro. Harnik e Fuchs infernizaram a defesa francesa com um jogo veloz e Janko, artilheiro da Bundesliga e em excelente fase, tabelou com os meias e abriu espaços na zaga. Além disso, a equipe esteve muito mais confiante em seu potencial, talvez sem a pressão de ser país-sede, e dominou todo o jogo.
Mais que tudo, a Áustria contou com a sorte que não lhe sorriu no torneio continental. Oito minutos, falta de Toulalan em Ivanschitz na intermediária. O capitão joga a bola na área, a zaga não corta e Janko (ou seria Mexes?) desvia para o gol. Meia hora depois, falta de Mexes em Janko, em posição bastante parecida. Mesma bola aérea, mesma indecisão francesa, mesmo resultado: Aufhauser, 2 a 0.
O volante, aliás, atribuiu à sorte o resultado: “jogamos bem como na Euro e a euforia ainda pode ser sentida. A diferença é que dessa vez a bola que sairia, entrou”, disse após o jogo. Há, ainda, outro fator importante: o renascimento de Ivanschitz. Duramente criticado pela imprensa por suas atuações apagadas e por não ter sido um líder durante a Euro, seu posto de capitão foi questionado. Contra a França, sofreu e cobrou a falta do primeiro gol, levantou novamente na área para o segundo e ainda deixou o seu de pênalti. Uma atuação memorável. Brigado com a imprensa, limitou-se a dizer que o time havia jogado bem e que este era apenas o primeiro jogo, e que havia muito trabalho pela frente.
E há, de fato. Se quando do sorteio este grupo 7 já era considerado o mais equilibrado pelas presenças de França, Romênia e Sérvia, agora torna-se talvez o mais forte, já que a Áustria parece disposta a incomodar e até a Lituânia estreou com uma excelente vitória fora de casa sobre os romenos. Assim, o saldo de gols conquistado sobre as Ilhas Faroe é que pode fazer a diferença.
O próximo desafio é exatamente contra os lituanos, nesta quarta, em Marijampole. Uma partida que testará a força das duas equipes, candidatas a zebra. Se a Áustria ganhar, as contas de Brückner continuarão certas – “precisamos de dezoito pontos para classificar. Iniciar a campanha logo com seis será fundamental”, disse logo quando assumiu. Um empate pode até não ser considerado um mau resultado. Mas se perderem, os austríacos terão jogado no lixo uma de suas maiores exibições nos últimos anos.
Poderia ser melhor
Se perguntados antes do jogo, todos os suíços diriam que um empate fora de casa com Israel seria um ótimo resultado. Afinal, em um grupo sem um grande favorito, os israelenses são adversários diretos por uma vaga no Mundial – e mais do que isso, vêm de uma excelente campanha nas Eliminatórias para a Euro e são dificílimos de se bater quando mandantes.
Mas a história do jogo traiu as pretensões iniciais dos comandados de Ottmar Hitzfeld. Sem muito tempo para trabalhar desde que assumiu, o alemão mexeu pouco na forma de jogar da equipe: armou um 4-4-1-1 e encarregando nvoamente Hakan Yakin por toda a criatividade da equipe. O melhor jogador da Super League 2007/08 mostrou mais uma vez que é decisivo e abriu o placar no final do primeiro tempo, com um golaço de falta.
Na segunda etapa, novamente na bola parada Yakin fez a diferença: bola na cabeça de Blaise Nkufo para ampliar. Sem Frei e Derdiyok, machucados, e Marco Streller indeciso sobre sua aposentadoria da seleção nacional, o atacante do FC Twente foi o escolhido como centro-avante e marcou seu terceiro gol em 16 partidas.
Entretanto, a mesma síndrome que acometia a Suíça sob o comando de Jacob Kuhn voltou a aparecer: após o segundo gol, o time se encolheu e deu todo o campo para os israelenses, que cresceram na partida e alcançaram o empate já nos acréscimos, com Ben Sahar. Antes, Benayoun havia diminuído.
Hitzfeld não escondeu seu desapontamento com o resultado, e admitiu que terá trabalho para renovar a equipe: Benaglio não demonstrou muita confiança no gol e a torcida pede Zibung, do lanterna Luzern, como substituto de Zuberbühler. Outro que tem sofrido perseguição é Benjamin Huggel, volante do Basel. Pior: ao mesmo tempo em que a palavra de ordem é renovação e o nome de Almen Abdi (meia de 21 anos do Zurique) aparece em todos os jornais, a inexperiência do meio-campo, com jogadores jovens como Inler e Behrami, é questionada.
Felizmente, a tarefa suíça não é tão complicada: na quarta, recebe a fraca seleção de Luxemburgo e, em outubro, tem outro jogo em casa, contra a Letônia. Seis pontos vão jogar a pressão para israelenses e gregos, e assim a formação de uma nova identidade poderá acontecer ao mesmo tempo em que a Suíça busca a classificação para seu quarto torneio de ponta seguido.
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