Europa

Clubes europeus devem perder € 7 bilhões em receitas durante a pandemia – e ainda assim conseguiram aumentar as folhas salariais

De acordo com relatório da Uefa, houve uma queda de arrecadação de € 4,4 bilhões apenas na última temporada, 2020/21, em grande parte por causa dos portões fechados

Os clubes das primeiras divisões das 54 ligas europeias devem perder € 7 bilhões em receitas durante a pandemia e ainda assim conseguiram aumentar o salário dos jogadores em 2% nesse mesmo período, segundo um relatório da Uefa publicado nesta quinta-feira.

As perdas de receitas foram em grande parte por causa dos jogos disputados com portões fechados, e a última temporada, 2020/21, inteira afetada pela pandemia, gerou uma queda de € 4,4 bilhões em arrecadação, de acordo com o relatório.

A influência dos portões fechados fica clara porque houve uma queda de 88% nas receitas de bilheteria na temporada 2020/21 e elas contribuíram para apenas 2% da arrecadação dos clubes europeus, de 16% antes da pandemia.

Nem tudo foi um desastre, porém, segundo o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, que afirmou que as receitas de televisão voltaram a ficar fortes em 2021, após as discussões que levaram emissoras a pedir dinheiro de volta quando houve a primeira paralisação por causa da pandemia.

Os prêmios da Uefa aos 96 clubes envolvidos na fase de grupos de suas três competições crescerão 11%, para mais de € 2,7 bilhões, segundo Ceferin, que também comemorou um aumento nas receitas de patrocínio. Empresas de aposta foram as mais presentes nas camisetas dos clubes de futebol analisados, com 19% do mercado, seguidas por serviços financeiros (14%) e varejo (10%).

Em termos de ano financeiro, pela primeira vez foi registrada uma queda de receitas, de € 23 bilhões em 2019 para € 20,6 bilhões em 2020 – apenas alguns clubes forneceram à Uefa dados preliminares de suas contas em 2021.

Nas cinco principais ligas, as receitas de bilheteria caíram 93%. A líder foi a Premier League, que praticamente não teve dinheiro entrando com os ingressos dos jogos – queda de 98%. Esse número ficou em 94% na Serie A, 92% em La Liga, 90% na Ligue 1 e 87% na Bundesliga.

E ainda assim, segundo o relatório, metade dos 20 clubes com mais receitas da Europa aumentaram a sua folha salarial no ano financeiro de 2020, e na Premier League esse crescimento foi de 4% em média. No total, os salários e as comissões de empresários representaram 91% das receitas, e os clubes tiveram que contrair € 750 milhões em novas dívidas.

O diretor de sustentabilidade financeira e pesquisa da Uefa, Andrea Traverso, afirma que, com a queda de receitas, incluindo 40% em vendas de jogadores, muitos clubes preferiram renovar e estender contrato dos seus ativos a perdê-los por um valor muito baixo, ou até mesmo de graça, sem um mercado aquecido para substituí-los, o que ajudou a elevar os salários no geral.

“O relatório demonstra claramente a necessidade de mudança nas finanças dos clubes de futebol. Com os clubes precisando depender de dívida com terceiros para satisfazer 42% das suas necessidades de fluxo de caixa durante a pandemia, há apenas duas coisas que podemos fazer para proteger o futebol e nos prepararmos para futuros choques”, afirmou Traverso.

“A primeira são medidas significativas de melhor controle, especialmente em relação a salários e transferências, e uma ênfase maior em investimentos de longo prazo em infraestrutura e desenvolvimento de jovens. Embora alguns clubes e ligas tenham conseguido se reestruturar, muitos outros continuaram gastando”.

“Diante de condições difíceis no mercado de transferências e com jogadores avançando em seus contratos, os clubes das principais 20 ligas em receitas tiveram que escolher entre limitar novos acordos, mesmo se isso significasse colocar jogadores avaliados em seus balanços em € 13 bilhões em risco, ou proteger esses ativos estendendo os contratos dos jogadores”.

“Isso explica como os salários continuaram a crescer durante a pandemia, apesar de perdas de € 7 bilhões, forçando os donos a injetar mais bilhões de seu próprio dinheiro ou pedir bilhões emprestados, aumentando as dívidas”.

“A segunda maneira de proteger o futebol de futuros choques é reconstruir o amortecedor de igualdade que foi tão crucial nos últimos 21 meses. O dinheiro é rei em qualquer crise, e as reservas da última década foram uma importante primeira linha de defesa contra as quedas de receitas. Um balanço forte também é importante para atrair novos investimentos de donos”, completou.

Os números da temporada 2020/21 foram baseados nas contas de 95 clubes que apresentaram dados preliminares e o fim adiado da temporada 2019/20 empurrou algumas receitas para períodos seguintes.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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