Champions League

Lewa emplaca uma tripleta, Dembélé capricha nas assistências e o Barça dá um baile contra o Plzen

Numa esperada goleada dentro do Camp Nou, o Barcelona contou com uma grande participação de seus protagonistas ofensivos

Depois de uma campanha decepcionante na Champions League passada, o Barcelona se mostra disposto a recuperar sua imagem. A estreia garantiu uma partida tranquila, contra o Viktoria Plzen, dentro do Camp Nou. Ainda assim, a nova versão dos blaugranas tratou de aplicar uma goleada inquestionável por 5 a 1. O domínio dos catalães era sufocante, mesmo que os cochilos da defesa tenham permitido alguns escapes dos tchecos. Nada que atrapalhasse o massacre, liderado por Robert Lewandowski. O centroavante apresentou seu arsenal de finalizações e anotou uma tripleta. Quem também gastou a bola foi Dembélé, muito participativo na construção, com duas lindas assistências.

O Barcelona rodava peças para sua estreia na Champions. Foram sete mudanças em relação à vitória sobre o Sevilla. A defesa tinha Jules Koundé e Andreas Christensen no miolo, além de Jordi Alba e Sergi Roberto nas laterais. Frenkie de Jong e Franck Kessié acompanhavam Pedri no meio. Já o ataque contava com Ansu Fati, ao lado de Robert Lewandowski e Ousmane Dembélé. Do outro lado, o Viktoria Plzen vinha com sua espinha dorsal formada por Jindrich Stanek, Lukás Hejda, Lukás Kalvach, Pavel Bucha, Jan Sykora e Tomás Chory. Nada que intimidasse os catalães.

O Barcelona tinha amplo domínio da posse de bola e estava em cima, mas não encontrava muitos espaços para finalizar. O Viktoria Plzen até ameaçou duas vezes, em contra-ataques armados com a defesa blaugrana bagunçada. Pouco a pouco, o Barça empurrava os tchecos contra a parede e enchia a área. O gol saiu aos 13 minutos, numa cobrança de escanteio de Ousmane Dembélé. Jules Koundé desviou no meio do pagode e Franck Kessié completou para as redes. Os catalães permaneceram com uma postura agressiva, marcando no campo de ataque. Ansu Fati levou perigo num chute ao lado da trave, antes de Kessié parar no goleiro Jindrich Stanek.

Com respostas momentâneas, o Viktoria Plzen chegou a comemorar um pênalti a seu favor aos 25. Entretanto, a marcação seria revertida pelo VAR, por causa de uma cotovelada de Jhon Mosquera na disputa com Andreas Christensen. Não era um jogo que demandava esforço do Barcelona, que finalizava pouco para os 80% de posse, mas chegou ao segundo gol com 34 minutos. Sergi Roberto acelerou a transição rápida e acionou Robert Lewandowski. O centroavante limpou para o chute na entrada da área, no canto inferior do goleiro.

O fim do primeiro tempo teria algumas boas jogadas em velocidade do Barça, que o Plzen conseguia travar. E os tchecos surpreenderam com o primeiro gol, aos 44. Num lance em que Marc-André ter Stegen titubeou na hora de sair, Vaclav Jemelka cruzou para a cabeçada fatal de Jan Sykora. Entretanto, o Barcelona se empenhou para restabelecer a vantagem antes do intervalo. Dembélé tentava bastante e, num chute venenoso, Stanek fez grande defesa. O francês contribuiria, então, como garçom nos acréscimos. Ganhou uma bola de carrinho na borda da área e cruzou com açúcar, para Lewandowski mergulhar de peixinho e anotar mais um.

Gerard Piqué entrou no Barcelona durante o segundo tempo, no lugar de Sergi Roberto, com Koundé deslocado para a lateral. O cenário da partida não mudava: uma posse de bola esmagadora dos blaugranas, mas não tantos arremates. Por vezes, o ataque parecia dar um toque a mais para tentar limpar a marcação recuada e, com isso, perdia a bola. E se por um lado o Barça não aumentava a conta, o Viktoria Plzen teria o melhor lance da segunda etapa até então, aos 20. Chory recebeu sozinho o cruzamento da esquerda e chegou de carrinho, mas isolou. Era hora de mudanças, com Ferran Torres na vaga de Ansu Fati.

A falta de segurança da defesa do Barcelona nos espasmos do Viktoria Plzen contrastava com a confiança de Lewandowski. A tripleta se completou aos 22. Ferran Torres ajeitou na entrada da área e o polonês pegou dali mesmo, em outro tiro magistral no canto. Neste momento, a fortaleza tcheca ao redor da área começava a ruir e as oportunidades do Barça se sucediam. O quinto gol saiu logo aos 26, num passe fantástico de Dembélé. O ponta deu uma metida por cima da defesa e habilitou Ferran Torres dentro da área, para um ótimo chute de primeira. Era hora de dar um descanso a Dembélé e Pedri, muito aplaudidos, com as participações de Memphis Depay e Gavi. Depois, Pablo Torre entrou na vaga do igualmente saudado Kessié. Nada que alterasse os rumos da noite, com os barcelonistas satisfeitos e pouca emoção nos 15 minutos finais.

O resultado não foge do esperado. O que fica é a maneira como muitos dos destaques do Barcelona brilham. Lewandowski e Ousmane Dembélé se colocam como protagonistas, enquanto a contribuição de Kessié foi positiva em sua estreia como titular. Fica apenas o aviso pela exposição da defesa em repetidos momentos. Os desafios maiores vêm nas próximas rodadas, contra Bayern de Munique e Internazionale. Enquanto isso, o Viktoria Plzen começa mal em sua empreitada de dificultar apenas um pouquinho aos favoritos da chave.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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