Arsenal encontra protagonista, pune velho roteiro do Atleti de Simeone e vai à final da Champions
Saka decide em noite grande, enquanto Atlético aposta no de sempre e paga o preço
O Arsenal está, merecidamente, na final da Champions League. A vitória por 1 a 0 sobre o Atlético de Madrid, nesta terça-feira (5), no Emirates, foi o suficiente depois do 1 a 1 na ida, em Madri. Um jogo travado, com pouca margem para erro, decidido no detalhe — e, principalmente, por quem assumiu a responsabilidade quando ela mais pesava.
Do lado inglês, o protagonista finalmente apareceu. Bukayo Saka não vive sua melhor temporada, longe disso. Entre lesões e atuações irregulares, passou boa parte do ano sem conseguir sustentar o nível que o colocou entre os principais nomes do time.
Ainda assim, em um elenco que carecia justamente de alguém disposto a chamar o jogo para si, ele deu a resposta. Fez o gol mais importante do Arsenal na temporada até aqui e classificou os Gunners.
Há algo simbólico nisso. Saka é cria da casa, conhece o peso da camisa e o tamanho da ocasião. Mesmo sem brilho constante ao longo do ano, foi ele quem apareceu no momento decisivo.
Graças ao seu menino de ouro e ao bom trabalho de Mikel Arteta, o Arsenal volta a uma final de Champions após 20 temporadas. A única decisão continental disputada pelo clube londrino foi em 2005/06, quando perdeu para o Barcelona por 2 a 1, em Paris.
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— Arsenal (@Arsenal) May 5, 2026
Simeone repete o roteiro — e o Arsenal cobra
Se do lado do Arsenal houve quem resolvesse, do outro faltou exatamente isso — e sobram questionamentos para Diego Simeone.
Ano após ano, o Atlético segue preso a uma ideia cada vez mais previsível. Houve alguma evolução recente, é verdade, mas o repertório ainda parece curto para o nível de investimento e ambição do clube. No Emirates, a escolha foi clara: se fechar, reduzir espaços e apostar no erro adversário. Funcionou por um tempo — até não funcionar mais.
O gol sofrido nos minutos finais do primeiro tempo não foi apenas um detalhe de jogo. Foi consequência direta de uma postura excessivamente reativa. Contra equipes desse nível, abdicar de jogar cobra um preço alto — e o Atlético pagou.
Quando precisou sair para o jogo, no segundo tempo, o cenário expôs ainda mais limitações. O time até tentou pressionar, mas sem organização, sem clareza. Foi mais um abafa desordenado do que uma tentativa estruturada de buscar o empate. Faltou ideia, faltou repertório, faltou poder de fogo.
O peso do presente começa a se impor. Simeone segue como figura histórica, mas já não entrega na mesma proporção. Técnico mais bem pago do mundo, à frente de um elenco caro e constantemente reforçado, vê o Atlético caminhar para a quinta temporada sem títulos. Vice na Copa do Rei, eliminado na semifinal da Champions e quarto colocado em LaLiga — é um saldo que cobra explicações.
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Nada disso apaga o que foi construído. Simeone mudou o patamar do clube, rompeu a lógica de domínio de Barcelona e Real Madrid na Espanha, e fez mais com menos durante anos. Mas o contexto mudou. Hoje, o Atleti investe pesado, tem elenco profundo e não pode mais ser tratado como exceção. E, ainda assim, continua entregando menos do que o cenário exige.
Nos grandes jogos, especialmente na Champions, a sensação que fica é a mesma: o time colchonero compete, resiste, mas raramente convence.
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Arsenal pune reatividade excessiva do Atlético
Considerando a igualdade no agregado, o ambiente do Emirates e os estilos dos dois times, Arsenal e Atlético fizeram o que já era esperado. Jogando em casa, a equipe londrina foi quem tomou a iniciativa: controlava a posse, rondava a área colchonera e pressionava os visitantes. Faltava, porém, mais contundência no último terço.
Fechado lá atrás e bem postado em campo, o time de Diego Simeone fechava os espaços, neutralizava as ofensivas dos Gunners e não sofria grandes sustos. O plano do técnico argentino estava claro: se defender, irritar os donos da casa e surpreender nos contra-ataques.
O problema é que o Atleti foi praticamente nulo na parte ofensiva durante o primeiro tempo. Não à toa, essa postura excessivamente reativa cobrou um alto preço no último minuto antes do intervalo. Gyokeres cruzou da direita, e a bola chegou a Trossard na esquerda da área. O belga cortou para o meio, finalizou com força e obrigou Oblak a espalmar. No rebote, Saka completou para as redes e colocou o Arsenal na frente.
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Repertório pobre colchonero facilita trabalho do finalista Arsenal
Se no primeiro tempo o Atlético “deu” a bola para o Arsenal, baixou as linhas e esperou na defesa, na etapa complementar a postura precisava ser diferente — dada a desvantagem no agregado. E foi.
Os Colchoneros se lançaram ao ataque e enfim passaram a agredir os donos da casa. Mas sem sucesso. Bolas esticadas e cruzamentos na área: mais abafa desgovernado do que qualquer outra coisa. Pouquíssima organização e poder de fogo. Criação inexistente.
O Atleti não fez por onde. O Arsenal fez, foi mais feliz nas estratégias — em ambos os tempos — e merecidamente conquistou a vaga para final.
Quem o Arsenal enfrentará na final da Champions League?
O adversário do Arsenal na final da Champions League será conhecido nesta quarta-feira (6). Bayern de Munique e Paris Saint-Germain medem forças na Allianz Arena, a partir das 16h (de Brasília), e decidem a segunda e última vaga da grande decisão continental.
Por ter vencido a ida por 5 a 4, o time parisiense joga pelo empate na Alemanha. Vitória bávara por um gol de diferença leva o confronto para a prorrogação. Se a igualdade no agregado persistir no tempo extra, os times decidirão a vaga nos pênaltis.
A final da Champions acontecerá no dia 30 de maio, às 13h (de Brasília), na Puskás Arena, em Budapeste, Hungria.