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Um grito resume os 14 anos de dedicação de Buffon na Juventus

Buffon não é daqueles craques que passou a carreira inteira em um só clube. Mas sua identificação com a Juventus é tão grande, e são tantos anos em Turim, que muita gente nem se lembra dos tempos em que o goleiro ainda não vestia preto e branco. O prodígio que cresceu no Parma chegou à Velha Senhora em 2001, quando tinha 23 anos. Para levantar taças e permanecer junto da torcida mesmo em uma das maiores crises bianconeras, após a queda pelo calciopoli. Para se eternizar como um dos melhores goleiros da história. E a paixão pela Juve ficou evidente durante o duelo contra o Real Madrid, pela Liga dos Campeões.

VEJA TAMBÉM: Quando o brilho coletivo da Juve se apagou, Tevez definiu a vitória sobre o Real Madrid

Durante os 90 minutos, Buffon operou um milagre quando o placar ainda estava zerado, em chute venenoso de Kroos. Ainda que tenha trabalhado bem para segurar o Real Madrid, com chutes encaixados e boas saídas do gol. A sobriedade e o excelente senso de posicionamento nunca faz uma atuação do camisa 1 ser mais exagerada do que deveria. Contudo, por mais que seus movimentos apontassem a calma, a tensão veio à flor da pele no gol de Tevez, que decidiu a partida à Juventus.

Buffon preferiu nem olhar a cobrança. De costas, mirou a torcida que o acompanhou durante os últimos anos. Só depois de ver a festa dos fiéis é que o goleiro resolveu comemorar. Sabe da importância que aquela bola nas redes pode ter, sobretudo para sua carreira. O camisa 1 já foi decisivo até em final de Copa do Mundo, mas não conquistou a Liga dos Campeões. Uma alegria que nunca conseguiu dar aos juventinos e que talvez tenha a última chance da carreira, aos 37 anos. Desta vez, como capitão e símbolo maior dos bianconeri.

Mesmo 14 anos depois de chegar à Juventus, Buffon permanece ainda hoje como o goleiro mais caro da história. Fato que me fez lembrar de uma passagem de Jorge Luis Borges: “Pensei que não existe nada menos material que o dinheiro, já que qualquer moeda (uma moeda de vinte centavos, digamos) é, a rigor, um repertório de futuros possíveis. O dinheiro é abstrato, repeti, o dinheiro é tempo futuro. Pode ser uma tarde nos arredores, pode ser música de Brahms, pode ser mapas, pode ser xadrez, pode ser café, pode ser as palavras de Epicteto, que ensinam o desprezo pelo ouro. […] Uma moeda simboliza nosso livre-arbítrio”.

A Juventus teve o livre-arbítrio de trazer Buffon. Um dinheiro que pode até ter parecido exagerado na época. Mas que, por tudo o que aconteceu até hoje, valeu cada centavo. E não só pelas inúmeras defesas. O dinheiro pagou o futebol do goleiro, mas também trouxe consigo 14 anos de dedicação e entrega ao clube. Algo que nem outros tantos milhões de moedas conseguirá pagar. Paixão que só pode ser retribuída com mais paixão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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