Europa

Clube curdo joga para torcedores falsos em protesto contra repressão política

Quem olhasse para as arquibancadas do Amedspor, nas quartas de final da Copa da Turquia contra o Fenerbahçe, não veria um único torcedor, resultado de uma punição da Federação Turca. Ao invés disso, um bandeirão com torcida falsa foi estendido, também em protesto à suspensão de 12 partidas que Deniz Naki sofreu por ter publicado em seu Facebook uma mensagem de apoio aos curdos que enfrentam as forças de segurança turcas no sudeste do país.

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O clube da terceira divisão da Turquia chamava-se Diyarbakir Belediye Spor, em referência a Diyarbakir, no sudeste turco, um dos epicentros do conflito, mas passou a se chamar Amedspor para resgatar o nome curdo da sua cidade. Não ajudou a ganhar a simpatia entre as autoridades do país, mas se tornou cada vez mais uma representação do seu povo. “Às vezes nos comparam ao Barcelona, nos chamam de ‘o Barça curdo’. Nós gostamos. Quem não gostaria de ser o Barcelona?”, disse o vice-presidente Nurullah Edeman à Agência Efe.

Durante a vitória contra o Bursaspor, pelas oitavas de final da Copa da Turquia, os torcedores do time da casa gritaram palavras nacionalistas e entraram em confronto com a torcida do Amedspor. Resultado: a Federação Turca puniu apenas o clube curdo, que teve que enfrentar o Fenerbahçe, pelas quartas, com os portões fechados. Os reuniram-se no lado de fora do estádio e enfrentaram os canhões de água e as bombas de gás da polícia turca, segundo a imprensa local.

Naki, por sua vez, foi punido “propaganda ideológica” depois de defender o fim do conflito em uma entrevista ao jornal Evrensel e por ter publicado a seguinte mensagem no seu Facebook depois da vitória sobre o Bursaspor:

“Dedicamos essa vitória como um prêmio para os que perderam suas vidas e foram feridos na repressão da nossa terra, que dura mais de 50 dias. Nós do Amedspor não baixamos nossas cabeças e não vamos fazer isso. Fomos ao campo com a nossa crença na liberdade e vencemos”.

Antes do empate por 3 a 3 contra o Fenerbahçe, o Amedspor fez outros protestos. Carregou uma faixa que dizia “Crianças não deveriam morrer, deveriam brincar” e passou um minuto tocando a bola de lado, ao melhor estilo bom senso, depois que o árbitro apitou o início da partida.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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