Champions League

Em uma noite de erros, o Manchester City saiu no lucro ao arrancar o empate do PSG

Para o nível dos elencos, a qualidade técnica do jogo no Parc dos Princes foi decepcionante. Ainda assim, Paris Saint-Germain e Manchester City protagonizaram um duelo bastante movimentado em seu primeiro encontro pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Sobrou disposição dos dois lados, mas os times também abusaram dos erros. No fim das contas, o empate por 2 a 2 saiu de bom tamanho para os Citizens, e não apenas pela conta dos gols fora de casa. O PSG teve muito mais volume de jogo e criou chances mais claras. Desperdiçou a oportunidade de encaminhar a classificação diante de sua torcida e terá uma missão delicada no Estádio Etihad.

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Desde os primeiros minutos, o PSG teve o controle da partida. O City tentava escapar pelas laterais com velocidade, mas não criava grandes perigos. Enquanto isso, os franceses se impunham no campo ofensivo, dependendo do dinamismo de Di María e Matuidi. Aos nove minutos, tiveram um pênalti de Mangala não marcado sobre o volante. Só que, pressionando, o time da casa arranjou outra penalidade logo na sequência. David Luiz forçou o contato com Sagna e o árbitro foi na dele. No entanto, Joe Hart fez grande defesa em cobrança rasteira de Zlatan Ibrahimovic.

Apesar do erro, o PSG seguia tentando se impor. Ibrahimovic, principalmente, aparecia puxando para o meio e participando da armação. Entretanto, uma falha vital de Matuidi culminou no primeiro gol da noite. O volante deu a bola de presente para Fernando, que permitiu o avanço de Fernandinho. O brasileiro lançou nas costas de David Luiz e, com o defensor perdido, Kevin de Bruyne (a principal alternativa ofensiva até então) ficou com o caminho livre para estufar as redes. Para a sorte dos parisienses, Fernando compensaria para outro lado logo depois. O meio-campista cometeu um erro infantil após passe de Hart. Tomou o desarme de Ibra, que escorou para as redes vazias. Um empate importante para não abalar os anfitriões. O segundo até poderia ter saído na sequência, não fosse um cruzamento muito forte de Matuidi para Cavani, livre.

O PSG voltou bem melhor ao segundo tempo. Botava o City contra a parede e criava mais espaços. Apostando principalmente nos cruzamentos, o gol saiu aos 14, a partir de um escanteio. Cavani cabeceou para grande defesa de Hart e Rabiot aproveitou o rebote. Logo depois, Ibra ainda acertaria o travessão, enquanto Cavani isolou a sobra na pequena área. Naquele momento, o terceiro gol parecia natural, com os franceses trabalhando com paciência no campo ofensivo e apertando a saída de bola do City, sem dar muitas brechas aos contra-ataques, como queriam os visitantes.

Só que outro erro puniu o PSG. Após cruzamento da direita, Aurier afastou mal. A bola bateu em Thiago Silva, que fazia partida perfeita até então. A trapalhada deixou a meta aberta para Fernandinho empatar. Prêmio para a ótima noite do brasileiro, que, além das participações decisivas no ataque, também foi um leão na cabeça de área. O gol abalou os parisienses, que não mostravam o mesmo ímpeto. De qualquer maneira, os Citizens também não tinham criatividade o suficiente para ameaçar, se contentando com o empate.

Tão ruim quanto o resultado serão as ausências no Paris Saint-Germain para a viagem à Inglaterra. Tudo bem que a suspensão de David Luiz pode até beneficiar o time, mas Matuidi representa uma perda imensa. Por mais que tenha errado nesta quarta, o volante oferece muita força ao meio-campo de Laurent Blanc, tanto no combate quanto no ataque. Com sorte, Marco Verratti conseguirá se recuperar de lesão e suprirá o desfalque, com a permanência de Rabiot. Enquanto isso, o City tem a vantagem de jogar em seu estádio, onde costuma apresentar ótimo retrospecto, e pode empatar por 0 a 0 ou 1 a 1. Na noite dos erros, quem teve menos falhas capitais se deu melhor no Parc des Princes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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