Vitória sobre a Espanha comprova: Bleus estão no caminho certo
Em seu primeiro amistoso nesta temporada, a França quebrou um jejum de oito anos sem vencer a Espanha. O triunfo por 1 a 0 sobre a Fúria no Stade de France comprova que o trabalho feito por Didier Deschamps está no caminho certo e que o desempenho dos Bleus na Copa do Mundo não foi uma mera questão de sorte. Pode-se questionar o atual momento de reconstrução dos espanhóis, mas os franceses deixaram uma impressão bastante positiva e animadora.
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O resultado do amistoso não poderia ser mais encorajador neste início de preparação para a Eurocopa-2016. Ele permitiu consolidar a dinâmica herdada da participação da equipe no Mundial. Essa sensação de continuidade era essencial para mostrar como os Bleus estão mesmo com uma base sólida e projetam um futuro promissor. Didier Deschamps tem a certeza cada vez maior de como tem o grupo na mão e pode alterar sua formação sem perder o bom nível de jogo.
Diante dos espanhóis, o treinador preferiu deixar um pouco de lado seu tradicional esquema 4-3-3 e optou por um 4-2-3-1, com Mathieu Valbuena como armador. Uma tática que se mostrou interessante, já que o reforço do Dynamo Moscou deu sua 13ª assistência com a camisa azul. Esta formação também deu mais apoio a Karim Benzema, mas também obrigou Blaise Matuidi e Paul Pogba a permanecer mais próximos da defesa.
Mesmo tendo que resguardar um pouco mais a defesa, Pogba deu contribuições importantes para o setor ofensivo dos Bleus, com ajuda fundamental para criar chances a Benzema. Com praticamente a mesma equipe que disputou a Copa, a França teve alguns momentos mais complicados devido à parte física de alguns jogadores, ainda sentindo demais os efeitos do início da temporada. Nada, porém, que comprometesse demais a atuação da equipe.
Aliás, Pogba teve importância maior do que Valbuena na armação do time. O jogador do Dynamo Moscou teve o mérito de dar a assistência para o gol de Rémy, mas se escondeu um pouco durante a partida. Quando a bola esteve em seus pés, Valbuena foi um pouco lento para distribui-la. Pogba foi mais objetivo, teve um bom entendimento com Benzema e se destacou por seus passes longos, reforçando sua condição de promessa em ascensão.
Deschamps continua com uma incógnita no time titular. Antoine Griezmann já provou seu valor quando entra no decorrer das partidas, mas não apresenta a mesma qualidade quando é escalado desde o começo. Foi assim no Mundial e isso se repetiu no duelo contra a Fúria. Sua participação pelo lado esquerdo ataque do ataque foi bastante tímida no primeiro tempo, sem exibir sua vivacidade e inteligência para dar sequência às jogadas por aquele flanco.
Na segunda etapa, o treinador pôs Loïc Rémy no lugar de Griezmann e não se arrependeu. O novo atacante do Chelsea fez o gol da vitória e correspondeu às expectativas. Com a aposentadoria de Franck Ribéry da seleção, Deschamps precisa solucionar logo esta questão de quem será o substituto dele entre os titulares. Rémy tem ganhado pontos por sua regularidade, enquanto Griezmann se mostra cada vez mais como um bom reserva.
Desde que Deschamps assumiu o comando dos Bleus, em 2012, o técnico tem dado diversas oportunidades a Rémy. DD aprecia a polivalência do jogador, que pode atuar tanto aberto como ser um autêntico centroavante. A ida para o Chelsea será crucial para determinar o que se pode esperar de Rémy. Afinal, ele terá uma forte concorrência por uma vaga no time londrino com nomes do calibre de Diego Costa, André Schürrle e Didier Drogba. Se conseguir se dar bem nesta disputa, estará em plenas condições de assumir a mesma responsabilidade pela seleção francesa.
Nada mal
O sorteio da Liga dos Campeões colocou Paris Saint-Germain e Monaco em grupos acessíveis. Embora tenha caído na mesma chave do Barcelona, o PSG não deve ter grande trabalho para se classificar para as oitavas. Já o time do principado tem adversários de nível mais equilibrado, mas a perda de jogadores importantes do elenco o põe em desvantagem na luta por uma vaga.
Apesar de participar das quartas de final nas duas últimas edições da LC, o PSG ficou no pote 2 do sorteio. Obviamente, isso representava um grande perigo de cair em um grupo com alguma das principais forças do continente. Não deu outra. Apesar do seu elenco estelar, o clube da capital não parte como favorito ao primeiro lugar da chave. As limitações impostas ao PSG pelo fair play financeiro complicam na briga com o Barca, mas não devem ter qualquer efeito sobre os demais concorrentes.
Ajax e APOEL Nicósia não devem oferecer grande resistência aos dois principais times do grupo. Podem até roubar pontos da dupla, mas nada que impeça Barcelona e PSG de confirmarem seu favoritismo. Os parisienses, porém, correm grande risco caso fiquem em segundo na chave, pois já se desenha um duelo ardido logo nas oitavas. Os rivais do grupo reservam emoções especiais para dois jogadores: Zlatan Ibrahimovic e Maxwell terão a chance de enfrentar dois de seus ex-clubes, e pelos quais foram campeões.
Se por um lado a classificação do PSG para as oitavas parece algo inquestionável, a situação do Monaco não inspira tanta confiança assim. Se fosse aquela mesma equipe da última temporada, daria para cravar o ASM na próxima fase sem grandes sustos. Contudo, o atual momento do clube impede qualquer visão otimista, apesar de os rivais da chave não serem tão assustadores assim.
Ausente do cenário europeu há muito tempo, o Monaco ficou no pote 4 e poderia ter um panorama mais terrível ainda. O time do principado teve sorte e caiu em uma chave com Benfica, Zenit St. Petersburgo e Bayer Leverkusen. Seria tudo muito bacana se o ASM contasse ainda com Radamel Falcao Garcia e James Rodríguez em seu elenco. Sem eles e com um time sem confiança, fica difícil acreditar em uma concorrência de igual para igual com adversários que começaram muito bem na temporada.
E a França depende demais de um bom desempenho do Monaco nesta edição da Champions. O país corre sério risco de perder uma vaga na competição, já que a Rússia ultrapassou os franceses no ranking de coeficiente da Uefa e assumiu a sexta posição. Há uma urgência por uma reação, mas a tendência será mesmo ter apenas dois times da Ligue 1 na disputa da LC.



