Europa

De cabeça para baixo

Um tinha em mente a repetição da boa campanha da edição anterior da Uefa Champions League. O outro, sonhava em repetir alguma das heróicas campanhas que caracterizam a sua história na principal competição européia. O terceiro tinha em mente passar o mínimo de vergonha na fase de grupos, e sair da competição sem macular uma campanha histórica.

Fenerbahçe, Panathinaikos e Anorthosis Famagusta tinham metas bem distintas para esta Champions League. E, naquele otimismo típico de um começo de temporada, acreditavam piamente que poderiam alcançar estes seus objetivos, e poderiam inclusive sonhar com vôos mais altos.

Passadas três rodadas da competição européia, apenas um supera as expectativas iniciais. Os dois primeiros, que falavam grosso no começo da temporada, com intenções de realizar boas aparições na competição européia, decepcionam. O único que consegue honrar a região é o pequeno Anorthosis.

Com quatro pontos, as Velhas Senhoras (apelido do time cipriota) são as vice-líderes do Grupo B, ainda tendo dois jogos em casa. Está certo que são os dois jogos, teoricamente, mais difíceis da chave, enfrentando o campeão italiano (Internazionale) e o vice-campeão alemão (Werder Bremen). Mas o bom resultado alcançado contra o Panathinaikos -a vitória por 3 a 1 no GSP de Nicósia, na 2ª rodada- encheu de orgulho e esperança os torcedores dos campeões cipriotas.

Além disso, o Anorthosis conquistou um ótimo resultado contra o Werder em Bremen (um empate sem gols), e fechou a primeira perna da fase de grupos sem passar vergonha contra os campeões italianos -perdendo pela contagem mínima para a Internazionale em Milão. Nas próximas duas rodadas, o Anorthosis terá o desafio de enfrentar as duas maiores potências do grupo em casa. E, se conseguir somar pontos em casa -principalmente contra os alemães-, o sonho de conseguir uma improvável vaga na segunda fase da Champions estará muito próximo de acontecer.

Mas a meta inicial dos cipriotas na Champions League foi alcançada há muito tempo. Isso aconteceu há pelo menos dois meses, quando eliminou o Austria Wien pela segunda fase eliminatória da competição européia. O que veio depois -e não foi pouco- apenas serviu para deixar a já feliz e orgulhosa torcida azul não se contendo de alegria.

Já entre os torcedores das outras equipes da região há um grande sentimento de preocupação. Tanto os fãs do Fenerbahçe quanto os do Panathinaikos não tem muito do que se orgulhar nesta primeira perna da fase de grupos da Champions. E as metas iniciais da competição européia estão longe de serem alcançadas.

O Fenerbahçe tinha uma ótima campanha anterior na Champions para defender. Para tentar repetir –e até melhorar- a histórica chegada à fase de quartas-de-final da principal competição européia, o Fener investiu bastante, e trouxe nomes de peso no cenário europeu, como o do técnico campeão da Euro 2008, Luís Aragonez.

No momento em que houve o sorteio dos grupos, houveram aqueles que se entusiasmaram com o grupo em que os Canários foram sorteados –o G, com Arsenal-ING, Porto-POR e Dynamo Kyiv-UCR. Não que fosse um grupo sem nenhuma qualidade, mas pelo menos parecia ser um grupo do mesmo nível de Internazionale-ITA, PSV Eindhoven-HOL e CSKA Moscou-RUS.

O problema é que o elenco do Fenerbahçe ainda não se entrosou –um fator que complicou a vida de Zico em primeiro ano de trabalho em Istambul. Além disso, algumas contusões também tem atrapalhado o caminho de Aragonez e sua turma. Pela soma destes dois fatores, os representantes turcos não conseguem repetir a bela campanha realizada na temporada passada, e, ao que parece, não conseguirão ir muito longe nesta edição da UCL.

Com três partidas já disputadas, sendo que duas em Istambul, o Fener soma apenas 1 ponto –conseguido às duras penas contra os ucranianos num empate sem gols. Além disso, a apresentação desta terça feira, quando foi derrotado pelo Arsenal em Istambul, foi muito abaixo das expectativas, deiaxndo, num momento raro, o caldeirão do Sukru Saraçoglu em silêncio. Agora, os Canários estão em situação difícil, já que podem ser desclassificados já na próxima rodada, caso sejam derrotados novamente pelo Arsenal e o Dynamo Kyiv supere o Porto em casa.

O Panathinaikos é outro que está decepcionando. O verão para os verdes havia sido extremamente promissor. Começou com a a classificação para a Champions League após vencer o Playoff classificatório da Super League, superando os rivais atenienses, o AEK, e voltando à competição européia depois de duas temporadas. Depois, veio a mudança de comando do time, agora com investidores mais arrojados, os mesmos que fizeram do time de basquete do PAO uma das grandes potências da Europa. E, por fim, os verdes ainda viram os seus rivais eternos serem derrotados pelo pequeno Anorthosis Famagusta. E, sem o Olympiacos na disputa, o Panathinaikos se tornavam os únicos representantes gregos na principais comeptições européias. Tinha tudo para ser uma temporada inesquecível para os Trifilis.

Porém, no mesmo Grupo B do Anorthosis, o Panathinaikos sofre com os maus resultados colhidos nesta primeira perna da fase de grupos. E uma temporada que prometia ser de sonhos para os verdes, tem se mostrado um verdadeiro pesadelo. Tudo bem que a primeira partida -contra a Internazionale, em casa-, era aceitavel a perda de pontos, como acabou por acontecer na derrota por 2 a 0.

Porém, contra um time menor -como é o Anorthosis- e, em casa, contra um provável adversário à uma segunda vaga -Werder Bremen-, a expectativa era de que o Panathinaikos derrotasse pelo menos um destes dois adversários. Porém, os Trifilis não foram capazes de vencer nenhum dos dois jogos, perdendo em Lanarca e empatando o jogo em casa contra os alemães. Mas apesar de serem resultados que comprometem a meta verde de lutar pela classificação para a fase seguinte da Champions, ainda existem esperanças -afinal o vice-líder da chave é o Anorthosis, com quatro pontos. Mas para que isso aconteça, os verdes terão que começar com uma vitória contra o Werder em Bremen.

Sinal amarelo

Uma derrota para a Suíça, um empate com a Estônia e um contra a Geórgia acenderam um sinal amarelo nas campanhas de Grécia, Turquia e Chipre nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Cada selecionado com sua ambição, o fato é que as seleções da região esperavam resultados um pouco melhores do que os alcançados nesta rodada. Ainda não é nada que comprometa a campanha destes selecionados, mas é um sinal de alerta necessário para que as campanhas não entrem em parafuso no ano que vem, quando se definem as vagas para a Copa do Mundo da África do Sul.

Para o Navio Pirata, a derrota para o selecionado suíço ainda não custou aos gregos a liderança no Grupo 2 das Eliminatórias européias. Porém, uma derrota em casa nunca é esperada, ainda mais num momento em que se tinha uma campanha de aproveitamento total de pontos, sem tomar um mísero gol. Apesar dos helvéticos terem sido os rivais mais fortes enfrentados pelos gregos em toda a campanha, o selecionado comandado por Ottmar Hitsfeld não vinha jogando bem e havia sido derrotada por Luxemburgo. Porém, a vitória suíça faz os helvéticos voltarem à briga, reabrindo uma campanha que parecia tranquila para os gregos. Agora, os suíços somam sete pontos -a um de Israel e a dois da própria Grécia. Os gregos, na próxima rodada, terão os dois jogos contra Israel, nos dias 28/03 e 1º/04 próximos.

Já para a Milli Takim, o empate contra a Estônia complica a briga pela segunda vaga no Grupo 5. Neste grupo, a liderança e a vaga direta para a Copa do Mundo parecem definidas para a Espanha, que tem 12 pontos em quatro jogos. Porém, a briga pela segunda vaga fica aberta no momento em que os turcos perdem pontos para a uma seleção advinda do pote 6 -os que tem as seleções mais fracas segundo o Ranking da Uefa. Agora, a Milli Takim tem a companhia de Bélgica e Bósnia Herzegovina na briga pela segunda vaga. Os turcos tem mais qualidade do que os seus adversários. Mas a capacidade de se complicar dos comandados por Fatih Terim parece se sobrepor nos momentos de decisão. Os próximos jogos erão complicados para os turcos, que terão as partidas de ida e de volta contra a Espanha nos dias 28/04 e 1º/05 próximos.

Para o Chipre, o sonho parecia ser distante, mas passou a ser palpável no momento em que viam a República da Irlanda como a principal adversária a uma 2ª vaga no grupo 8. A mesma Irlanda que não havia conseguido derrotar os cipriotas nos dois confrontos válidos pelas Eliminatórias para a Euro 2008, e ainda tinha tomado uma sova de 5 a 2 em Nicósia. E, depois do encontro com a favorita da chave, a Itália, quando os cipriotas complicaram a vida da Azzurra em Nicosia, tomou forma o sonho de ver uma seleção nacional se classificando à fase de repescagem para a Copa.

Porém, a derrota para o Eire e, principalmente, o empate contra a Geórgia, ajudou a colocar os cipriotas com os pés mais no chão. Agora, os comandados de Angelos Anastasiadis somam apenas um ponto em três partidas, estando na lanterna do grupo. Tá certo que terão apenas jogos considerados mais fáceis nesta primeira fase, contra Bulgária e Montenegro. Mas o empate contra os georgianos compromete qualquer sonho que os cipriotas poderiam acalentar para uma possível classificação para a próxima fase.

Os cipriotas terão dois jogos chaves, que praticamente definem o que eles querem da vida nestas Eliminatórias. No dia 28/4 eles enfrentarão novamente a Geórgia, agora em casa, e no dia 1º/04, os cipriotas viajarão a Sofia para enfrentar a Bulgária. Se conseguirem um aproveitamento positivo (pelo menos 4 pontos), ainda podem sonhar com uma vaga na repescagem. Se não, voltam a se contentar em atrapalhar os seus adversários.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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