ENTREVISTA: Edimar: “No geral os europeus olham para um negro de forma diferente”

Lateral esquerdo de muita força ofensiva, Edimar é um dos brasileiros que atuam na Grécia. Lançado pelo Cruzeiro e emprestado a alguns clubes do interior de Minas, o jogador ganhou notoriedade no Tupi e chegou a ser indicado a revelação do campeonato mineiro. Passou por Portugal, no Braga e pelo Cluj, na Romênia, onde participou do principal torneio de futebol do planeta, a Liga dos Campeões. Em seu clube, o Xanthi Skoda – atual quinto colocado no Campeonato Grego – é o único negro.
Você passou por Portugal, Grécia e Romênia. Viu muita diferença entre esses países?
As diferenças que vi de país para país foi de mentalidade. Quando passei pelo Braga foi muito bom, um grande clube com mentalidade de time grande. Na Romênia foi um pouco mais complicado. Em primeiro lugar, a língua. Depois, a mentalidade deles que é um pouco diferentes de clubes brasileiros e portugueses. Aqui na Grécia, apesar do pouco tempo, está sendo bastante proveitoso. Mesmo com a dificuldade do idioma, tenho conquistado respeito do clube e das pessoas, e isso tem sido importante.
E em termos de estrutura?
Todos os clubes que passei tinha boa estrutura de trabalho, mas com certeza a melhor que passei pela Europa foi a do Braga. O clube tem um estádio muito moderno e um centro de treinamento de qualidade. Não sei se posso dizer que a do Cluj foi a pior, porque tambem é um grande clube da Romênia, mas por ser tratar de um pais do Leste Europeu, um pais mais afetado pelo frio, as condições ficam um pouco diferente.
Na Grécia, além dos problemas financeiros que o país vive, há também vários problemas de racismo. Já passou por algum problema?
Sinceramente, acho isso uma vergonha. Creio que quem faz isso não tem amor a si próprio. Somos todos iguais, então penso que isso não poderia existir no futebol e nem em outro lugar. Isso é lamentável, mas fazer o que? Aqui existem brincadeiras comigo em treinos do clube até porque sou o unico negro do time, mas tudo em brincadeira. Mas em maneira geral os europeus têm essa mania de olhar para um negro de forma diferente, até mesmo em mercado e lojas.
No Cluj você chegou a disputar Liga dos Campeões. Tem uma sensação diferente?
Disputar uma Liga do Campeões foi um sonho para mim. Foi maravilhoso estar ali ao lado de grandes craques e poder se sentir um também. Dá uma sensação de que valeu a pena todos os sacrifícios do passado, as dificuldades.
Você marcou um gol no Campeonato Grego, justo contra o Panathinaikos.
Esse gol contra o Panathinaikos foi muito importante para mim, pois tenho apenas três meses de clube.
O Xanthi se encontra no meio da tabela, já tendo enfrentando os principais times. Acredita numa recuperação do clube nesses próximos jogos?
O inicio do campeonato foi difícil para nós, jogamos contra as seis maiores equipes daqui. Jogamos de igual para igual contra eles, mas não conseguimos bons resultados. Depois tivemos equipes do nosso porte e a coisa melhorou.
Você está emprestado pelo Cluj à Grécia. Até quando tem contrato com o clube romeno e quais são suas perspectivas para o futuro?
Tenho contrato de mais dois anos com o Cluj, no momento não tenho pensado muito no futuro, pois creio que o futuro depende muito do presente. Acredito que vao surgir coisas interessantes, mais não tenho pensamento de voltar a equipe romena. Quem sabe surja algo aí no Brasil, seria de muita alegria.



