Diante da crise econômica nos clubes, jogadores gregos fazem greve nos torneios locais
A Grécia vive uma grave crise econômica desde o final da última década. A inflação e a escassez se tornaram habituais à população local e, logicamente, não deixou o futebol imune. Poucos clubes pagavam os seus salários em dia, com raras exceções entre aqueles com um mecenas por trás. Não à toa, o Olympiacos ampliou ainda mais o seu domínio local, bancado por um bilionário local do ramo de navegação. Contudo, a situação chegou a um limite nesta semana. E, por mais que fossem tolerantes com alguns meses de salários atrasados, os jogadores estouraram a sua paciência. Anunciaram greve que paralisará os campeonatos nacionais a partir da próxima rodada, por tempo indeterminado.
VEJA TAMBÉM: A história de Hatzipanagis, o maior craque sobre quem quase ninguém ouviu falar
A ação é comandada pela Associação Grega de Futebolistas Profissionais, defendendo o interesse de seus filiados. Os gregos resolveram reagir diante da falta de compromisso dos clubes, diante do acordo de não dispensar atletas de seus quadros por conta das dificuldades financeiras. Com as demissões se tornam comuns, e os débitos se acumulando, a greve se tornou a melhor solução para os atletas reivindicarem o seu espaço.
“Foram ultrapassados todos os limites de tolerância e paciência dos jogadores, que estão cansados de ouvir promessas. Não temos outra maneira de proteger nossa existência profissional, econômica, atlética e material. Reclamamos apenas que seja cumprido o que foi firmado em acordo. Queremos apenas aquilo a que temos direito”, declarou a entidade, em nota oficial. A greve afetará ao menos as duas primeiras divisões nacionais, as únicas totalmente profissionais.
VEJA TAMBÉM: A torcida do Paok atualizou o conceito de ‘tornar a vida do rival um inferno’
A medida, entretanto, não afeta o compromisso dos gregos nas competições continentais neste meio de semana. O Olympiacos recebe o Arsenal nesta quarta, podendo até perder por 1 a 0 ou 2 a 1 que se classifica para as oitavas de final da Liga dos Campeões, eliminando justamente os ingleses. Atual pentacampeão grego e dono de 17 dos últimos 19 títulos nacionais, o clube já abriu 13 pontos de vantagem em 13 rodadas disputadas da atual edição da liga e segue com 100% de aproveitamento.
Além das dificuldades no pagamento dos salários e na própria competitividade das equipes, a crise econômica grega também afeta duramente as finanças de alguns dos clubes mais importantes do país. O Panathinaikos acabou salvo por uma iniciativa dos próprios torcedores, que se tornaram acionistas majoritários. Já o caso mais emblemático aconteceu com o AEK Atenas, rebaixado para a terceira divisão após declarar falência, mas que retornou à elite nesta temporada e já aparece na segunda colocação.



