Champions League

Buffon volta ao maior palco de sua vida, e ninguém merecia mais que ele esta final

O grito no gol de Tevez em Turim já havia representado bastante. Eram os 14 anos de dedicação à Juventus que rasgavam sua garganta, assim como a gana de voltar à final da Champions mais uma vez. De conquistar o principal título que lhe falta com a Velha Senhora. Os juventinos sabiam que, se dependessem de Buffon, estariam em Berlim. E o veterano acrescentou mais uma atuação magistral à carreira. Fundamental no empate por 1 a 1 contra o Real Madrid no Bernabéu, terá aquela que talvez seja a sua última chance de levantar a “orelhuda”. Desta vez, com a braçadeira de capitão. O Barcelona pode ficar consciente que, desde já, enfrentará uma muralha.

Apesar da derrota parcial da Juventus, Buffon seguiu para o intervalo como o melhor em campo no primeiro tempo. Depois de parar em Diego Alves no sábado, Cristiano Ronaldo estava remediado e preferiu cobrar o pênalti no meio do gol. Mas, fora da marca da cal, ninguém conseguiu passar pelo camisa 1. O Real Madrid bombardeava a meta italiana. Quando conseguia acertar o alvo, parava no veterano.

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O tempo de reação pode não ser o mesmo da Juventude. A experiência, contudo, seguiu talhando Buffon como um goleiro completíssimo. A elasticidade o permitiu voar no canto e espalmar o chute de Bale, que seguia em direção às redes para inaugurar o placar. Já na sequência da partida, quando já Cristiano havia convertido o pênalti, o posicionamento perfeito como sempre permitiu pegar a cabeçada de Benzema. E o maior milagre do goleiro viria, de novo, para impedir o tento do francês. O merengue limpou a marcação e bateu rasteiro, no canto. Esbarrou nas pontas dos dedos de Buffon, fechando o ângulo totalmente.

Já no segundo tempo, Buffon não foi tão exigido. Não que tenha ficado imune durante os 45 minutos complementares. Muitas vezes se assustou com os chutes rentes à trave do Real Madrid. Seu papel, no entanto, se transformou. Controlava o espaço aéreo dentro de suas áreas, nos tantos cruzamentos merengues. Também cumpria a missão de líder, controlando o tempo em um jogo nas mãos e cobrando os companheiros nos muitos erros de saída de bola, que reavivavam os madridistas. O camisa 1 se transformou em termômetro. E surgiu a última vez na linha de fundo, para sair nos pés de Carvajal, segurar a bola e confirmar a Juve na final. Doze anos depois, está na decisão da Champions novamente. Quem sabe, para fazer um milagre que supere aquele que, segundo o próprio veterano, foi o mais difícil da carreira.

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Poucos goleiros dominaram o tempo e o espaço como Buffon. O senso de posicionamento que sempre o manteve sóbrio sob as traves, com a explosão que o permitia salvar quando apenas isso não salvava. Méritos reconhecidos por todos. E reverenciado especialmente por aqueles que o veem como um espelho no gol. A mensagem de Petr Cech, um dos que mais se aproximou do italiano, “amando ver o mestre com a taça em mãos”, diz muito sobre a carreira que Buffon construiu. Craque como poucos em sua posição.

A final, sobretudo, traz excelentes lembranças para Buffon. No mesmo Estádio Olímpico de Berlim é que viveu a maior glória da carreira, com a seleção italiana. Que também fez a defesa mais importante de sua vida, na cabeçada certeira de Zidane que precedeu a cabeçada no peito de Materazzi. Não fosse o camisa 1, nada daquilo tinha acontecido. Consagrado no mesmo palco, volta para aquele que pode ser o seu último grande momento. E em um desafio gigantesco, tendo pela frente o poder de fogo de Messi, Luis Suárez e Neymar. Já que Neuer não conseguiu parar o trio, a missão fica pelo veterano. Poucos goleiros nas últimas décadas estiveram tão credenciados para cumpri-la quanto a lenda de Turim.

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Equipe Trivela

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