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O sonho continental de Pirlo pode ser seu último capítulo na Juventus

Quando Allegri chegou ao Milan em 2011 e não demonstrou interesse em manter Andrea Pirlo no time, a carreira do camisa 21 parecia estar já naquele período de capítulos finais mais tímidos. De graça, foi para a Juventus, em que, para a surpresa de muita gente, ganhou os três primeiros campeonatos de que participou com os Bianconeri como o melhor jogador da temporada italiana. Agora tetracampeão, mas sem o mesmo protagonismo dos outros anos, o Maestro tem um último sonho para fechar com perfeição sua passagem pelo time de Turim: a Champions League.

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Nesta terça-feira, no Juventus Stadium, os italianos recebem o Real Madrid pela partida de ida das semifinais da Liga dos Campeões. A fase é o mais próximo a que a Velha Senhora chegou na busca pelo torneio continental nos últimos 12 anos – alcançou a final em 2003, sendo derrotada nos pênaltis. Mesmo tendo tido a oportunidade de levantar a orelhuda em duas oportunidades, uma delas justamente na última vez em que a Juve chegou à decisão, Pirlo almeja a conquista pelos Bianconeri como a cereja do bolo de sua trajetória em Turim.

“Vencer este torneio seria a melhor maneira de encerrar minha carreira na Juve. Mas eu não iria para outro time italiano. A Juventus será meu último time da Serie A, independentemente do que aconteça. A MLS pode ser uma ideia, mas por enquanto não tem nada, a Juve é a única coisa na minha mente”, afirmou, em entrevista à Gazzetta dello Sport, depois de admitir que ainda sente alegria em jogar e que não pensa em encerrar a carreira em breve.

Não apenas o caráter decisivo dos próximos dois confrontos com o Real Madrid tornam as semifinais tão importantes para Pirlo. O camisa 21 reencontrará aquele que, em suas próprias palavras, é o responsável pela maneira como enxerga o futebol e o joga: Carlo Ancelotti. Pelo estilo de jogo elegante e de lances altivos que caracterizaram Pirlo, só nos resta também agradecer ao treinador por seu papel essencial na confecção de um dos principais craques que pudemos acompanhar neste princípio de milênio.

“É como um pai para mim. Mudou-me de posição e me fez mudar a forma como via o futebol. Identifico-me com ele, é uma pessoa muito importante para mim. Vejo que também fez a mesma coisa com outros jogadores no Real Madrid, como, por exemplo, com o Isco e o James, nesta temporada, e com o Di María no ano passado. São jogadores ofensivos, mas que se sacrificam pelo time. Para mim, o futebol é um esporte coletivo”, comentou, nesta segunda-feira, na tradicional entrevista de véspera de jogos da Champions.

A Itália já é absolutamente da Juventus. Não há questionamentos sobre isso. Por incompetência dos rivais ou não, o time bianconero subjugou todos seus adversários nacionais, e a Velha Bota ficou pequena demais para as ambições atuais. O título da Champions já nesta temporada seja um passo maior do que a perna para a Juve, mas o projeto de, mais uma vez, voltar à condição de gigante europeu em questão de competitividade no continente já está em andamento, independentemente do resultado em 2014/15. Tendo o Real Madrid como adversário nas semifinais e Bayern de Munique ou Barcelona como potenciais oponentes na final, os italianos não têm nada a perder – e há muito a se ganhar.

“Há muitos anos a Juventus não está diante desta possibilidade. Ganhamos quatro campeonatos (italianos) consecutivas e agora queremos concretizar o sonho da Liga dos Campeões. O exemplo que devemos seguir é o do Atlético de Madrid, que, a dois minutos de acabar a final, era campeão. Quando iniciamos a temporada, apesar das mudanças, sabíamos que faríamos algo importante”, revelou.

Podemos estar diante dos episódios derradeiros da história de Pirlo no futebol italiano, a quem o craque já deu muito. Se o fim sonhado não acontecer, sua trajetória na Juventus não ficará manchada. Afinal, o que conseguiu construir nos últimos quatro anos – colocando o time em um patamar imponente em seu país e ditando tendência de reaproveitamento de estrelas cansadas, mas ainda não ofuscadas – irá reverberar por muito tempo. Ora, é essa a narrativa do desfecho de uma estrela. Seu fim é na verdade um novo início. Diante da indefinição do sonho continental, a supernova do Maestro é a única certeza que temos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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