Champions League

Real Madrid não se encontra na defesa, e Legia sai de 0 x 2 para arrancar um heróico empate

Estádio vazio, por punição da Uefa à torcida da casa, e, em campo, os dois times entre os mais díspares em termos financeiros e técnicos. Quando o relógio completou um minuto, Gareth Bale já comemorava seu golaço que eliminou aquela dificuldade que o favorito costuma ter para abrir o placar contra um adversário fechado. Benzema ainda fez 2 a 0 para o Real Madrid. Tudo caminhava para mais um burocrático e modorrento jogo desigual de fase de grupos de Champions League, mas a fragilidade defensiva do time de Zidane transformou a tarde de seis graus celsius na fria Varsóvia em um movimentado empate por 3 a 3.

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Sabor de vitória para o Legia Varsóvia, um dos times de menor orçamento da Champions, que não vence um jogo de fase de grupos da competição desde 1995. Independente dos erros do Real Madrid, os jogadores tiveram muitos méritos para aproveitar os espaços cedidos pelo adversário para construir três gols, dois deles muito bonitos. Pena que a torcida não estava no estádio para assistir a essa partida, punida pelos incidentes no primeiro jogo em casa, contra o Borussia Dortmund.

havia acontecido algo parecido na rodada passada da competição continental, mas, naquela ocasião, no Santiago Bernabéu, o Real Madrid não deu sopa ao azar e ganhou por 5 a 1. Desta vez, parecia ter matado o jogo, aos 35 minutos do segundo tempo, quando Benzema foi às redes, apenas para ver o Legia Varsóvia diminuir antes do intervalo. Os poloneses empataram, aos 13 da etapa final, e viraram a sete minutos do fim. Kovacic impediu que o vexame merengue fosse ainda maior.

Kovacic, aliás, fez um jogo muito bom no ataque e ruim na defesa, símbolo do desequilíbrio do Real Madrid. Desde que Casemiro machucou-se, o time levou pelo menos um gol em todos os dez jogos disputados. Zidane não tem sido capaz de suprir a ausência do brasileiro, o único meia do elenco que se destaca por desarmar o adversário e um ponto de equilíbrio no time do francês desde o começo do ano.

Isso, porém, não é desculpa. Primeiro, porque se fosse essencial haver outro jogador com essa característica, não falta dinheiro para Zidane buscá-lo no mercado – e apenas Morata e Asensio foram integrados ao elenco na última janela. Segundo, porque, quando o time é bem posicionado, intenso e compacto na defesa, não é necessário um especialista em roubar bolas. O Real Madrid poucas vezes tem sido, e o técnico já teve dez jogos sem Casemiro para buscar uma solução – ou, pelo menos, minimizar o problema – e ainda não conseguiu.

O desafio é interessante para Zidane mostrar trabalho. Foi campeão europeu com todos os méritos, ao herdar o time de Rafa Benítez. Melhorou o ambiente, armou boas jogadas de bola parada, fez jogadores cresceram de desempenho, deu moral a Casemiro e Lucas Vázquez e acertou nas estratégias para as partidas. No entanto, ainda não dá para saber o quão bom técnico ele é. A dificuldade para equilibrar o meio-campo sem o volante brasileiro é um mau sinal.

Depois de Bale abrir o placar com um golaço de fora da área, e Benzema ampliar em linda bola enfiada por Kovacic para o galês, os jogadores do Legia Varsóvia tiveram uma liberdade assustadora na cabeça de área. Odjidia recebeu sem marcação. Morata não apertou, Kovacic tentou desarmá-lo no susto e, é verdade, o belga acertou um belo chute no ângulo de Navas, enquanto a última linha defensiva assistia ao lance de camarote.

O segundo gol do Legia não foi muito diferente. Radovic recebeu entre as linhas do Real Madrid. Bale e Kovacic não fizeram muita questão de persegui-lo. Da entrada da área, ele arriscou um chute de bico cruzado, quase no meio do gol, e Navas aceitou.

O 3 a 2 do time polonês saiu no momento em que o Real Madrid já estava um pouco desesperado para vencer a partida e deixou sua defesa totalmente desarrumada. Odjidia recebeu nas costas da zaga e tocou para Prijovic. Varane estava perdido. Não havia ninguém na entrada da área (de novo) para evitar que o suíço ajeitasse para Moulin bater colocado, como se fosse um treino de finalização.

O chute de Moulin ainda pegou na trave antes de entrar, e dá para dizer que o Real Madrid levou um pouco de azar nas finalizações do Legia Varsóvia. Duas delas são muito difíceis de serem acertadas e a outra contou com falha de Navas. Mas deu sopa ao azar ao não conseguir matar o jogo quando estava 2 a 1 e, principalmente, ao ceder tanto espaço para o adversário em uma partida que não deveria ter sido tão sofrida.

Após um belo passe de calcanhar de Carvajal, Kovacic empatou, aos 40 minutos do segundo tempo, e Lucas Vázquez ainda acertou o travessão. Mesmo que o Real Madrid conseguisse arrancar uma vitória no fim, o vexame já estava concretizado. E o time, apesar de algumas boas goleadas, ainda deve futebol nesta temporada. Sobretudo, coletivamente.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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