França

Colheita francesa em alta

Os amistosos contra Portugal e Armênia comprovaram que a França continua em evolução. Seja com seu time titular ou com os reservas, os Bleus mostraram que seguem um bom caminho em sua preparação para a Eurocopa-2016, com nítidos avanços no bom trabalho realizado por Didier Deschamps. Os testes realizados pelo treinador tiveram resultados muito animadores.

Nos dois jogos, Deschamps utilizou 20 dos 23 jogadores convocados – apenas Lloris (desfalque), Costil e Yanga-Mbiwa não entraram em campo. Apenas Mangala teve um desempenho abaixo da média dos seus companheiros e decepcionou na vitória por 2 a 1 sobre os portugueses. Nos 3 a 0 sobre a Armênia, a qualidade do grupo foi posta à prova, e os reservas mantiveram o padrão de jogo da equipe considerada ideal. Sem dúvida, este automatismo se torna fundamental para quem deseja ir além.

A grande lição fica por conta da força coletiva dos Bleus. No plano individual, destaque para as atuações exemplares de Benzema, Pogba e Varane. O zagueiro foi simplesmente genial em seu duelo diante de Cristiano Ronaldo, sem deixar o melhor do mundo ter a liberdade necessária para criar. Contra a Armênia, ele foi um dos poucos titulares mantidos entre os onze e assumiu com autoridade seu papel de líder. A dupla com Mathieu na defesa foi praticamente intransponível e transmitiu segurança aos companheiros.

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Pogba teve alguns momentos titubeantes contra Portugal, quando perdeu jogadas que se transformaram em lances de perigo para os adversários. Contudo, sua entrada no segundo tempo diante dos armênios mudou a dinâmica da partida. Com a habilidade em apoiar o ataque, ele esteve na origem do pênalti convertido por Gignac. Em grande forma, Benzema comandou o ataque com maestria.

Por falar no setor ofensivo, Deschamps voltou para casa com a certeza de que tem opções interessantes para variar o time. Na partida contra a Armênia, Payet conseguiu cumprir bem o papel de distribuidor. Gignac, com um gol e duas assistências, foi recompensado pelo seu esforço. Após passar por dificuldades causadas por lesões, ele dá sinais de que está completamente recuperado e tem totais condições de ser uma opção para o instável Giroud, que está lesionado. Já Griezmann cada vez mais confirma sua vocação de reserva iluminado: pouco faz quando começa como titular, mas tem a capacidade de definir um jogo quando deixa o banco.

Obviamente, vencer a Armênia está longe de ser uma façanha a ser cravada como um marco na história dos Bleus. Valeu pela tranquilidade exibida pela equipe, mesmo com o grande número de modificações. E também pela volta por cima de Gignac. O atual artilheiro da Ligue 1 não decepcionou e provou que pode, sim, fazer exibições de alta qualidade também em nível internacional.

Com autoridade

Em um Stade de France eufórico, a França teve pela frente uma seleção portuguesa em trabalho de renovação. Ter Cristiano Ronaldo como adversário, mesmo que ele não estivesse em suas melhores condições físicas e tendo como parceiros jogadores em busca de afirmação, sempre traz aquela motivação extra. Os Bleus mantiveram sua boa dinâmica e, com autoridade, venceram por 2 a 1 sem grandes sustos.

Portugal estreava o treinador Fernando Santos e iniciava seu processo de reconstrução depois da fraca campanha na Copa do Mundo. Os visitantes mal tiveram tempo de se acomodar direito em campo e já estavam atrás no placar. O gol de Benzema logo aos três minutos de jogo inflamou o Stade de France e facilitou demais a tarefa dos anfitriões. Tanto que o domínio territorial dos franceses era quase completo.

Deschamps construiu uma plataforma sólida no Mundial, e a tem reforçado nestes últimos jogos – com frutos abundantes. Com esta base bastante firme, o treinador montou um time bastante seguro de si, com uma força coletiva impressionante. Com um excelente nível técnico diante de um rival respeitável, a França subiu alguns bons degraus em sua preparação para a Euro-2016.

O setor defensivo se mostrou imperial, especialmente na figura de Varane. O zagueiro colocou Cristiano Ronaldo no bolso. O atacante português só criou uma chance perigosa aos sete minutos do segundo tempo, em cabeçada defendida por Mandanda. No mais, ele foi completamente dominado por seu companheiro de Real Madrid – tanto que este foi o primeiro jogo nesta temporada no qual saiu de campo sem marcar um golzinho sequer.

No ataque, Benzema também fez jus ao seu papel de líder do setor. Ele não se limitou apenas a finalizar jogadas, mas foi fundamental na orientação de seus companheiros quanto ao posicionamento em campo, ao se desdobrar para combater a saída de bola dos portugueses e ser solidário ao distribuir bons passes. Uma figura bem diferente daquele atacante sem mobilidade, pouco participativo e com um peso imenso nos ombros por um longo jejum sem balançar as redes com a camisa azul há não muito tempo.

Pogba completaria a trindade de lideranças dos Bleus diante de Portugal, mas o meio-campistas cometeu algumas falhas que poderiam complicar bastante o jogo. Tudo bem, ele fez um gol e teve importante participação com seus avanços ao ataque, mas precisa ter mais atenção e, sobretudo, manter a calma. Seus momentos de nervosismo se traduzem em recorrentes perdas da posse de bola ou, nos piores casos, em cartões bobos e completamente evitáveis.

Foi uma exibição convincente, na linha do triunfo por 1 a 0 sobre a Espanha e do empate por 1 a 1 fora de casa contra a Sérvia. O trabalho realizado por Deschamps está frutificando, o que deixa nos torcedores a esperança de um time competitivo para brigar pelo título da Eurocopa-2016 dentro do seu quintal.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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