Do êxtase ao chão

O começo de temporada dos gregos na Copa Uefa deixou seus torcedores excitados. Não era para menos. Todos os cinco clubes que chegaram à primeira fase da menos charmosa e competitiva competição européia (AEK, Aris Tessalônica, Larisa, Panathinaikos e Panionios) se classificaram para a fase dos grupos.
Alguns dos times eram pequenos e a desclassificação era considerada normal, já que enfrentariam clubes de escolas mais poderosas, como Inglaterra, Espanha e França. Foi o caso, respectivamente, do Larisa, do Aris Tessalônica, e do Panionios. Mas, até de forma surpreendente, todos eles superaram seus adversários, e chegaram à fase de grupos.
Era uma boa nova para os clubes gregos, já que haviam caído de forma vertiginosa no ranking de ligas da Uefa -que é determinante para a decisão da abertura de vagas nas competições européias. Da oitava colocação, que classificava seis times (duas para a Champions League -sendo que um deles diretamente para a fase de grupos), para a 15ª, que apenas abre quatro vagas (duas para a UCL, nenhuma diretamente para os grupos).
A quantidade de times nesta fase sugere que os gregos poderiam voltar a escalar posições na classificação -o que até aconteceu, mas não da forma como se imaginara.
Até um pouco por isso, ao fim desta fase, a excitação deu lugar a um sentimento de decepção. Claro que há a ressalva de que, mais uma vez, não se esperava muita coisa dos pequenos gregos nesta fase. Mas, no final da fase de grupos, nenhum clube realmente tem grandes motivos para comemorar.
Comecemos pelos grandes. O AEK ficou na terceira colocação de seu Grupo C, atrás de Villareal e Fiorentina (superando Mlada Bosleav-TCH e Elfsborg-SUE). Mas a classificação veio de forma um tanto decepcionante.
Os Dikéfalos acabaram derrotados em Atenas por 2 a 1, e só se classificaram graças ao cumprimento do dever por parte da Fiorentina, que venceu os tchecos em casa pelo mesmo placar. Agora, os auri-negros enfrentarão um dos campeões dos grupos da Copa Uefa -e podem enfrentar o Bayern Munique-ALE na próxima fase, por exemplo.
O Panathinaikos era o único garantido na fase seguinte da Copa Uefa. E vencia o seu confronto contra o Atlético de Madri-ESP até os 29 minutos do 2º tempo, o que lhe garantia a liderança do Grupo C. Porém, permitiu a virada dos espanhóis -sofrendo o gol da derrota nos acréscimos, aos 50 mins-, e assim os Trifilis (trevos) acabaram na segunda colocação do grupo. O PAO enfrentará um dos times que, desclassificados da Champions League, tentam a sorte na Copa Uefa. Times como Werder Bremen-ALE, Sporting-POR, PSV-HOL, ou, se tiver sorte no sorteio, o Slavia Praga-TCH.
Entre os pequenos, o Larisa não conseguiu repetir os grandes resultados alcançados na 1ª fase da UC. Assim, terminou a fase de grupos sem somar pontos. Na última partida, os marrons foram derrotados em casa pelo Nurenberg-ALE.
Mas mais doída foi a desclassificação de Panionios e Aris. Os Istorikos abriram 2 a 0, em casa, contra o time misto do Bordeux-FRA. Porém, não conseguiram segurar o resultado -sofreram o último gol aos 42 do 2º, e acabaram eliminados -por um também apático Galatasaray (mais nas curtas).
Para o Aris, o gol no final que custou a classificação foi marcado ainda na 3ª rodada. O grego Gianakkopoulos empatou o jogo entre os Kitrinomavroi (auri-negros em grego) e o Bolton Wanderers aos 47 do 2º, e impediu que o time de Tessalônica praticamente se garantisse na fase de 16-avos-de-Final já em sua segunda partida no grupo. Depois, um empate em casa contra o Sporting Braga-POR, e a impiedosa goleada por 6 a 0 aplicada pelo Bayern Munique definiram a classificação.
De toda a forma, nada muito fora do esperado. Mas ficou aquele gostinho de que as coisas poderiam ter transcorrido de forma mais positiva para os gregos nesta fase da Copa Uefa.
Novo velho líder
Demorou, mas o Olympiacos alcançou a liderança da Super League. No último domingo, em casa, no clássico contra o AEK, os Thrylos arrancaram uma vitória no sufoco, aos 37 minutos do segundo tempo. E, com isso, alcançaram a posição de honra da Super League. Mas foi difícil alcançar tal posto. Como raras vezes foi nesta última década.
A temporada 2007/8 dos alvi-rubros, tem sido, para se dizer o mínimo, inusitada. Se por um lado eles tem experimentado -e ainda experimentam- o sucesso em território europeu, com a classificação para a fase seguinte da Champions League e, pasmem, vitórias fora do estádio Giorgios Karaiskakis(!), em casa a história é um pouco diferente.
Que a divisão de um time entre competições continentais e nacionais nem sempre é saudável, isto é sabido. Ainda mais para um time que, entre investir no sonho caseiro ou privilegiar a Europa, historicamente prefere fazer aquilo em que sabe se sair melhor -ou seja, ganhar a Super League.
Mas os Thrylos não podem usar esta desculpa, afinal, seus rivais também tem se saído relativamente bem em suas aventuras européias. Tudo bem, tudo bem… Qualquer um sabe que a Copa Uefa não é a Champions League. E o nível de exigência das competições não pode ser comparado, nem mesmo cogitado -apesar de nem todos saberem disso, ou, na pior das hipóteses, fazerem de conta que não sabem. Mas não deixa de ser outra frente de combate para os clubes envolvidos.
Então, o que causa tanta dificuldade para os Thrylos? Um dos fatores é a estabilidade de seus rivais, que não tem desperdiçado tantos pontos para os clubes pequenos. Nos últimos anos, este tem sido o principal fator de desequilibrio das Alpha Ethiniki/Super Leagues. Num campeonato em que o confronto ireto é equilibrado, a hora de enfrentar os pequenos é fundamental para a conquista de um título. E os que mais tropeçavam eram justamente os clubes da capital. No final do campeonato, eram estes pontos que faziam a diferença que normalmente a favor do clube de Pireu.
Outro, que indica a fortíssima evolução dos Thrylos nas últimas rodadas, seria a falta de conjunto inicial -um fator normal num time em reconstrução. Jogadores como Rivaldo, Babangida e Nery Castillo saíram, e os novos integrantes do elenco dos Olympiacos, como Lua Lua, Kovacevic, Galletti e Raul Bravo, demoraram algum tempo para se entenderem em campo.
Este fator de instabilidade custou alguns pontos na Super League, e um melhor início de campeonato para os alvi-rubros. Por outro lado, para a felicidade dos seus torcedores, até que não afetou tanto a campanha européia do clube de Pireu -que agora chega aos mata-matas da competição continental.
Claro que os rivais também procuraram se reforçar, e montaram times mais capazes de fazer frente ao poderio local do Olympiacos. Especialmente o AEK, que montou um time bem interessante, que mescla a juventude de jogadores promissores como o zagueiro Papasthopoulos e a experiência de jogadores rodados, como o brasileiro Rivaldo e o atacante local Lyberopoulos.
O Panathinaikos também se reforçou para a temporada. E, além de apostas mais modestas -como o volante Marcelo Mattos- trouxe o herói Giorgios Karagounis para capitanear os verdes. Os reforços de ambos os times tiveram bons resultados, e os times apresem um bom desempenho neste ano.
Mesmo com todas estas dificuldades, o Olympiacos aparece, mais uma vez, como o principal favorito para a conquista do título da Super League. Primeiro, porque os alvi-rubros tem evoluído nas últimas rodadas, o que indica -num economês aplicado ao futebol- um viés de alta (tendência de evolução) para o clube de Pireu, enquanto os seus rivais estão estáveis ou em queda.
E, em segundo lugar, porque, se houver algum percalço, os Thrylos tem dinheiro em caixa. Afinal, grande parte do dinheiro arrecadado com a venda de Nery Castillo ainda está nos cofres do clube de Pireu. Mas, pelo menos à princípio, os Thrylos parecem mais dispostos a fazer loucuras, mantendo a política de contratações de baixo valor e bom potencial.
CURTAS
Turquia
Para o Galatasaray, o sentimento de frustração e importência é parecido com o do AEK. Mas a dose de agradecimentos para o Bordeaux deve ser algumas vezes maior.
Afinal, empatar sem gols em Istambul com o lanterna do grupo (Austria Viena-AUT) -que ainda não havia somado pontos em três jogos- é demais.
A situação não é muito melhor para o Besiktas. Além de amargar a eliminação da Champions League, sem direito a um “Continue” na Copa Uefa, as dívidas do passado começam a ameaçar a vida dos turcos.
O técnico Vicente del Bosque e dois assistentes, que passaram pelas Águias Negras na temporada 2004/2005, venceram uma disputa judicial que travavam contra o clube no Tribunal de Arbitragem do Esporte. E o Besiktas terá que pagar US$ 8,5 mi para os espanhóis.
Cabe recurso. Mas, caso sejam derrotados novamente e se recusem a pagar a multa, os alvi-negros poderão ser punidos com perda de pontos, ou até mesmo sofrer um rebaixamento.
Grécia
Pela Copa da Grécia, em sua quinta fase (oitavas de final), os inimigos eternos Olympiacos e Panathiankos se enfrentam em Pireu no próximo dia 09/01.
O AEK enfrenta o Skoda Xanthi, fora de casa.
Chipre
O único campeonato da região que já teve o seu primeiro turno encerrado é a Alpha Ethiniki cipriota.
O líder é o Anorthosis Famangusta, com 31 pontos. A Velha Senhora cipriota é seguida pelo atual campeão, o APOEL de Nicósia, que tem 27 pontos. Paralimni (24), Apollon Limassol (23) e Omonia (21) fecham os cinco primeiros.
Nea Salamis (11), Olympiacos Nicosia (11) e Aris Limassol (09) formam a zona da degola do Cipriotão 2007/8.



