Europa

Der Meister

 Os dois gols do espanhol Nacho Rodriguez e outro do albanês Salihi, todos no primeiro tempo, decretaram a vitória do SV Ried sobre o Rapid Viena e colocaram um ponto final no campeonato austríaco. A duas rodadas do fim, o Red Bull Salzburg conquistou a Bundesliga 2008/09 com o triunfo sobre o LASK Linz por 2 a 1, com gols de Janocko e Janko – o nome da campanha.

Este é o segundo título dos Bullen em três anos, após a compra do SV Austria Salzburg (antes apenas um clube mediano) pelo conglomerado industrial austríaco de bebidas energéticas. Uma conquista que nunca pareceu ameaçada, apesar do mau início de primeiro turno, quando chegou a estar cinco pontos atrás do Rapid. Com uma metade final da primeira perna do campeonato que beirou a perfeição – oito vitórias e um empate –, o time de Co Adriaanse virou o ano quatro pontos à frente dos campeões do ano passado.

Por mais que Sturm Graz e Áustria Viena tenham ocasionalmente flertado com a primeira posição, os tropeços contra equipes mais modestas, especialmente em casa, custaram-lhe logo a briga pelo título. O Rapid, da mesma forma, perdeu pontos cruciais quando visitante, como na derrota de domingo para o Ried ou no empate recente ante o lanterna Altach. Entretanto, foi em casa que os alviverdes disseram de vez adeus ao prato da temporada, ao perderem para o Sturm na 29ª rodada.

O Red Bull, por sua vez, fez a lição de casa como ninguém: venceu 16 dos 17 jogos, perdendo um para o Kapfenberg com o time quase reserva. O gramado artificial do Wals-Siezenheim, considerado o principal trunfo do clube, foi novamente importantíssimo, mas o desempenho fora de casa foi bastante superior ao da temporada passada: 26 pontos conquistados (melhor desempenho) contra apenas 17 em 2007/08.

Outros fatores, é claro, também foram importantes. Os 39 gols de Marc Janko, que disputa ponto a ponto a chuteira de ouro da Europa com Samuel Eto’o, fazem dele o grande destaque e nome do campeonato. Mas de nada adiantariam se o Salzburg não tivesse um orçamento próximo ao de ligas muito mais desenvolvidas como a portuguesa e a holandesa, com imenso apetite por reconhecimento no continente, a ponto de gastar milhões de euros com a contratação de jogadores de certo nome como Niko Kovac e de bancar centros de treinamento cobertos para enfrentar o rigoroso inverno austríaco, enquanto todas as outras equipes estavam de férias.

Some-se a isso a falta de concorrentes à altura e o título vira obrigação. Quando o técnico do principal adversário afirma ao início do campeonato que vai brigar pela segunda colocação, como fez Peter Pacult, do Rapid, não dar a volta olímpica ao final de 38 rodadas é quase um vexame.

Tanto isto é verdade que nem mesmo a conquista estava assegurada matematicamente e Heinz Hochhauser, diretor esportivo do RB, tratou logo de anunciar que Huub Stevens seria o técnico para 2009/10, sem se importar com o que o atual técnico pensava. O objetivo da próxima temporada é chegar à fase de grupos da Uefa Champions League, e para alcançá-lo contratações de impacto devem ser feitas.

Ninguém em Salzburg esconde a admiração pelo Bayern de Munique – por isso a vinda de Kovac nesta temporada e a idéia de trazer até mesmo nomes como Zé Roberto ou Butt. Por tudo isso, é natural a tendência de que o alvirrubro do norte se torne, em pouco tempo, um campeão recorrente na Áustria, imitando o exemplo alemão. Dinheiro e vontade de aparecer não faltam.

Embolou

Na Suíça, por outro lado, o campeonato não poderia estar mais aberto. No domingo, o FC Basel venceu o Zürich por 3 a 1 fora de casa e diminuiu a vantagem dos azuis para apenas um ponto, faltando ainda duas rodadas. Foi um jogo emocionante, com grandes chances para os dois lados e sem resultado definido até os 47 do segundo tempo, quando Derdiyok marcou o terceiro e garantiu sobrevida aos atuais campeões.

Se o Basel ainda tem chances de defender o título, é exatamente por sua superioridade nos jogos decisivos. Nas quatro partidas contra o Zürich nesta temporada, venceu três e empatou uma. O problema tem sido exatamente em jogos considerados mais fáceis, já que os rivais perderam apenas mais duas vezes, enquanto o FCB acumulou reveses inesperados como contra Xamax e Aarau, além da incrível goleada para o Luzern por 5 a 1 no último jogo do ano passado.

Curiosamente, quem pode decidir o campeonato é o Grasshoppers, maior rival do Zürich que estacionou na quarta colocação. Os gafanhotos recebem o Basel no sábado e jogam o dérbi na semana seguinte, e poderiam muito bem entregar o primeiro jogo só para verem seus arquiinimigos perderem o troféu. Além da vantagem de um ponto, o Zürich tem uma tabela teoricamente mais fácil, já que pega o Bellinzona fora de casa no final de semana, enquanto o Basel decide sua sorte em casa, na última rodada, contra o Young Boys, que ainda sonha com o vice-campeonato. Certeza de emoção até a última rodada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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