Eliminatórias da CopaEuropa

Deu o óbvio: Croácia bate Sérvia sem dificuldade

Com todas as condições adversas possíveis, a Sérvia encarou a Croácia no estádio Maksimir, em Zagreb, e saiu derrotada de seu primeiro duelo diante dos vizinhos, desde a dissolução da Iugoslávia. O placar de 2 a 0 refletiu o que temos visto nos últimos anos: a superioridade croata, que tem formado atletas tecnicamente melhores do que os sérvios.

A prova disso foi a facilidade com que Modric, Mandzukic e Olic fizeram seu jogo. O meia do Real Madrid não estava satisfeito em apenas armar iniciativas para os colegas, e voltava constantemente para marcar e desarmar em seu campo de defesa. Desde os minutos iniciais os donos da casa fizeram valer essa disparidade técnica e com pouco esforço abriram espaço na defesa frágil formada por Subotic e Nastasic, perdidos em campo.

Desordenada ao sair para o ataque, a Sérvia errava muitos passes e se rendia ao nervosismo da situação de ter 50 mil vozes adversárias vaiando e xingando a cada movimento e toque na bola. Importante lembrar que a Uefa determinou que esse confronto teria apenas presença do público local. Não que em Belgrado fosse diferente, pois não há torcida que compense uma equipe mal escalada como a de hoje.

Kolarov não teve uma atuação tão repreensível assim, mas acabou por definir o que seria o primeiro dos dois gols croatas na partida. Ao sair jogando de forma displicente, o lateral-esquerdo do Manchester City entregou de presente para Mandzukic, que bateu sem querer na bola, armando o contragolpe para Olic, retribuindo o favor logo depois. 1 a 0, a crônica de uma morte anunciada.

Seis pontos abaixo na tabela, os visitantes precisavam encontrar um jeito de reagir ou mostrar combate para buscar a igualdade. O  nervosismo acabou sendo fatal nessas ambições. Daí em diante, os axadrezados tomaram o controle das ações. Sem conceder espaços, o elenco de Igor Stimac em momento nenhum apresentou um desempenho abaixo da expectativa, se portando muito bem e aumentando a vantagem com Olic, em mais uma pane defensiva de Subotic e Nastasic. O atacante do Wolfsburg completou com o peito para marcar.

O segundo tempo marcou uma ameaça da Sérvia, que ignorou o retrospecto das duas últimas partidas e abdicou de esperar a Croácia em sua parte do campo. O panorama melhorou quando Radovanovic saiu para dar lugar a Tadic, que melhorou a criação. Lá atrás, Ignjovski ainda sofria para barrar o ímpeto dos meias croatas e também saiu. Petrovic deixou o jogo no círculo central um pouco mais eficiente, por mais que Djuricic e Djordjevic pouco colaborassem para diminuir o revés.

Rakitic e Modric tornaram a aparecer nos 45 minutos finais, com bons dribles e finalizações ao gol de Brkic, que devia mesmo estar desolado ao olhar para a sua zaga. Os beques insistiam em complicar o simples e até mesmo um domínio torto de Nastasic deu a impressão de ser um recuo, não marcado pela arbitragem.

Já que os comandados de Sinisa Mihajlovic não venceriam o duelo mesmo se quisessem ou brigassem muito, foi facilitada a tarefa dos mandantes de assegurar mais três pontos na tabela e tirar a Sérvia da briga pelas vagas na próxima Copa do Mundo. Com nove pontos de distância, é melhor mesmo para a turma de Belgrado ir trabalhando em um plano convincente para 2018.

Pelo lado croata, outra boa exibição e um futuro promissor pela frente. A tradição do futebol bem jogado não é esquecida em Zagreb e desta forma a disputa será mesmo com outra seleção interessantíssima. A Bélgica deve abrir o olho para Modric e seus companheiros, pois o perigo é real.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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