Europa

Hazard dispara contra o VAR: ‘A injustiça no futebol também tem seu charme’

Ídolo do Chelsea saiu em defesa dos erros humanos na partida e menos interferência da tecnologia

Um dos temas polêmicos do futebol, a arbitragem de vídeo segue dividindo opiniões de torcedores e jogadores. Nesta semana, Eden Hazard fez coro a quem não gosta muito da intervenção da tecnologia no esporte.

— Não gosto disso [VAR], me incomoda. Tira muito do futebol, das emoções, para acabar com os mesmos problemas de antes. Eu estava assistindo ao jogo do Thorgan [irmão de Eden], o cara do OH Leuven fez um golaço, mas ficou cinco minutos esperando, sem saber… e aí comemorou. É muito ruim. Então, sim, eu removeria o VAR — declarou em entrevista à emissora belga “RTBF”.

O ídolo do Chelsea acredita que a controvérsia e o erro humano fazem parte da essência do jogo. No seu entendimento, uma das características do futebol é o fato de poder discordar das decisões e dos erros da arbitragem.

— A injustiça no futebol… Quando você é torcedor de um clube, é difícil quando é contra você, mas acho que também existe um certo charme em perder por causa de uma decisão equivocada. Caso contrário, tira muita emoção. Também tem seu charme, mesmo que seja difícil de aceitar como torcedor quando é contra nós. Ela tira muita emoção — reforçou.

Eden Hazard em atuação pelo Chelsea (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)
Eden Hazard em atuação pelo Chelsea (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)

VAR foi desligado por torcedor na Alemanha

No início deste mês, durante a vitória do Hertha Berlim por 2 a 1 sobre o Preussen Münster, pela segunda divisão da Bundelisga, um torcedor da equipe mandante invadiu o gramado e desligou o sistema do VAR antes do juiz analisar um possível pênalti.

Após Niko Koulis derrubar Michaël Cuisance dentro da grande área, o juiz foi aconselhado pela cabine de vídeo a conferir o lance. Quando se aproximou do monitor, foi pego de surpresa com a tela preta.

Pouco antes, um fã encapuzado pulou o alambrado em direção ao gramado e retirou os cabos que ligavam o VAR. O árbitro de campo ainda esperou cerca de um minuto para o reinício do sistema, mas isso não aconteceu e as imagens não foram transmitidas. 

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Chefe da arbitragem da Uefa considera VAR “microscópico” 

Quem também entrou na discussão sobre o uso do VAR também foi Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da Uefa, considerando que a tecnologia tornou-se demasiadamente “microscópica”. 

Rosetti explicou que a fase de liga da atual temporada da Champions League houve uma média de 0,36 revisões de lances por partida. O número é o mais alto desde a introdução do sistema na competição em 2019/20, e representa o dobro do número de revisões em campo por partida em comparação com 2021/22.

Já a Premier League tem uma taxa muito menor de revisões em campo. Seriam 0,15 por partida, o que representa menos da metade da média da Champions masculina.

— Sobre a intervenção do VAR, posso dizer o seguinte: acredito que nos esquecemos do motivo pelo qual o VAR foi introduzido. Esquecemos um pouco. Em todos os lugares. Vocês se lembram, há oito anos, quando estive em Londres. Discutimos o ‘significado do VAR’, falamos sobre erros claros — declarou Rosseti.

O ex-árbitro também pontuou que, apesar da tecnologia, algumas decisões exigem interpretações e uma avaliação subjetiva e, por isso, o sistema ainda enfrenta dificuldades.

— Por que falamos sobre erros claros e óbvios? Porque a tecnologia funciona muito bem em decisões factuais. Em decisões objetivas, ela é fantástica. Para interpretações, a avaliação subjetiva é mais difícil. É por isso que começamos a falar sobre erros claros e óbvios — evidências claras — explicou.

Para o italiano, as críticas refletem um comportamento adotado pelo público. Ao ser questionado como o sistema pode ser melhorado de forma geral, Rosetti disse que a mídia desempenhou um papel na forma como está sendo utilizado.

— [A mídia] tem sua parcela de culpa, porque também pressionou por mais intervenções. Acredito que precisamos, no final da temporada, novamente em nossas reuniões, falar sobre isso. Não podemos seguir nessa direção de intervenções microscópicas do VAR, amamos o futebol como ele é. Mas agora precisamos ter cuidado com isso. Pode melhorar conversando, nos reunindo e resolvendo — reforçou.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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