Champions League

Arsenal ganha boa notícia em classificação, mas empate monótono amplia desconfiança

Classificação não esconde atuação pobre, e Arsenal volta a levantar dúvidas na reta final da temporada

O Arsenal está classificado, mas saiu de campo sob olhares desconfiados. O empate sem gols com o Sporting, nesta quarta-feira (15), no Emirates Stadium, garantiu a vaga nas semifinais da Champions League graças ao 1 a 0 construído em Lisboa.

Ainda assim, o desempenho voltou a expor um time que, no momento mais decisivo da temporada, parece distante de sua melhor versão. A classificação veio, mas sem convencer. Em um jogo de ritmo baixo, previsível e com poucas ideias, o Arsenal teve dificuldade para transformar posse em perigo real.

Eze se salva em noite de pouco brilho coletivo do Arsenal

Se houve algum respiro positivo, ele passou pelos pés de Eberechi Eze. O meia foi quem mais tentou romper a apatia ofensiva, buscando o jogo, abrindo espaços e oferecendo linhas de passe em um time estático. Sem ele, o Arsenal provavelmente teria produzido ainda menos. Sua atuação, isolada, acabou sendo a única boa notícia em uma noite que reforçou dúvidas já conhecidas.

O incômodo maior está no padrão que se repete. Justamente quando a temporada afunila, o time de Mikel Arteta perde consistência. Nas últimas semanas, os Gunners acumularam frustrações: derrota na final da Copa da Liga para o Manchester City, eliminação na Copa da Inglaterra diante do Southampton e tropeços recentes na Premier League, incluindo a derrota em casa para o Bournemouth que reabriu a disputa pelo título.

A sensação é familiar e incômoda. O Arsenal mostra ser competitivo ao longo da temporada, capaz de dominar adversários e sustentar campanhas sólidas, mas perde força quando a margem de erro desaparece. É um time que, sob pressão, parece alongar as inseguranças — algo que ajuda a explicar os três vices consecutivos na liga inglesa.

O trabalho de Arteta segue consistente em termos estruturais, mas a cobrança cresce. Porque, no fim, o que define projetos ambiciosos são os momentos decisivos — e, neles, o Arsenal ainda não tem respondido à altura. A vaga na semifinal mantém o sonho vivo, mas o futebol apresentado acende um alerta que já não pode mais ser ignorado.

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Como foi o empate que selou a classificação do Arsenal

Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Foto: IMAGO / IPS)
Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Foto: IMAGO / IPS)

O início de jogo forte do Arsenal deu a entender que os Gunners não teriam grandes problemas para conseguir a vitória e classificação. Com marcação azeitada e perde pressiona bem feito, a equipe de Mikel Arteta tomou a iniciativa no Emirates e causou desconforto ao Sporting. Mas isso não se sustentou.

Foi um primeiro tempo morno. O Arsenal soube neutralizar as poucas investidas portuguesas — ainda que tenha visto Catamo acertar a trave de Raya —, mas não passou perto de ampliar sua vantagem no agregado. Faltou poder de fogo no terço final, e o 0 a 0 parcial deixou a eliminatória aberta.

Na etapa complementar, isso se manteve. O time londrino tinha mais a bola e rondava a área portuguesa, mas não conseguia furar o bloqueio defensivo e errava a pontaria na hora de queimar para o gol. Chegou um momento que os Leões saíram de trás e até tentaram algumas poucas estocadas no ataque, porém, sem sucesso.

Ficou a sensação de que a equipe visitante morreu sem atirar. Melhor para o Arsenal.

E agora, Arsenal?

Antes mesmo de confirmar a classificação nesta quarta-feira (15), o Arsenal já sabia quem o esperava numa eventual semifinal de Champions. Trata-se do Atlético de Madrid que, apesar da derrota para o Barcelona na última terça (14), avançou de fase com um 3 a 2 no agregado.

Os Gunners, porém, agora viram a chave e focam as atenções na Premier League. Líder do torneio, o time de Arteta mede forças contra o Manchester City, segundo colocado, em jogo mais do que crucial, neste domingo (19), a partir das 12h30 (de Brasília), no Etihad Stadium.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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