Europa

Depois de oito anos na seca, o Panathinaikos volta a celebrar um título ao levar a Copa da Grécia

O Panathinaikos atravessou momentos de crise nos últimos anos e pelo menos deu um alento à sua torcida, com vitória sobre o PAOK na final

O Panathinaikos possui uma dimensão indiscutível dentro do futebol grego. O Trevo é o único clube do país a disputar uma final de Champions, em 1971, e soma 20 troféus na liga nacional. Os últimos anos foram bastante difíceis, não apenas pela distância imposta pelo rival Olympiacos na lista de maiores campeões, mas também pelos problemas financeiros e administrativos que deixaram os alviverdes à beira do abismo. Neste sábado, depois de oito temporadas de espera, o Panathinaikos teve um motivo para comemorar. O clube derrotou o PAOK por 1 a 0 e conquistou a Copa da Grécia. É o primeiro troféu dos atenienses desde 2014, no maior jejum da agremiação desde a década de 1940.

A partir da virada do século, o Panathinaikos viu a distância em relação ao Olympiacos aumentar. Os rivais tinham o mecenato de um dos homens mais ricos do país, o que não acontecia com os alviverdes. O Trevo, ainda assim, trazia jogadores de peso e tinha conquistas esporádicas. Os títulos da Super League em 2004 e 2010 foram muito representativos, com a dobradinha nacional. Além disso, de 2001 a 2015, foram nove vices no Campeonato Grego. Isso até que os atenienses fossem duramente afetados pela crise econômica no país, dentro de um clube que não tinha bases administrativas tão firmes.

A partir de 2017/18, o Panathinaikos não chegou mais sequer ao pódio do Campeonato Grego. Quebrou o Fair Play Financeiro da Uefa, foi excluído das competições internacionais e teve dificuldades para honrar seus compromissos. As dificuldades financeiras se combinavam à queda do rendimento esportivo e o Trevo se tornou um figurante no meio da tabela do Campeonato Grego. Para agravar a crise, também havia conflitos entre a diretoria e a torcida. Os problemas eram claros e a recuperação ainda não é plena. Nas últimas três temporadas, a equipe até voltou a figurar no primeiro pelotão da Super League, mas perdeu terreno para concorrentes como PAOK, AEK Atenas e Aris – os dois últimos, reconstruídos após bancarrota.

Na atual temporada do Campeonato Grego, o Panathinaikos ficou na quarta colocação, um desempenho razoável no contexto recente, mas bem aquém da história do clube. Por isso mesmo a Copa da Grécia surge como um alento, longe do museu do clube desde 2014. Durante a campanha, o Trevo escapou dos principais concorrentes, até se encontrar na decisão com o PAOK – um adversário de maior investimento recente e melhor estrutura. Apesar disso, a equipe dirigida por Ivan Jovanovic garantiu a vitória por 1 a 0.

Aitor Cantalapiedra marcou o gol decisivo aos 34 do primeiro tempo, num pênalti claro assinalado pelo árbitro Mateu Lahoz. O PAOK pressionou bastante o Panathinaikos na sequência da partida, com as melhores oportunidades, mesmo que os alviverdes também tivesse algumas chances de ampliar. De qualquer maneira, a diferença mínima bastou, para festa de grande parte dos 43 mil presentes no Estádio Olímpico de Atenas. Depois de oito anos, o grito de campeão voltava à garganta dos atenienses.

A nota triste fica apenas para os conflitos entre as torcidas, que se repetem irremediavelmente na Grécia. Os embates geraram um atraso no pontapé inicial de meia hora. O primeiro tempo ainda seria paralisado durante 35 minutos, por conta de rojões atirados por torcedores do PAOK contra os jogadores do Panathinaikos. Pelo menos 17 pessoas foram presas, acusadas de agressões e vandalismo. As investigações seguem em frente.

A conquista ainda garante a volta do Panathinaikos às competições continentais após cinco anos, com a vaga na Conference League. A competição é importante pelo prestígio e também pelo dinheiro das premiações. A boa campanha recente do PAOK serve de motivação. A caminhada para o Trevo ainda é longa, especialmente considerando a estabilidade desfrutada pelo Olympiacos. Mesmo assim, este já é um primeiro passo importante.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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