Europa

Ele de novo

Há duas temporadas, uma zebra disparou e assumiu a liderança da Süper Lig. Era o Vestel Manisaspor, da pequena cidade de Manisa, que montara um time organizado, mas sem grandes investimentos. Logo no começo daquela edição da Süper Lig, o Manisaspor surpreendeu os grandes clubes, ficou nove rodadas invicto e assumiu a liderança da competição.

Pois bem. A belíssima situação daquele pequeno clube não durou por muito tempo. O Fenerbahçe dirigido pelo técnico brasileiro Zico, depois de um começo de temporada cambaleante, se acertou e começou a subir na tabela. Por seu lado, o Manisaspor começou a sua decadência, sentindo um elenco pequeno e sem grandes investimentos. E, se passara os nove primeiros jogos sem perder, depois de perder a invencibilidade teve uma incrível sequência de 16 partidas (cinco meses) tendo alcançado apenas uma vitória.

Com esta sequência de resultados ruins a situação psicológica do jovem elenco se deteriorou, gerando uma crise de grandes proporções no pequeno Manisaspor. E num destes momentos conturbados, o técnico Ersun Yanal, de 46 anos, que comandava o pequeno Manisaspor, deixou o comando do time.

Yanal é um técnico conceituado na Turquia. Apesar de nunca ter alcançado um título da Süper Lig, ele fez bons trabalhos no Ankaragücü e no Genclerbirligi, ambos da capital Ancara, o que o levaram a assumir a Milli Takim, a seleção turca.

Na Milli Takim, entre 2004 e o meio do ano de 2005, Yanal até não fez um mau trabalho. Substituindo o interino Unal Karaman -ex-técnico da seleção sub-21 turca-, ele assumiu a seleção com a missão de levar os turcos à Copa do Mundo de 2006. Apesar de estar na zona de classificação para a Copa (vinha em 2º nas eliminatórias), acabou deixando o comando da Milli Takim antes do final da fase de classificação.

Agora, Ersun Yanal domina, mais uma vez, as manchetes turcas. E mais uma vez por colocar o time que comanda na liderança da Süper Lig. Desta vez, leva o Trabzonspor ao topo da tabela.

Ok. Aqui entre nós, o Trabzonspor está longe de ser um time pequeno da Turquia. Aos 41 anos de existência, o clube de Trapizonda é o único a ter quebrado o domínio dos três grandes de Istambul na Süper Lig.

O problema é que os anos de glória dos Karadeniz Firtinasi (Tormenta do Mar Negro em turco) já estão meio distantes. Afinal, os seis títulos da Süper Lig dos Azul-bordôs foram conquistados entre os anos de 1975 e 1984. Porém, desde a sua última conquista, o que era uma tormenta ficou com cara de garoa e o clube de Trapizonda apenas conseguiu conquistas esporádicas da Copa da Turquia. Convenhamos, não é suficiente para reviver os tempos de glória do Trabzonspor.

Os fãs da Tormenta do Mar Negro esperam que, sob o domínio de Ersun Yanal, o clube consiga reviver os tempos de glória na Süper Lig. E começa muito bem, já que fazem uma ótima campanha nesta temporada. Em onze partidas, a Tormenta do Mar Negro venceu oito partidas, empatou duas e perdeu apenas uma -para o Galatasaray, fora de casa, na sétima rodada.

É possível? Sim. Diferentemente do Vestel Manisaspor, que não tinha grandes investimentos e, desde o começo, tinha cara de “cavalo paraguaio”, o Trabzonspor é um time capaz de investir. Seu elenco mistura alguns jogadores experientes e conhecidos no exterior, como o goleiro senegalês Tony Sylva e o defensor camaronês Rigobert Song, que chegaram a jogar uma Copa do Mundo, com outros mais jovens e menos conhecidos, como o meia ofensivo Gustavo Colman e o atacante Gokhan Unal.

Esta mistura tem dado resultados, e o Trabzonspor tem conseguido bons resultados na temporada. Será suficiente para fazer com que a Tormenta do Mar Negro ganhe força novamente e tome a Turquia de assalto novamente? É o que os torcedores dos Azuis-Bordôs esperam.

Um reencontro. Feliz?

A crise do AEK segue. Depois da saída de Demis Nikolaidis da Presidência do AEK, quem saiu foi o treinador Giorgos Donis, que ficara em posição delicada após a saída de Nikolaidis.

O ex-presidente era quem vinha bancando a presença de Donis mesmo depois de resultados decepcionantes no decorrer da temporada. O trabalho do ex-atacante não era exatamente um trabalho ruim. Afinal, o quinto lugar na Super League grega, depois de toda a confusa pré-temporada, quando perdeu jogadores importantes -como Rivaldo, Sokratis Papasthopoulos e Nikos Liberopoulos- até não é um mau resultado.

O problema é que a campanha atual era o menor dos problemas da equipe. Outros fatores já haviam causado o fim da curta paciência dos torcedores dos auri-negros. A insatisfação com a incapacidade do time de vencer uma partida foi um deles. Das dez rodadas já disputadas pela Super League até o fechamento desta coluna, apenas três haviam terminado em vitória para os Dikéfalos. E clubes que, teoricamente, seriam presas fáceis para os auri-negros, como os novatos Thrasyvoulos e Pansserraikos (esta partida disputada em casa) acabaram empatadas.

Também podem ser somados aos fatores causadores do fim da paciência as eliminações dos campeonatos europeus, tanto da Champions League quanto da Copa Uefa, causadas por erros, principalmente, da direção do clube. Aliás, a principal responsável pela pré-temporada conturbada do AEK foi a direção do clube, que sempre pareceu trabalhar para conturbar o ambiente. Além de perder a esportiva no momento da disputa do Play-off final da temporada, ainda foi incapaz de repor as peças perdidas na pré-temporada.

Com a saída intempestiva de Demis Nikolaidis, a situação não ficou mais tranquila para o jovem técnico grego. Afinal, com a entrada de novos comandantes, Donis ficou à mercê de bons resultados para seguir no comando do clube. Como os resultados não vieram, Donis deixou o comando da equipe.

Com o cargo vago, todos os holofotes se voltaram para o sérvio de origem bósnia Dusan Bajevic, que havia deixado o comando do Aris Tessalônica. Bajevic é um nome controverso para os torcedores do clube. O grande problema foi a saída do sérvio em 1994, quando deixou os Dikéfalos em troca de uma oferta mais vantajosa do Olympiacos. Bajevic deixou o AEK, que havia acabado de conquistar o tri-campeonato da Alpha Ethiniki, para iniciar as bases do Olympiacos multi-campeão que dominaria o futebol grego nos anos seguintes.

Bajevic chegou a voltar ao comando do AEK na temporada 2002/3. Porém, ele não teve tranquilidade enquanto esteve no comando do clube. E, por grande parte dos torcedores não perdoam o treinador pela traição anterior, tanto foi azucrinado que deixou o clube depois de poucos meses de trabalho.

Desta vez, mais de dez anos depois do ocorrido, Bajevic espera ter mais tranquilidade para realizar o seu trabalho. Tanto que, num trabalho de relações públicas, chegou pedindo desculpas pelo ocorrido anos atrás em sua primeira entrevista coletiva. Se conseguiu convencer os fanáticos torcedores e terá tranquilidade, é algo que ainda veremos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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