Champions League

Cavani, o salvador do Paris Saint-Germain no Chipre

Tudo caminhava para um tropeço. O relógio já apontava os minutos finais do duelo entre APOEL Nicósia e Paris Saint-Germain, com o placar exibindo um nada interessante 0 a 0 para o time francês. O gol marcado por Cavani quase no cerrar das cortinas aliviou o PSG do sufoco. Pela primeira vez nesta temporada, o time venceu dois duelos consecutivos. Melhor: o manteve na liderança do seu grupo, ainda à frente do Barcelona.

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O APOEL Nicósia cumpriu à risca sua estratégia diante de um rival de calibre bem maior. A equipe cipriota se defendeu sem qualquer cerimônia, em uma retranca das mais fechadas. Com uma defesa impecavelmente bem organizada e perigoso nos contra-ataques, os donos da casa impuseram claras dificuldades ao PSG, que contava com o retorno do capitão Thiago Silva.

Os parisienses tinham amplo domínio da posse de bola (63%), mas era aquela superioridade infrutífera. O PSG era incapaz de acelerar seu ritmo de jogo e tocava a bola por longos minutos sem encontrar uma brecha sequer na fortaleza cipriota. O APOEL Nicósia nem precisou recorrer às faltas para conter possíveis lances de ataque dos adversários: eles simplesmente inexistiam.

Na segunda etapa, os donos da casa enfim se deram conta de que o PSG não oferecia grande perigo. O APOEL Nicósia acreditou que poderia vencer e se lançou ao ataque, multiplicando as ações próximas à área parisiense. Se não fossem intervenções precisas de David Luiz, este colunista provavelmente estaria falando sobre o fiasco do PSG no Chipre. O 4-3-3 de Laurent Blanc engasgava, até que encontrou a tão sonhada solução.

E ela veio com Cavani, autor de um gol chorado, mas essencial para o uruguaio dar a volta por cima após sua expulsão polêmica diante do Lens. E mais ainda para o PSG ver a classificação para as oitavas de final bem mais perto de suas mãos. Dos três jogos finais, dois serão no Parc des Princes – ambos antes do decisivo embate contra o Barcelona no Camp Nou, quando a liderança da chave estará em jogo.

Blanc correu riscos, sim, diante do APOEL Nicósia. O treinador mandou a campo alguns jogadores no seu limite físico, mas não tinha outra saída. Era isso ou a ameaça de já perder a ponta para os blaugranas. O próprio Cavani havia torcido o joelho durante um treino na véspera do jogo, mas insistiu para ser escalado. O sacrifício, como agora se sabe, valeu demais a pena.

Ataque de riso

O Monaco terminou a primeira metade da fase de grupos da LC com um desempenho surpreendente. Com cinco pontos e a vice-liderança de sua chave, o ASM contrariou as expectativas de que brigaria por fora por uma das vagas para as oitavas. Mesmo com um elenco enfraquecido e sem grandes contratações, os monegascos se deram melhor na disputa contra Zenit St. Petersburg e Benfica – pelo menos por enquanto. Apesar das boas notícias, o time do principado tem muitos motivos para se preocupar.

Em um grupo bastante homogêneo, o Monaco obteve um pequeno milagre em seus três primeiros jogos. Afinal, são poucos times que podem se orgulhar de bater o Bayer Leverkusen e segurar o Zenit fora de casa. O time do principado ainda bate no peito para se gabar de sua invencibilidade na chave – é o único que não perdeu no grupo C. Para completar suas estatísticas positivas, o ASM não levou um golzinho sequer até aqui, façanha igualada apenas pelo Borussia Dortmund.

A solidez defensiva, porém, contrasta com um problema que também aflige o time na Ligue 1: a escassez de gols. Com apenas um tento marcado (aquele solitário feito por João Moutinho logo na estreia contra o Bayer Leverkusen), o Monaco tem o título nada honroso de pior ataque da LC, dividido com o APOEL Nicósia (que enfrenta os gigantes Barcelona e Paris Saint-Germain) e, curiosamente, seu colega de grupo Benfica.

Basta ver os números para se dar conta de como o Monaco precisa resolver com urgência este problema. Em três jogos, o time acertou tão somente cinco chutes na direção do gol. Nas partidas contra Bayer Leverkusen e Benfica, ambas realizados no Louis II, o ASM teve apenas um chute certo. Inadmissível criar estas parcas chances quando se jogo em casa, mesmo diante de adversários mais bem qualificados (pelo menos na teoria).

Sem Falcao Garcia, seu goleador e grande faz tudo do ataque, o Monaco se tornou uma equipe praticamente inofensiva. Na Ligue 1, o time repete esta apatia ofensiva: foram apenas dez gols marcados em dez partidas. As explicações para os números vergonhosos se acumulam. Além da demora além do normal para superar a saída do colombiano, o ASM sofre de uma falta de confiança crônica de seus homens de frente.

É só ver a oportunidade desperdiçada por Lucas Ocampos logo no começo da partida contra o Benfica, e que mudaria os rumos do duelo se o argentino convertesse o presente dado por Berbatov. Ou então a falta de percepção para acelerar o ritmo depois da expulsão de Lisandro López. Mesmo que o preparo físico esteja um pouco aquém do desejado, a postura apática diante de um rival em inferioridade numérica assusta.

E, para completar a desgraça, quem poderia criar algo diferente teve que deixar o campo antes mesmo do intervalo: machucado, Berbatov foi substituído aos 33 minutos de jogo. O Monaco deve muito a Subasic. O goleiro teve atuação das mais inspiradas diante do time lisboeta e salvou o ASM em diversas ocasiões. Mas de nada adianta ele salvar a pátria lá atrás se não houver um pingo de qualidade ofensiva para matar um jogo. Como só faz uma partida dentro de casa nesta parte final, o clube do principado deve encontrar soluções rápidas para ser mais solidário em campo e aprimorar suas finalizações se quiser ir além.

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