Champions League

Empenho, inteligência, variações: Redescoberto, Mandzukic virou um trunfo da Juve

Quando a Juventus anunciou a contratação de Gonzalo Higuaín, alguns esperavam o começo do fim da passagem de Mario Mandzukic por Turim. De fato, o croata não impressionou em sua primeira temporada com a camisa bianconera. E a presença de dois centroavantes na equipe se sugeria incompatível para vários momentos. No entanto, entre os muito méritos de Massimiliano Allegri, está a maneira como consegue aproveitar o potencial de seus jogadores. Assim, o treinador foi o responsável por redescobrir o futebol do camisa 17. Ao invés de um mero adereço, Mandzukic se transformou em uma peça importante no sistema da equipe, em função que parecia restrita a um passado distante. Aos 30 anos, voltou a ser utilizado aberto pela esquerda, algo usual para ele tempos atrás, principalmente até seu início pelo Wolfsburg. Como prêmio por seu empenho, anotou um dos gols que selaram a classificação da Velha Senhora à decisão da Liga dos Campeões, na vitória por 2 a 1 sobre o Monaco.

VEJA TAMBÉM: Com mais um grande jogo de Dani Alves, Juventus volta à final da Champions

Durante os primeiros meses da temporada, Mandzukic permaneceu fazendo o seu serviço habitual. Muitas vezes jogou como homem de referência da equipe, na ausência de Gonzalo Higuaín. Em outras, dividiu o espaço na frente com mais um atacante – se complementando com o ex-napolitano ou com Paulo Dybala. Entretanto, a evolução da Juventus ao longo da temporada dependeu das mudanças na formação tática e, dentro desta perspectiva, também no encaixe do croata. A partir de dezembro, Allegri redesenhou os juventinos, deixando de lado as escalações com dois homens de frente. O camisa 17 precisaria se reinventar. E assim o fez, agarrando a chance. Tornou-se absoluto na antiga posição.

Quando usado aberto pela esquerda no 4-2-3-1, como na maioria das partidas pela Serie A, Mandzukic não vai ser o atleta de arrancadas e jogadas de linha de fundo, replicando o que Juan Guillermo Cuadrado costuma fazer pela direita. Contudo, também apresenta os seus predicados. Dono de boa qualidade técnica, demonstra visão de jogo para construir os lances ofensivos e a idade não pesa sobre a vitalidade, se movimentando bastante. Agrega como um elemento a mais no segundo pau. Briga pelo alto nas saídas longas dos adversários e dá continuidade aos lançamentos vindos da defesa. E se destaca pela disciplina até surpreendente sem a bola. O esforço do croata para trancar o lado esquerdo é inegável, fazendo muito bem o papel na marcação e pressionando os defensores oponentes no campo de ataque. Se Allegri confia tanto no “reforço repentino” à ponta esquerda, esta dedicação conta demais. Raça unida à inteligência acima da média, para compreender as atribuições táticas na nova fase.

Já nos dois confrontos com o Monaco, Mandzukic atuou de uma maneira um pouco diferente, no 3-4-2-1 da Juventus. Sem a bola, permaneceu fechando o lado esquerdo. Já nos avanços ofensivos, passou a centralizar um pouco mais e a aproveitar os espaços abertos por Paulo Dybala, seu parceiro logo atrás de Higuaín. Não à toa, contribuiu para as subidas de Alex Sandro na ala e também apareceu para finalizar, dando novo ponto de direção aos cruzamentos de Daniel Alves. Assim nasceu o gol, que só valoriza o trabalho do camisa 17.

Perder o lugar como alvo no ataque não fez Mandzukic criar caso e pedir para ser negociado. Pelo contrário, ele entendeu o momento, e se sai muitíssimo bem. Não faz tantos gols quanto em tempos passados, longe disso, mas talvez seja mais funcional do que em qualquer outra fase da carreira. Não à toa, esta já é sua temporada com mais minutos em campo. Ausentou-se em apenas sete partidas desde agosto – quase sempre poupado ou lesionado, somente em duas esquentou o banco durante os 90 minutos.

Pensando na decisão, Mandzukic pode ser um trunfo de Allegri. Não apenas por sua capacidade sem a bola, como também pela maneira como permite variações no jogo. Se a situação apertar, seria natural voltá-lo à posição de centroavante para intensificar a pressão. Mas, neste momento, não há opção mais útil na esquerda do que o croata. Importante para a Juve e, especialmente, para a sua própria carreira.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo