Europa

Com 50 mil habitantes, Ilhas Faroe conseguem façanha e disputarão o Europeu Sub-17

A classificação da Islândia à Euro 2016 já foi um feito e tanto. O país de 332 mil habitantes conquistou uma façanha que se desenhava desde as Eliminatórias da Copa e não se contentou em ser mero figurante na França, com a ótima campanha até as quartas de final. Ao que parece, a epopeia dos islandeses serviu de inspiração a poucos quilômetros ao sul. Nesta quinta, as Ilhas Faroe confirmaram presença no Campeonato Europeu Sub-17, que será disputado em maio, na Croácia. Pode parecer pouco, mas será a primeira participação do arquipélago de 50 mil habitantes em uma competição continental. Verdadeira façanha para a quarta nação menos populosa da Uefa – à frente apenas de Liechtenstein, San Marino e Gibraltar. Destes, apenas Liechtenstein disputou torneios de base da Uefa, mas ambas as vezes como país-sede.

As Ilhas Faroe começaram a aprontar das suas ainda na primeira fase das eliminatórias. Venceram a República Tcheca e, mesmo com o empate contra Luxemburgo, avançaram à segunda etapa. Nesta fase, superaram Eslováquia e Chipre. A vaga no Europeu Sub-17 foi confirmada com o triunfo por 2 a 1 sobre os eslovacos, que garantiu a segunda posição no grupo liderado pela Irlanda. O torneio é disputado por 16 seleções desde 2015, o que aumentou a oportunidade a países de menor relevância. Os cinco primeiros colocados ainda terão a chance de figurar no Mundial Sub-17, que acontecerá em outubro, na Índia.

No nível principal, as Ilhas Faroe têm melhorado os seus resultados e no sorteio das Eliminatórias para a Copa de 2018 entrou até mesmo no Pote 4 – fruto da escalada no Ranking da Fifa, impulsionada pelas duas vitórias sobre a Grécia de Claudio Ranieri no qualificatório da Euro 2016. E, ao menos contra os mais fracos, os faroenses costumam cumprir sua parte: já somam quatro pontos no Grupo B, vencendo a Letônia e empatando com a Hungria. Deverão somar mais uma vitória neste sábado, quando encaram Andorra. Não vão competir com Suíça e Portugal pelas primeiras posições, mas farão um papel digno.

Agora, o sucesso no sub-17 faz as Ilhas Faroe olharem para frente. Demonstram que mesmo em um país tão diminuto é possível colher os investimentos nas categorias de base. Em uma faixa etária que não deve contar com mais do que algumas centenas de jovens disponíveis no arquipélago, conseguiram competir e superar nações bem mais populosas, bem mais estruturadas. No caso da Islândia, a boa geração que chegou às finais do Europeu Sub-21 de 2009 germinou rumo à Eurocopa. Aos faroenses, mais algumas vitórias contra seleções tarimbadas já garantiriam o orgulho dos nanicos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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