Europa

Com abordagem menos restritiva, Suécia planeja volta do futebol, com torcida e tudo, em 14 de junho

O mundo ainda vive tantas incertezas que é difícil imaginar que um evento como futebol, que é um esporte de contato e reúne milhares de pessoas em um estádio, seja possível de novo a curto prazo. Só que na Suécia, o planejamento já tem uma data para o futebol voltar com tudo que tem direito, ou seja, com torcida e tudo: 14 de junho. E a ideia teve respaldo médico, de acordo com projeções feitas pelo governo.

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A Suécia é um caso incomum neste mundo sob a pandemia do coronavírus. A abordagem é menos restritiva, permitindo escolas, restaurante se até lojas abertos e o primeiro ministro do país, Stefan Lövfen, pedindo que as pessoas “ajam como adultos”.

Com 18.177 casos e 2.192 mortes até agora, a Suécia teve um pico de mortes na última terça, 21, com 185 óbitos confirmados pela COVID-19. Anders Wallensten, médico e epidemiologista que atua no governo do país, afirmou que o número tem a ver com o atraso de notificações no fim de semana.

O país teve apenas 29 mortes no domingo e outras 40 na segunda. Na quarta, 22, o número ainda se manteve alto, 172 mortes. Na quinta, 23, caiu para 84 e o dado de sexta-feira, 24, foi de 131 mortes. O número de novos casos ainda é alto no país. No dia 20, o número foi de 392 novos casos, mas aumentou ao longo da semana e no dia 24 foram 812, o maior desde o início da pandemia.

Estocolmo é o foco dos casos da COVID-19 no país, mas Wallensten disse que o pico aconteceu no dia 15 de abril, mesmo que ainda não tenha sido constatada uma queda nos dados de infectados e mortos. “Um pouco mais de uma semana atrás, o pico foi atingido, ao menos de acordo com este modelo, e nós podemos esperar menos casos por dia”, disse, na última terça, o epidemiologista.

A temporada de futebol na Suécia começaria em abril, mas foi adiada pela situação de emergência que o mundo entrou. Na terça, porém, as duas principais ligas do país, Allsvenskan, a primeira divisão, e Superettan, a segunda, anunciaram que acertaram uma data de retorno aos jogos em 14 de junho.

“Desde que as ligas foram adiadas, o objetivo era jogar os primeiros jogos no começo de junho. Agora nós podemos dizer que a data que estamos trabalhando é 14 de junho”, diz comunicado no site da liga. “A ambição ainda é jogar todas as partidas com torcedores nos estádios, mas a elite do futebol sueco está acompanhando os desenvolvimentos do coronavírus o tempo todo na sociedade como um todo e possíveis novas orientações das autoridades”.

Diversos clubes no país já treinam normalmente. Inclusive o Hammarby, onde Zlatan Ibrahimovic tem treinado para manter a forma. Ele tem vínculo com o Milan até o dia 30 de junho, mas ainda não se sabe como a temporada terminará, nem se terminará na Itália. A escolha do clube para treinar não é aleatória: Ibra comprou 23,5% das ações do clube sueco em 2019, o que gerou inclusive reações violentas contra a sua estátua em Malmö – afinal, ele se tornou acionista de um clube rival.

O modelo sueco de enfrentamento do vírus tem sido bastante diferente do resto do mundo, ao menos em termos de políticas públicas, como dissemos acima. Embora não haja o chamado “lockdown” e muitos estabelecimentos tenham permanecido abertos, a população, em sua maioria, decidiu seguir as regras de distanciamento social orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo os dados do próprio governo sueco, o uso de transporte público caiu significativamente, muitas pessoas estão trabalhando de casa e a maioria evitou viajar na Páscoa – algo que também é tradicional por lá. O governo, porém, tem algumas restrições: não permite aglomerações de mais de 50 pessoas e proibiu visitas a lares de idosos. `

Uma pesquisa mostrou que nove em cada 10 suecos dizem manter distância de ao menos um metro das outras pessoas ao menos uma parte do tempo. Isso significa um aumento em relação a dados de um mês atrás, quando sete em cada dez dizia fazer isso. Os dados são da empresa de pesquisa Novus.

A curva de casos em Estocolmo parece ter se estabilizado e o aumento do número de casos, segundo o governo sueco, se deve a um aumento de testes realizados. A cidade ainda tem vagas em Unidades de Tratamento Intensivo, aos UTIs, e há um hospital de campanha construído que ainda não foi usado.

“Em grande parte, nós fomos capazes de atingir o que nós planejamos atingir. O sistema de saúde sueco continua funcionando, basicamente com muito estresse, mas não de uma forma que tenha que recusar pacientes”, afirmou o epidemiologista-chefe do governo, Anders Tegnell, à BBC.

Outros países escandinavos tomaram caminho bastante diferente. Tanto Noruega quanto Dinamarca fizeram lockdowns logo quando tiveram seu primeiro caso, o que fez com que o número de novas mortes não subisse tanto e não tenha passado de 10 por semana na Noruega e tenha passado pouco de 10 na Dinamarca. Na Suécia, o número de mortes passa de 100.

A Suécia está entre os 20 países com mais casos no mundo, mas só vinha testando os casos graves, como o Brasil tem feito também. Na última semana, porém, o país tem adotado uma testagem maior da população, de modo a entender como o vírus tem se espalhado.

Ainda é cedo para saber se a estratégia sueca de manter uma abertura parcial das atividades será positiva no longo prazo. O que sabemos é que isso despertou confiança nos dirigentes para que o futebol possa voltar, e voltar com público. Nos resta esperar até o dia 14 de junho para saber se a Suécia terá mesmo bola rolando.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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