Eliminatórias da CopaEuropa

Esqueça 98, a Croácia não é uma seleção tão forte assim

A primeira participação da Croácia na Copa do Mundo, em 1998, deixou uma grande impressão daquele time. Com Davor Suker como artilheiro e vitórias surpreendentes, como as quartas de final contra a Alemanha, o time deixou a impressão que o país tinha um time técnico e perigoso. Esqueça tudo isso. Aquela campanha não é o padrão croata. O time, que sofreu para se classificar e só vem à Copa depois de eliminar a pequena Islândia na repescagem, não tem grandes estrelas e não é exatamente um esquadrão que bote medo em alguém, como as Eliminatórias mostraram.

A Croácia caiu no Grupo A das Eliminatórias, um dos mais fáceis. Foi cabeça de chave, graças ao bom ranking daquele momento, e teve coimo companheiros de grupo Bélgica, Sérvia, Escócia, Gales e Macedônia. Os croatas acabaram em segundo, porque os belgas passearam no grupo, com direito à classificação para a Copa em uma vitória categórica sobre a Croácia em Zagreb. A Croácia terminou com 17 pontos contra 26 da Bélgica e só três acima da Sérvia, terceira colocada. Com direito a uma derrota em casa para a Escócia, atualmente um time muito fraco. O desempenho só razoável não é surpresa. Esse é o padrão da seleção croata.

Em 1996, seu primeiro grande torneio, a Croácia chegou às quartas de final. Porque deu sorte, é bom dizer. Caiu no Grupo D, com Portugal, Dinamarca e Turquia. Terminou com duas vitórias e uma derrota – justamente para Portugal, que foi primeira colocada do grupo. Caiu nas quartas de final para a Alemanha, 2 a 1.

Em 2000, não conseguiu vaga na Eurocopa depois de ficar em terceiro lugar no Grupo 8, que teve Iugoslávia e Irlanda classificadas. Em 2002, na Copa do Mundo, caiu na fase de grupos com México e Itália classificadas e Equador em último lugar. Em 2004, caiu na fase de grupos no grupo que teve França e Inglaterra classificadas, com Suíça em último lugar. Em 2006, ficou no grupo do Brasil na Copa, mas acabou atrás da Austrália e ficou em terceiro lugar, eliminada na primeira fase. Na Euro de 2008, caiu nas quartas de final para a Turquia, nos pênaltis. Em 2010, sequer conseguiu vaga na Copa do Mundo, depois de ficar atrás de Inglaterra e Ucrânia no Grupo 6 das Eliminatórias. Por fim, na Euro 2012, acabou atrás de Espanha e Itália e foi eliminada.

O melhor e mais conhecido jogador da Croácia é o meio-campista Luka Modric, de 28 anos, que joga no Real Madrid. É um ótimo jogador e é capaz de fazer diferença em alguns jogos, mas está longe de ser um craque. Na defesa, Darijo Srna, do Shakhtar Donetsk, é o lateral direito, um bom jogador, mas nada excepcional. A grande maioria dos jogadores do elenco são coadjuvantes em seus times. Vedran Corluka, ex-Tottenham e atualmente no Lokomotiv Moscou, Danijel Pranjic, ex-Bayern de Munique e atual Panathinaikos, Dejan Lovren, ex-Lyon e atualmente no Southampton, Niko Kranjcar, do Queens Park Rangers, Ivan Rakitic, do Sevilla, Mateo Kovacic, da Internazionale, Ivica Olic, do Wolfsburg, ex-Bayern, Eduardo da Silva, ex-Arsenal e atual Shakhtar e Mario Mandzukic, um dos que mais tem feito sucesso no Bayern de Munique.

Muitos desses são jogadores com passagens em times importantes, mas sem nunca terem brilhado como as principais estrelas do seu time. Alguns são jovens, ainda podem brilhar, mas todos estão longe do protagonismo. Mesmo seus dois melhores jogadores, Modric e Madzukic, são jogadores importantes, mas não são os principais jogadores do seu time. O que não quer dizer que não possam brilhar na seleção. Só que dificilmente serão tão decisivos a ponto de levarem a Croácia de novo a uma semifinal de Copa, a não ser que a sorte brilhe mais que os jogadores.

A Croácia tem potencial para chegar ao mata-mata da Copa, com alguma sorte no sorteio. Mas não espere aquela conversa de “o Brasil da Europa” – um rótulo, aliás, que veio da antiga Iugoslávia, passeou pela Romênia em 1994 e ainda é atribuído ao time do país dos Bálcãs. Os croatas formam um bom time, capaz de fazer um bom jogo. Nada muito além disso.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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