Champions League

Porto mais uma vez pôde confiar em Sérgio Oliveira e Pepe, dois gigantes em Turim

Toda vitória tem protagonistas que marcam o seu nome na história daquela partida. Foi assim com Pepe na partida contra a Juventus, assim como foi com Sérgio Conceição, mais uma vez. O meia fez os dois gols do time na derrota por 3 a 2, na prorrogação, o que levou a equipe portuguesa a avançar pelos gols fora de casa. Já o zagueiro teve uma atuação dominante no seu setor, contra um adversário de seleção portuguesa e ex-companheiro de Real Madrid, Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores do mundo.

O trabalho defensivo do Porto foi do mais alto nível. O time concedeu poucos espaços. Acabou sofrendo gols no segundo tempo em raros momentos que a Juventus teve alguns palmos para trabalhar. Precisou que Federico Chiesa marcasse um golaço no primeiro, que Cuadrado tivesse um cruzamento muito preciso no segundo e que no terceiro Adrien Rabiot subiu para dar um míssil de cabeça.

Pode parecer muita coisa falar de um zagueiro em um jogo que seu time tomou três gols. Mas a atuação de Pepe de fato foi destacada com intervenções muito importantes em momentos cruciais, que poderiam ter dado um outro rumo à partida. Um dos lances mais importantes foi um que Chiesa venceu Jesús Corona, já tinha deixado o goleiro para trás e foi Pepe que chegou com tudo para dividir e evitar que a bola entrasse – bateu na trave, depois o defensor jogou para escanteio.

“Importante, para a equipe foi muito importante. Não só eu, mas o trabalho coletivo que tivemos foi fundamental para conseguir essa passagem, que bem merecíamos”, afirmou o zagueiro depois da partida. O capitão do Porto também foi perguntado sobre ter jogado mais de uma hora com um jogador a menos.

“É muito difícil tentar explicar em palavras. Nós, que durante o campeonato tivemos altos e baixos, mas hoje a equipe demonstrou um caráter enorme, sabíamos que os jogadores estavam muito bem focados e quando é assim as coisas tornam-se muito mais fáceis, prazeroso trabalhar”.

“Com essa paixão que meus companheiros mostraram hoje em campo, isso que marcou muito a diferença. Porque com menos um nós não desacreditamos, lutamos até o final, muito do que é a identidade, o espírito do Futebol Clube do Porto e todos estão de parabéns”.

Perguntado sobre a falta de Sérgio Oliveira, se era algo treinado, o defensor admitiu que sim. “Sim, nós trabalhamos muito. É uma equipe que trabalha bastante esse tipo de situações e tivemos sorte, porque o Sérgio rematou bem. Calhou da barreira saltar, eles não estavam à espera. Também tínhamos outra jogada também para poder executar. Temos que nos agarrar naquilo que tínhamos e foi uma bola parada que resultou na nossa passagem”.

“Temos responsabilidade sempre que vestimos essa camisa, agora temos que focar no nosso trabalho, ter humildade. Estamos entre as oito melhores equipes da Europa. É gratificante, é bom quando se ganha, mas temos ainda muito. Jogamos a cada três dias, é muito difícil. Eles, pelo campeonato [italiano] descansaram alguns jogadores, nós temos que batalhar a cada três dias. Temos que realçar o nosso trabalho, é muito difícil”, afirmou ainda Pepe.

Engana-se quem pensa que o jogo do Porto foi apenas defensivo. O time teve boas chegadas ao ataque e no primeiro tempo foi melhor que a Juventus em Turim. Não à toa foi para o intervalo vencendo por 1 a 0, graças a um pênalti sobrado por Sérgio Oliveira. O meio-campista teve que atuar muito recuado em boa parte do jogo. Mesmo assim, teve participação importante no jogo ofensivo do time. Especialmente em duas bolas paradas que decidiram o confronto.

Sérgio Oliveira já tinha brilhado no jogo de ida. Teve uma grande partida no Estádio do Dragão, onde os portistas se impuseram de forma importante para conquistar a vantagem que defenderam em Turim. A vitória por 2 a 1 foi importante, mesmo deixando um sabor amargo pelo gol fora conquistado pela Juventus. Até por isso, o Porto foi a campo sabendo que precisava de gols, porque sem isso correria riscos demais de ser eliminado. E os gols vieram com o meio-campista, mais uma vez.

“É uma sensação única marca dois gols aqui, e muito feliz principalmente por nossa passagem às quartas de final. Acho que é um motivo de orgulho para o nosso clube, já merecíamos, e também para o nosso país”, afirmou Sérgio Oliveira.

“Tivemos que sofrer. Linhas baixas muitas vezes, a maior parte do jogo, diria. Mas sempre quisemos fazer o gol, tivemos essa vontade, esse discernimento e estamos imensamente felizes”, continuou o meio-campista. A repórter ainda perguntou sobre a reunião no centro do campo, logo depois da vitória. “Isso fica entre nós. Temos de guardar as coisas boas para nós. Há quem não goste de nós, mas também há muita gente que gosta. Dedico esta passagem aos adeptos”.

O técnico Sérgio Conceição valorizou a grande atuação da equipe. “Tenho um grupo de jogadores bravos, que interpretaram da melhor forma o que queríamos, perante uma grande equipe, com jogadores de um nível altíssimo. Sofremos, mas também criamos dificuldades à Juventus. Fomos uma verdadeira equipa. Parabéns aos jogadores, fizeram um trabalho fantástico. Depois da expulsão do Taremi fomos buscar o DNA do Porto. Nunca deixámos de acreditar, esse é o verdadeiro DNA do Porto”, disse o treinador.

“Nunca preparamos a equipe para ficar reduzida. Neste período temos sido mais massacrados com estas expulsões e que nos custaram resultados positivos. Hoje os jogadores tiveram uma inteligência… Além do espírito de sacrifício é preciso inteligência, porque era um adversário com muita qualidade. Normal sofrer contra uma equipa destas, mas o que mais realço é que também criamos oportunidades, mesmo a jogar com dez. isso é bem demonstrativo da competência da equipe”, continuou Conceição.

Agora o Porto espera o sorteio para será quem será o adversário nas quartas de final. Por enquanto, o desafio volta a ser a liga nacional, onde precisa tirar uma diferença de pontos monumental para o Sporting. O Porto está há 10 pontos do rival, com 22 jogos disputados. O Campeonato Português tem 34 rodadas.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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