Enfim, bola
Depois da pausa de inverno mais agitada da história recente, com confusões e polêmicas para todos os gostos fora de campo, o Campeonato Suíço finalmente voltou a ter futebol. Ao menos temporariamente, saíram de cena os engravatados advogados, os polêmicos cartolas e o noticiário-mais-político-que-esportivo e entraram os jogadores, as torcidas, a emoção, enfim, aquilo que faz a verdadeira graça do futebol.
O jogo mais emblemático da retomada do Suição foi o empate por 0 a 0 entre Basel e Sion, no St. Jakob-Park, na Basileia. A partida reuniu o líder com folga e grande favorito ao título contra a equipe que foi pivô de uma das polêmicas das férias e está virtualmente condenada a disputar o playoff do rebaixamento.
Sob um frio de nove graus negativos e com um pouco de neve no gramado – que teve as riscas pintadas de vermelho –, o Basel foi superior durante toda a partida. Teve mais posse de bola, controlou as ações e chegou bem ao ataque, principalmente pelas pontas. Mas pecou demais nas finalizações, cedeu espaço aos contra-ataques e por muito pouco não deixou o campo derrotado: no último minuto o brasileiro Rodrigo cabeceou a bola no pé da trave do goleiro Sommer, que já estava batido na jogada.
É certo que alguns fatores prejudicaram a atuação do Basel. Um deles é o frio. Por mais que os jogadores estejam acostumados a treinar e jogar sob baixas temperaturas, é evidente que o rendimento cai nessas condições. Outro é a falta de ritmo de jogo, afinal foram quase dois meses sem disputar uma partida oficial.
Mas se quiser pelo menos endurecer as coisas para o Bayern Munique nas oitavas de final da Liga dos Campeões, os RotBlau terão de jogar muito mais. A estratégia de atacar principalmente utilizando as pontas do campo parece ser bem arquitetada, com os lépidos Shaqiri pela direita e Shaka pela esquerda. Mas de nada adianta eles abrirem espaço na zaga adversária se os homens que têm a missão de concluir a gol não fizerem sua parte.
Huggel e Fabian Frei, os outros dois meio-campistas do time, pouco apareceram, assim como os laterais Degen e Steinhofer – que raramente passam do meio-campo. Claramente, falta criatividade ao setor de armação.
No ataque, a dupla de veteranos Alex Frei e Marco Streller também precisa evoluir. Frei, apesar de pouco finalizar, até que deu sua contribuição, seja puxando marcadores para o seu lado e deixando o companheiro livre ou cobrando faltas com perigo. Mas Streller perdeu várias chances reais de gol e foi a marca negativa do Basel na partida.
Do lado do Sion, os jogadores mostraram que tecnicamente o time tem condições de estar no meio da tabela. E estaria, não fosse a teimosia de Christian Constantin em brigar com a Fifa e provocar a perda de 36 pontos para a equipe.
Com uma proposta de jogo muito bem definida, atuando com duas linhas de quatro, um homem à frente delas e outro mais adiantado, o time conseguiu segurar o Basel e ainda teve algumas chances de sair com a vitória.
O empate deixa o Sion com quatro pontos negativos na tabela de classificação. Faltando 17 rodadas, será bem difícil tirar a diferença de 15 pontos em relação ao Lausanne, embora o futebol apresentado diante do líder tenha sido capaz de dar alguma esperança ao torcedor. Já o Basel segue tranquilo na ponta, sete pontos à frente do Luzern.
Neve, frio e gols perdidos à parte, o bom mesmo foi a ver a bola voltar a rolar e as chuteiras substituírem as gravatas. Temos futebol de novo, enfim.
CURTAS
ÁUSTRIA
– O Campeonato Austríaco será retomado no próximo final de semana, mas todas as atenções no país estão voltadas para o dérbi 300 entre Rapid Viena e Áustria Viena, dia 18.
– O Ried iniciou a contagem regressiva oficial para a comemoração do seu centenário, que ocorre em maio. Estão previstas várias promoções e uma chamada “noite de gala”, com o encontro entre várias gerações que fizeram a história do clube.
SUÍÇA
– Quem mandou bem na rodada foi o Young Boys: 3 a 1 para cima do Servette e agora apenas dois pontos atrás do vice-líder Luzern.
– No caso Xamax, nenhuma grande novidade. As investigações continuam e Bulat Chagaev segue preso.
– Mauro Lustrinelli, de 36 anos, aproveitou a parada de inverno e anunciou sua aposentadoria como jogador do Thun. Ele aceitou uma proposta do clube e passou a trabalhar como auxiliar técnico.
– Crise financeira à vista no Servette. Durante a semana, o dono do clube, o iraniano Majid Pishyar publicou uma nota no site oficial dos Grenats afirmando que, se não houver “ajuda da comunidade”, a equipe corre o risco de não ter garantias financeiras para obter a licença para a próxima temporada.



