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Como seriam as copas europeias se o formato fosse o mesmo de antes da Champions League?

Por Emmanuel do Valle

A atual temporada das copas europeias de clubes já está em pleno andamento, com os torneios quase chegando às respectivas fases de grupos. Cresce a expectativa para ver – especialmente na Liga dos Campeões – os confrontos entre as principais forças do continente: Barcelona, Real Madrid, Juventus, Bayern de Munique, Arsenal, Chelsea, Manchester United…

Mas, e se as competições seguissem o modelo que perdurou dos anos 60 até meados dos anos 90? Será que todos esses clubes disputariam as mesmas taças? Como ficaria a distribuição das potências entre a Copa dos Campeões, Recopa e Copa da Uefa, como era feito antigamente? É o que procuramos responder aqui, tomando como base o ranking de clubes por país da Uefa.

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Copa dos Campeões

A principal competição de clubes do Velho Continente (costumeiramente indicada pela Uefa como C1) teria, como o próprio nome indica, apenas os campeões nacionais dos 53 países filiados à entidade. A exceção fica por conta de Liechtenstein, que não conta com uma liga nacional, e cujos clubes disputam as várias divisões do Campeonato Suíço. No minúsculo principado, apenas a copa nacional é disputada anualmente – e seu vencedor jogaria a Recopa.

Na projeção, o torneio – todo disputado em mata-mata – teria início com uma fase preliminar reunindo 42 clubes em 21 duelos eliminatórios. Outros 11 entrariam apenas na primeira fase. Pelo ranking da Uefa, estes 11 seriam Barcelona, Chelsea, Bayern de Munique, Juventus, Benfica, Paris Saint Germain, Zenit, Dinamo Kiev, PSV, Gent e Basel. Assim, gente graúda como Galatasaray, Olympiakos e Celtic, além de clubes tradicionais de países fortes como o Steaua Bucareste, o Partizan Belgrado e o Malmö, teria de entrar em campo mais cedo.

Vale lembrar que na maior parte de sua história antes do atual formato, a competição não utilizava o sistema de cabeças de chave a partir da primeira fase. Desta forma, seria bem possível um eventual confronto entre, por exemplo, Barcelona e Chelsea logo de cara no mata-mata. Ao longo das décadas, não foram poucos os confrontos entre pesos pesados do futebol europeu nas fases iniciais do torneio.

Outro dado que vale a pena ser lembrado é que, mesmo se um time vencer a Copa dos Campeões e a liga nacional na mesma temporada, o vice-campeão deste país não terá direito a vaga na principal competição continental. Traduzindo: o fato de o Barcelona ser o atual campeão das duas competições não dá direito ao Real Madrid, segundo colocado no Espanhol, a pleitear uma vaga. Os merengues teriam que se contentar com a Copa da Uefa.

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Recopa

Extinta em 1999, a “Copa dos Vencedores de Copas” era considerada a segunda competição da Uefa (ou C2), ainda que, para o público, fosse tida como a menos qualificada tecnicamente. Admitia, como o nome extenso já indica, os campeões das copas nacionais – ou vices, em caso de dobradinhas – mesmo que estes disputassem divisões inferiores das ligas. Na atual temporada seria disputada por 54 clubes, um de cada país filiado à entidade europeia, incluindo Liechtenstein (representado agora pelo Vaduz).

Com um participante a mais que a Copa dos Campeões, a fase preliminar da Recopa teria 44 clubes divididos em 22 confrontos, enquanto outros dez entrariam apenas na primeira fase. Pelo ranking da Uefa, estes dez seriam Athletic Bilbao, Arsenal, Wolfsburg, Lazio, Sporting Lisboa, Auxerre (atualmente na Segundona francesa), Lokomotiv Moscou, Shakhtar Donetsk, Groningen e Club Brugge.

Poucos nomes de impacto figurariam na fase preliminar, mas mesmo assim marcariam presença alguns ex-finalistas de copas europeias (Austria Viena, IFK Gotemburgo, Ferencvaros) e até um ex-campeão da própria Recopa, o Dinamo Tbilisi, da Geórgia, vencedor do torneio em 1981 quando ainda fazia parte da União Soviética.

Apesar de os nomes não encherem tanto os olhos, o título do torneio teria um atrativo a mais: era o campeão da Recopa – e não o da Copa da Uefa/Liga Europa – o adversário do vencedor da Copa dos Campeões na Supercopa Europeia.

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Copa da Uefa

Atualmente denominada Liga Europa, a competição “peso três” da Uefa (ou C3) surgiu como a “Copa das Cidades das Feiras”, reunindo, sem qualquer critério técnico, equipes (clubes ou até combinados ou “seleções” locais) das cidades europeias as quais sediavam feiras comerciais. Pouco antes de rebatizada com o nome pelo qual ficou mais conhecida, a competição foi reformulada, passando a ser disputada pelos segundos, terceiros e até quartos colocados das ligas do continente.

O inchaço no número de filiados da Uefa – eram em torno de 30 durante boa parte dos anos 70 e 80, contra os atuais 54 -, originado principalmente do desmantelamento da URSS e da Iugoslávia, obrigou-nos a repensar a fórmula de disputa e a distribuição de vagas. Aqui, tivemos que usar um pouco mais a imaginação para definir os participantes, já que cada país é representado por um número de clubes proporcional à sua força mensurada pelo ranking.

Deste modo, alocamos quatro vagas para os quatro mais fortes (Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália), três vagas para as quatro forças subsequentes (Portugal, França, Rússia e Ucrânia), duas para 23 forças intermediárias (da Holanda à Hungria, passando por Turquia, Escócia e Azerbaijão) e uma para os demais 22 países (excluindo, mais uma vez, Liechtenstein).

Ao todo seriam 96 clubes, com 64 disputando uma fase preliminar em mata-mata. Os 32 classificados se juntariam aos outros 32 pré-selecionados em uma nova fase com 64 clubes, seguida por outras etapas, sempre em jogos eliminatórios. Há várias maneiras possíveis de se escolher os cabeças de chave, portanto preferimos não indicar nenhuma em especial.

O que é possível prever é que se trataria de um torneio fortíssimo, a se julgar pelos participantes. A lista incluiria Real Madrid, Atlético de Madrid, Valencia, Sevilla, Manchester City, Manchester United, Liverpool, Tottenham, Borussia Mönchengladbach, Bayer Leverkusen, Augsburg, Schalke 04, Roma, Napoli, Fiorentina e Genoa, só para ficar nos quatro principais países.

Além destes, outras potências a desfilar pela competição seriam, por exemplo, Porto, Lyon, Monaco, Olympique de Marselha, CSKA Moscou, Ajax, Anderlecht, Fenerbahce e Besiktas. Caras conhecidas como Braga, AZ, Standard Liège, Rosenborg, Aberdeen, Panathinaikos, Sparta Praga, Rapid Viena, Slovan Bratislava e Estrela Vermelha também estariam incluídas.

Diante deste cenário, as probabilidades de confrontos épicos seriam infinitas. Porém, além de Milan e Internazionale – que sequer chegaram perto de uma classificação no “mundo real” – uma ausência em especial se faz notar: o Borussia Dortmund, sétimo colocado na última Bundesliga, não conseguiria vaga em nenhuma das competições europeias.

Veja quais seriam os times classificados para cada competição das copas europeias no formato antigo, adaptado para os dias atuais:

Copas Europeias

* Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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