Europa

ESCANDINÁVIA: Finalmente, campeões

Um vice-campeonato pode repercutir de maneiras bem distintas. Alguns clubes comemoram, honrados com a campanha ímpar em suas histórias. Já para outros, o segundo lugar é o retrato desastroso de uma temporada para se esquecer. Há ainda um terceiro grupo de equipes, que se acostumam a lidar com a ambígua sensação do “quase” – um misto de dever cumprido graças ao desempenho positivo e melancolia pela taça (muitas vezes, inédita) que voltou a escapar após estar tão próxima.

Certamente, a torcida do Molde entenderia o que estamos falando. Por sete vezes, o clube da cidade de mesmo nome terminou o Campeonato Norueguês na segunda posição – cinco delas nos últimos quinze anos. Em 2011, ano do centenário do clube, o enredo tomou outro rumo: mesmo com a Tippeligaen ainda em andamento, a torcida azul e branca já comemora seu primeiro título nacional.

A conquista começa a ser escrita com o retorno de Ole Gunnar Solskjaer ao time que o projetou. Embora revelado pelo minúsculo Clausenengen, foi no Molde que o atacante chamou a atenção do Manchester United. Em 1996, rumou ao futebol inglês para se tornar ídolo do MUFC, status que permaneceu intacto mesmo com a série de lesões que abreviou sua carreira.

Em seu primeiro trabalho como treinador, o “assassino com cara de bebê” (apelido dado pela torcida em seus tempos de United) recebeu um clube vindo de temporada negativa. Após ser vice em 2009, o Molde esteve perto de ser rebaixado no ano passado. Escapou com uma arrancada fantástica nos últimos jogos, mas o 11º lugar foi uma posição final bastante modesta.

Nem dá para dizer que o MFK começou 2011 dando pistas do que era capaz. A primeira vitória, por exemplo, chegou apenas na quarta rodada. Da décima em diante, o time engrenou: colou no primeiro colocado, roubou a liderança e não largou mais. Invicto desde o começo de agosto, garantiu a conquista com duas rodadas de antecipação. Nem três empates consecutivos e os dois meses de jejum sem vencer dentro de casa foram suficientes para adiar a festa prematura.

O time de Solskjaer reflete uma mentalidade comum a muitos times escandinavos, especialmente noruegueses: a aposta em jogadores nascidos na África, baratos e de pouca idade. Em uma liga pequena e economicamente frágil, que perde muita gente para outros mercados na janela de meio do ano, a solução parece funcionar. Artilheiro do time no torneio, o senegalês Pape Paté Diouf foi vendido ao Kobenhavn na metade do campeonato. Contudo, os gols continuaram por meio de outros dois africanos: o nigeriano Daniel Chima Chukwu e o marfinês Davy Angan.

Até o momento, o Molde não tem a melhor defesa e nem o ataque mais positivo. Mas, se não se destacou em nenhum setor, foi bem em ambos. Talvez o meio de campo seja a zona mais efetiva da equipe; além de suas funções costumeiras, cinco meio-campistas colaboraram juntos com 19 gols da equipe – e a lista nem inclui o capitão Hestad, volante titular absoluto que não marcou nenhum. Até mesmo reservas como o norte-americano Gatt deixaram seus golzinhos importantes. Individualmente, podemos citar o goleiro Pettersen, um dos melhores do país e o único do time a fazer parte da atual seleção norueguesa.

Ano que vem, o clube disputará a Champions League pela primeira vez desde 1999/2000. Para quem esperou cem anos por um título, aguardar treze por uma vaga deve ter sido moleza.

Curtas

– As seleções de Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia aproveitaram as últimas datas FIFA para realizarem amistosos.

– Classificadas para a Euro-12, Dinamarca e Suécia fizeram um amistoso em Copenhague, dia 11. Vitória dos donos da casa por 2-0.

– Dia 15, em Esbjerg, os dinamarqueses receberam outro rival escandinavo: a Finlândia. Nova vitória, dessa vez por 2-1.

– Após ser derrotado na Dinamarca, a seleção sueca foi encarar uma parada ainda mais dura: a Inglaterra, em Wembley. E perdeu outra vez: 0-1.

– Fora de Eurocopa, a Noruega escolheu Gales como rival em sua última partida do ano. E levou uma sonora goleada por 4-1.

– O sueco Lars Lagerback é o novo técnico da Islândia, substituindo Olafur Johannesson. Lagerback, que esteve nas últimas três Copas do Mundo (2002 e 2006 com sua seleção natal e 2010 treinando a Nigéria), só estreará em 2012.

– O Campeonato Norueguês termina neste domingo. Na próxima coluna, um guia completo da temporada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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