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Quando o brilho coletivo da Juve se apagou, Tevez definiu a vitória sobre o Real Madrid

O trabalho coletivo e de continuidade da Juventus nas últimas temporadas são o que a levaram ao crescimento apresentado nesta Champions League em comparação a campanhas anteriores. Depois de dominarem a Itália, os Bianconeri enfim começam a ser competitivos em nível continental, e a equipe bem montada por Conte e aperfeiçoada por Allegri nesta temporada provou que pode, sim, bater de frente com um gigante como o Real Madrid. Até porque quando vê seu brilho coletivo começar a se apagar, sabe que pode ser resgatada pela individualidade de Tevez. Foi essa a narrativa da vitória por 2 a 1 desta terça-feira, em Turim, pela partida de ida das semifinais da Liga dos Campeões.

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Os minutos iniciais do jogo mostraram que a Juventus não estava afim de ser encaixada no estereótipo de time italiano fechado. O time partiu para cima do Real Madrid desde o princípio, chegando a quatro finalizações certas em apenas 10 minutos. Aos 9, o gol que abriu o placar: Marchisio, com maestria, encontrou Tevez sozinho na entrada da área, o argentino bateu forte, cruzado, forçando Casillas a grande defesa. Morata, no entanto, estava esperto e pegou a sobra para fazer 1 a 0 e reforçar a já estabelecida lei do ex.

Os italianos mantiveram um certo domínio até os 25 minutos, mas sem tanta intensidade, e o Real passou a chegar mais ao gol de Buffon. Aos 12, por exemplo, Kroos arriscou de longe, e o italiano caiu bem para espalmar. Aos 23, Cristiano Ronaldo recebeu ótima bola longa de Isco, mas, afobado, tentou finalizar sem ter o melhor ângulo. Poderia ter se livrado da marcação de Bonucci antes, mas acabou finalizando sem direção. Aos 26, enfim o empate que se desenhava. A partir do canto do campo, Carvajal deu belo passe por cobertura para James, que emendou um cruzamento preciso. Buffon vacilou na saída, e Ronaldo teve o gol vazio para cabecear sem dificuldades, 1 a 1.

O gol inverteu o panorama do jogo. O Real Madrid gradativamente tomou conta do duelo. Sem a mesma intensidade com que a Juve atuou nos primeiros minutos do jogo, mas criando mais chances e aplacando o ritmo forte dos donos da casa. A exceção a isso veio apenas uma vez até o intervalo. Aos 33, Marchisio carregou a bola pelo centro, não foi parado e, diante do tapete que lhe estenderam, arriscou de longe, mas chutando para fora. Do outro lado do campo, os madridistas quase chegaram à virada com James, aos 40 minutos. O time avançou em velocidade, Marcelo rolou para Isco, que cruzou, e o colombiano, na pequena área, cabeceou forte, acertando o travessão.

Se o fôlego da Juventus parecia ter acabado na metade do primeiro tempo, Tevez tratou de virar tudo de ponta-cabeça no início do segundo tempo. Aos dois minutos, arriscou de longe, fazendo o time chegar à primeira finalização certa desde os dez da primeira etapa. Depois, carregou o ataque italiano em uma arrancada e só foi parado com o pênalti. Apesar de Vidal ser normalmente o cobrador da Juve, o argentino tinha começado o trabalho e queria terminá-lo: chamou a responsabilidade e bateu com tranquilidade para fazer 2 a 1, aos 13 da etapa complementar.

O Real buscou, mas não chegou a retomar aquele domínio da segunda metade do primeiro tempo. Tentou dar vida nova ao ataque com a entrade de Chicharito, que brilhou nos últimos jogos dos merengues, mas não chegou ao gol do empate. A partir da segunda metade do segundo tempo, a Juventus se fechou na zaga, apostando em contra-ataques para tentar matar a partida, e levou mais perigo que o Real Madrid no restante do duelo. Llorente, por exemplo, que aos 33 entrara no lugar de Morata, teve duas boas chances. Na primeira delas, tirou Casillas da jogada, mas, sem ângulo, teve que tentar o cruzamento e ver a zaga interceptar antes que a bola chegasse a Tevez. Na segunda, após bola levantada na área, fez o certo e tentou cabecear para o chão, mas a finalização não teve força, e o goleiro defendeu.

A força ofensiva apresentada pela Juventus nos primeiros instantes do jogo aponta que o time é capaz de momentos inspiradores, sobretudo baseados no bom posicionamento, na troca de passes eficaz no meio-campo e na agilidade de seu ataque. Quando esteve novamente à frente no placar, mostrou, então, sua capacidade de se segurar ao resultado de que precisa sem abdicar completamente de chances ofensivas. E, por fim, com a intervenção de Tevez nos minutos iniciais do segundo tempo, teve a certeza de que tem seu craque para os grandes jogos, alguém capaz de subverter uma situação que parecia levar o time a um tropeço. Vencer era essencial para os italianos, independentemente de resultado ou de como o fizessem. A vantagem é mínima, e segurar o Real Madrid no Bernabéu será o maior desafio do time até agora nesta temporada. Conseguindo ou não superá-lo, o que dá para afirmar é que a Velha Senhora está preparada para ele.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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