Empate da França com a Sérvia tem sabor de vitória
Três dias depois de seu sucesso diante da Espanha, a França voltou a campo com uma equipe bastante modificada para enfrentar a Sérvia. O amistoso serviu para Didier Deschamps comprovar algo valioso: ele pode ter esperanças de montar um time bem competitivo para a disputa da Eurocopa-2016. O empate por 1 a 1 na casa de um adversário encardido foi bem animador.
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Para esta partida, Deschamps achou melhor fazer várias observações e testar novas configurações para os Bleus. O time que iniciou a partida em Belgrado tinha sete mudanças em relação ao onze titular contra a Espanha. Sagna, Mathieu, Digne, Cabaye, Schneiderlin, Rémy e Cabella ganharam uma oportunidade. Mesmo com tantas mudanças, os franceses tiveram o jogo em suas mãos.
Apesar do bom volume de jogo, a França sentiu demais as ausências de Mathieu Valbuena e Karim Benzema, dois de seus principais artífices ofensivos. O resultado foi óbvio: dificuldades para a armação de jogadas de ataque e falta de criatividade no meio-campo. O gol marcado logo no começo do amistoso por Paul Pogba deixou os Bleus mais tranquilos e à vontade para tocar a bola em um gramado pouco convidativo.
Dominadora na primeira etapa, a França desperdiçou a chance de matar a partida logo cedo. Na base da pressão, a Sérvia partiu para o ataque no segundo tempo e foi recompensada por seu esforço. Os Bleus ofereceram muitos espaços aos donos da casa, mas nada que comprometesse demais o nível de atuação da equipe. Deschamps saiu de Belgrado satisfeito com o que viu.
Pogba, mais uma vez, teve atuação destacada. Com tantas modificações feitas por Deschamps e um meio-campo completamente diferente, ele não se intimidou com o papel de dono do setor. Assumiu a responsabilidade sem medo e, mesmo sendo mais discreto do que contra a Espanha, mostrou como pode ser decisivo. O meio-campista confirma sua nítida evolução, algo a ser festejado pelos Bleus.
Já o setor ofensivo ficou um nível abaixo do esperado. Centralizado no comando do ataque, Rémy não teve o peso necessário para ganhar os duelos com a defesa sérvia e se impor. Cabella até se esforçou e criou alguma coisa, mas precisa caprichar mais nas conclusões. Sissoko não teve aquela participação ofensiva exibida contra a Espanha, mas teve atuação sólida no meio-campo. Cabaye e Schneiderlin foram ok, sem empolgar muito.
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Clima pesado
Para quem curte um barraco, deve ter se animado com a troca de farpas no Olympique de Marselha. De um lado, o treinador Marcelo Bielsa; do outro, o presidente Vicente Labrune. No centro da discussão, está a política de contratações do OM, duramente criticada pelo argentino em uma entrevista coletiva. A ‘boca nervosa’ de El Loco lhe rendeu uma reunião com o dirigente e, provavelmente, alguma sanção deve ser estabelecida.
Quando foi contratado pelo OM, Bielsa recebeu a promessa de que teria um elenco competitivo para brigar pela parte de cima da tabela. O argentino recebeu Romain Alessandrini, Abdelaziz Barrada, Michy Batshuayi e Dória, mas não gostou nem um pouco destes nomes – ainda mais por, na opinião dele, não repor a significativa perda de Mathieu Valbuena.
“Nenhum dos jogadores que chegaram ao Olympique foi por minha iniciativa. Propus 12 opções e nenhuma delas foi concretizada. O balanço é negativo”, disse o técnico, que sonhava em reforçar seu elenco com Benjamin Stambouli e Toby Alderweireld. E Bielsa não parou por aí: questionou Labrune de forma acintosa. “A maneira de proceder me decepcionou um pouco. Desejava que me dissessem a verdade. Se me falassem desde o começo, talvez teria passado, mas agora que soube no meio do caminho, provoca em mim um sentimento de revolta”. Só faltou chamar a Christina Rocha para mediar o conflito.
Tais declarações caíram como uma bomba no Vélodrome. Além das óbvias retaliações que Bielsa deve sofrer de Labrune, há a questão do relacionamento do treinador com o grupo. Afinal, os jogadores (principalmente aqueles que chegaram agora ao clube) sabem que não são exatamente aquilo que El Loco esperava. O incêndio é bem maior do que a rusga entre técnico e presidente.
Labrune, que está de férias, preferiu a discrição e não quis jogar ainda mais gasolina na fogueira. O presidente apenas convocou Bielsa para uma reunião no dia 15 para discutir assuntos internos e não descartou uma punição ao argentino falastrão. Não dá para o dirigente ignorar o que o técnico falou, mas ele também deve ponderar que a contratação de Bielsa foi uma escolha dele – portanto, sabia deste jeito polêmico.
Com esta briga nos bastidores, o Olympique de Marselha precisa que os dois acertem os ponteiros logo e se entendam quanto às reais condições e ambições do clube. Sem este entendimento, os marselheses correm risco de entrar em mais uma das temidas crises que se tornaram comuns no Vélodrome.
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