Champions League

Com um a menos, Porto toma a virada, mas elimina Juventus na prorrogação

O Porto viveu uma noite sofrida, mas com final feliz em Turim. Diante da Juventus, os portugueses fizeram um ótimo primeiro tempo, saíram na frente, mas tomaram a virada para 2 a 1 no tempo normal. Como foi o mesmo placar que os Dragões venceram no jogo de ida, a partida foi para a prorrogação. Foi lá que, na reta final do segundo tempo, os portistas marcaram um gol, ainda tomaram outro, mas garantiram a classificação pelos gols fora de casa em uma derrota por 3 a 2 no total. Isso porque o gol fora continua valendo na prorrogação.

O técnico Andrea Pirlo escalou a Juventus no seu 4-4-2 que se tornou habitual. Na prática, porém, a formação era fluida: Cuadrado, o lateral pela direita, avançava muito e se tornava um ponta com a equipe no ataque. Alex Sandro mantinha mais a posição, com Federico Chiesa fazendo essa função de ponta. Álvaro Morata e Cristiano Ronaldo formavam a dupla de ataque.

O técnico Sérgio Conceição tinha prometido uma postura ousada do Porto. Também entrou em campo em um 4-4-2, mas por vezes se defendia tão atrás que a linha de defesa ganhava mais membros dos volantes. Até os atacantes ficavam atrás da linha da bola. Só que isso só enquanto a Juventus tinha a bola. Porque assim que recuperava, atacava e era efetivo.

Com menos de três minutos de jogo, a Juventus criou a primeira chance. Cruzamento de Federico Chiesa para a finalização de Álvaro Morata e uma grande defesa do goleiro Agustín Marchesín.

Só que o Porto reagiu. Zaidu Sanusi fez a jogada pela direita e cruzou rasteiro para Mehdi Taremi, que finalizou e exigiu uma ótima defesa de Wojciech Szczesny. Logo depois, aos 18 minutos, Moussa Marega fez a jogada pela ponta direita e cruzou rasteiro para a área. Merih Demiral chegou forte em Taremi e o árbitro apontou pênalti. Uma decisão bastante rigorosa de Bjorn Kuipers, da Holanda. Sergio Oliveira cobrou e marcou 1 a 0 para o Porto.

Com o gol, a Juventus precisava fazer ao menos dois gols, sem sofrer mais nenhum, para levar a disputa à prorrogação. Precisaria de três gols na partida sem sofrer nenhum para avançar às quartas de final sem precisar de prorrogação. A situação se complicava para os bianconeri.

A ameaça do Porto seguiu em contra-ataques. Jesús Corona recebeu pela direita e decidiu chutar, em um lance que companheiros reclamaram por estarem no campo de ataque. Em seguida, Otávio, de fora da área, exigiu defesa de Szczesny. Era um abafa dos Dragões. Em 25 minutos, foram oito finalizações dos portugueses e só duas da Juve.

Foi em uma jogada pela direita que a Juventus chegou com perigo. Juan Cuadrado cruzou na segunda trave, Morata dominou nas costas da zaga, no peito, e finalizou, mas Agustín Marchesín fez a defesa e a bola foi para escanteio.

A Juventus voltou do intervalo com tudo. Lançamento para Cristiano Ronaldo dentro da área, ele dominou a bola e ela sobrou para Chiesa, que chutou no ângulo para marcar um golaço: 1 a 1, com quatro minutos. A posição do português era duvidosa, mas o VAR revisou o lance e confirmou a marcação do gol.

Com oito minutos, o árbitro Bjorn Kuippers voltou a ser rigoroso. Depois da marcação de uma falta, Mehdi Taremi chutou a bola para longe. Ele tinha tomado o cartão amarelo dois minutos antes. Recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O Porto, então, teria que defender a vantagem com um jogador a menos.

A Juve chegou com imenso perigo logo em seguida. Chiesa foi lançado nas costas de Jesús Corona, tocou de cabeça para tirar do goleiro, mas Pepe conseguiu chegar na bola e mandou para escanteio. Por muito pouco o atacante não colocou a bola na rede. A Juventus apertou e Leonardo Bonucci recebeu dentro da área e tentou o drible em cima de Pepe, que cortou um lance de muito perigo.

A pressão da Juventus resultou em outro gol. Desta vez, Cuadrado cruzou da direita para a segunda trave e Chiesa, de cabeça, marcou o segundo gol: 2 a 1, aos 18 minutos.

Com esse placar, o jogo iria para a prorrogação. A Juventus tinha tempo de chegar ao terceiro gol. E fez força para isso. Foram muitas finalizações, chegadas ao ataque e pressão. Cuadrado, pela direita, era sempre muito perigoso, uma das melhores opções de ataque do time. Por outro lado, Morata pouco conseguia fazer, assim como Cristiano Ronaldo. A Juve viu o tempo passar e não conseguia o gol.

Com o passar dos minutos, o jogo pareceu ficar cada vez mais próximo da prorrogação. Mesmo com os acréscimos da arbitragem, que passou dos 52 minutos no relógio. O jogo foi mesmo para a prorrogação, com aquela peculiaridade bizarra da Champions League: o gol fora continuar contando no tempo extra.

O primeiro tempo da prorrogação foi como as prorrogações em geral são: pouco interessantes, arrastadas e sem chances de gol. O segundo tempo caminhava para o mesmo destino, até os nove minutos. Sérgio Oliveira cobrou uma falta de longe, por baixo da barreira, chutando forte. A bola passou por baixo da barreira e o goleiro Szczesny não conseguiu defender: 2 a 2.

Com o gol fora na prorrogação, o Porto avançava às quartas até mesmo se a Juventus empatasse. Aliás, empatou logo em seguida: cobrança de escanteio do lado esquerdo, cabeçada de Adrian Rabiot e gol da Juve: 3 a 2. Como tomou um gol fora, a Juventus precisava de outro gol para avançar. Eram 12 minutos do segundo tempo da prorrogação. A Velha Senhora ainda tinha poucos minutos para tentar o gol da classificação, enquanto o Porto segurava o que podia.

Os minutos finais foram uma loucura. Com três minutos de acréscimos, o drama durou ainda mais. A Juve teve chance no último lance do jogo, em uma cobrança de falta, mas não conseguiu aproveitar. O árbitro colocou fim na disputa e a comemoração foi do Porto.

Pepe, em uma partida monumental, acabou por ser um dos grandes destaques de uma classificação marcante em Turim. O time de Sérgio Conceição se defendeu muito bem, apesar de tudo. A derrota aconteceu, mas o sabor foi de vitória. O gol fora acabou se tornando crucial para avançar.

A Juventus, mais uma vez, fica pelo caminho na disputa da Champions League. O time continua sem conseguir ir longe no torneio, mesmo com Cristiano Ronaldo. Na primeira temporada com o português, caiu nas quartas de final para o Ajax, em 2018/19; na temporada seguinte, 2019/20, caiu nas oitavas de final para o Lyon. Nesta terceira temporada de Ronaldo, mais uma vez para nas oitavas com o Porto.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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