Europa

Duopólio sem crise

Após três meses de incertezas e jogos adiados, o Campeonato Grego retoma o seu rumo normal. A discussão sobre quem substituiria Olympiakos Volos e Kavala, rebaixados por manipulação de resultados, durou bastante. Por fim, a Super League acabou por adotar uma das soluções apontadas desde o início, com a promoção de Levadiakos e Doxa Dramas, quarto e quinto na segunda divisão em 2010/11. Agora, com o calendário definido e as diferenças de jogos entre as equipes cada vez menores, os prognósticos já podem ser feitos, mas não apresentam grandes novidades: o título ficará mais uma vez nas mãos de Olympiacos ou Panathinaikos.

O fato é que o longo período de indefinição não ajudou Levadiakos e Doxa Dramas a prepararem as suas equipes. Os resultados na maratona de jogos a qual os dois times foram submetidos nos últimos três meses estão longe de ser positivos. O aproveitamento de 8,3% do Doxa Dramas é, disparado, o pior do campeonato – em 11 partidas realizadas, o clube marcou um mísero gol. O Levadiakos não está em situação tão mais cômoda assim, mas o desempenho até o momento traz esperanças de que a equipe escape do rebaixamento, com aproveitamento até aqui melhor que Kerkyra e PAS Giannina.

Na outra ponta da tabela, o Olympiacos vem mantendo a forma arrasadora da última temporada. Em 17 rodadas, o Asteras Tripolis foi o único rival capaz de vencer a Thrylos. Os números ainda mostram a qualidade do elenco nos diferentes setores: o ataque, com média de mais de dois gols por jogo, é o mais positivo da Super League, enquanto a defesa é a menos vazada, concedendo menos de um gol por rodada. Para melhorar a situação, o técnico Ernesto Valverde possui uma estabilidade pouco recorrente no clube ao longo dos últimos anos.

A saída de Albert Riera, um dos líderes do time na temporada passada, foi mais benéfica do que prejudicial ao clube. Afinal, além de embolsar três milhões de euros, vitais diante a crise vivida na Grécia, a equipe conseguiu repor peças sem maiores problemas. Contratado em definitivo no meio do ano, Kevin Mirallas vem crescendo ainda mais dentro da equipe. Outra uma vez artilheiro, com 11 gols, o atacante belga ainda é um dos principais garçons do time.

Valverde tem apostado em um esquema 4-2-3-1, com os homens de frente dividindo responsabilidades. Mirallas cai pelo lado esquerdo da terceira linha, com David Fuster centralizado na armação e o jovem Giannis Fetfatzidis acumulando boas atuações pelo lado direito. No posto de centroavante, Rafik Djebbour e Marko Pantelic têm protagonizado uma interessante disputa pela vaga no time titular, cada um com nove gols anotados no Campeonato Grego.

Já os bons números da defesa são alimentados pelo entrosamento de Olof Mellberg, Avraam Papadopoulos e Vasilis Torosidis. Além disso, as opções de jogadores com bom poder de marcação nas laterais também faz a diferença. Para completar, Jean Makoun e Pablo Orbaiz não demoraram a ganhar a posição na cabeça de área, se revezando com Ariel Ibagaza.  Dos principais reforços da Thrylos, a única decepção foi Franco Constanzo, que não agradou e perdeu seu lugar no gol por Balázs Megyeri.

Um ponto atrás na classificação, o Panathinaikos é o segundo colocado apenas virtualmente, já que ainda possui um dos jogos atrasados a fazer. E é bom poderar que, ao contrário do Olympiacos, que se classificou para os 16-avos de final da Liga Europa, os atenienses se concentram apenas na competição nacional. Apesar das eliminações da equipe tanto na fase preliminar da Liga dos Campeões quanto da Liga Europa, o técnico Jesualdo Ferreira conseguiu se segurar no cargo, principalmente pela regularidade apresentada na Super League, pela qual o clube também só foi derrotado apenas uma vez.

O grande mérito do português, no entanto, foi superar a “Cissé-dependência”, após duas temporadas espetaculares do atacante francês em Atenas. Sem grandes movimentações na janela de transferências, os Prasinoi conseguiram se reorganizar para suprir a ausência de Cissé. Desta vez, quem tem monopolizado as ações ofensivas do time é Sebastián Leto.

Depois de duas temporadas sem convencer a torcida do PAO, o argentino tem tomado as rédeas do time para si. Dos 33 gols marcados até o momento no Campeonato Grego, Leto participou diretamente de 22, balançando as redes 15 vezes e servindo sete assistências. Meio-campista de origem, o jogador se transformou em centroavante pelas mãos de Ferreira, se aproveitando do calibrado pé esquerdo e da precisão nas bolas paradas – ao todo, foram cinco gols cobrando pênalti e um de falta.

Outro nome que tem aparecido bem com a camisa verde é o atacante Quincy Owusu-Abeyie, emprestado pelo Al-Sadd. No meio-campo, Konstantinos Katsouranis segue intocável, enquanto Georgios Karagounis aos poucos perdeu seu espaço entre os titulares. E se o prometido dinheiro do príncipe árabe não veio, o time tem se virado bem com algumas peças baratas adquiridas no início da temporada, como o volante Zeca ou outros ressuscitados dentro do próprio elenco, a exemplo do meia brasileiro Cleyton.

Quanto aos outros clubes da Super League, é difícil imaginar que algum deles ganhe força suficiente no segundo turno para brigar pelo título. O mais próximo é o AEK, seis pontos atrás do Panathinaikos, mas longe de demonstrar alguma regularidade. A equipe até melhorou após a chegada do técnico Nikolaos Kostenoglou, que substituiu Manolo Jiménez em outubro. Apesar do excelente aproveitamento em Atenas, o time deixa a desejar fora de casa, especialmente o sistema defensivo.

Da mesma forma, o PAOK não convence fora de Salônica, insistindo em empatar contra times que não deveriam oferecer tantas dificuldades. E, com a venda de Vieirinha, principal criador das jogadas ofensivas do time, as chances parecem diminuir mais. Ainda com a Liga Europa pela frente, a Dikefalos deverá adotar a mesma estratégia das últimas temporadas, se concentrando nos playoffs finais em busca da segunda vaga na Liga dos Campeões.

Vale lembrar ainda que a crise econômica na Grécia certamente limitará qualquer reviravolta na segunda metade da temporada. No momento, contratações de peso são impensáveis para qualquer uma das equipes. O máximo que acontecerá são transações internas na liga, bem como a chegada de um ou outro jogador estrangeiro que esteja em baixa. Diante das probabilidades, não é em 2012 que o duopólio entre Olympiacos e Panathinaikos se encerrará.

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Equipe Trivela

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