Champions League

Engolido pelo PSG, Zidane preferiu culpar “falta de intensidade” do Real Madrid pela derrota

O trabalho de Zinédine Zidane no Real Madrid começa a apresentar seus primeiros sinais de desgaste logo no primeiro mês da temporada. A estreia na Champions League com derrota por 3 a 0 para um desfalcado PSG foi um grande baque, e as palavras do técnico francês após o jogo só pioraram a situação. Buscando explicar o revés, Zidane insistiu na tecla de “falta de intensidade” de seus jogadores.

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“Eles foram claramente superiores. Fomos superados em tudo. No jogo, no meio… Mas, acima de tudo, na intensidade. Neste nível, e a esta altura da competição, é difícil se você não entrar com intensidade”, avaliou Zidane, que classificou a intensidade como “a coisa mais importante no campo”. “Se você coloca a perna, você pode ganhar duelos, pode estar no jogo, e nós não fizemos isso, foi o oposto. É o principal problema que vi.”

A imprensa espanhola critica a justificativa do francês, com o jornal El País apontando que o termo usado por Zidane, “amplo, extenso e pouco preciso”, é o mesmo que o treinador utilizou diversas outras vezes quando as coisas não foram bem em sua primeira passagem como comandante dos madridistas.

Após a partida, apenas dois jogadores do Real Madrid falaram com a imprensa, James Rodríguez e Casemiro. O colombiano evidentemente não diria nada que pudesse ser interpretado como crítica ao trabalho de Zidane, afinal, sabe que sequer era considerado para o elenco antes da janela de transferências. Já o brasileiro adotou narrativa completamente diferente do chefe: “Não fomos superados pela agressividade. Tentamos sempre fazer o nosso melhor, ser agressivos”.

A teimosia de Zidane, muitas vezes expressa na insistência em nomes experientes em detrimento de jovens que podem encaminhar a transição de gerações do Real Madrid, aparece mais uma vez, de forma mais clara no rescaldo desta derrota.

Sua equipe foi improdutiva, incapaz de encontrar espaços para causar perigo constante e significativo ao PSG, empurrada contra a parede, sem combinações entre os craques à disposição para quebrar a marcação dos comandados de Tuchel.

Diante da primeira derrota do clube em uma estreia de Champions League desde 2006, do primeiro jogo dos merengues desde pelo menos a temporada 2003/04 sem um chute sequer a gol na competição, esperaria-se uma leitura mais honesta ou objetiva do que deu tão errado.

Para piorar, o PSG jogou sem seu estrelado trio de ataque – Neymar, suspenso, e Cavani e Mbappé, machucados, não estiveram à disposição –, o que apenas alimentou a curiosidade de qual poderia ter sido o placar se o ataque francês tivesse força máxima.

Não tem intensidade alta o bastante que compense o que mais pareceu um bando de indivíduos em campo em vez de um time. Em um clube com o nível de cobrança que tem o Real Madrid, possivelmente sem paralelos no mundo, Zidane tem a seu favor a idolatria como jogador e, depois, como técnico, com o tricampeonato da Champions League. Mas mesmo isso pode não significar muito para manter seu trabalho a longo prazo caso a maré não comece a ser revertida.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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