LC já foi a vilã das Copas, mas isso pode estar mudando
Uma Liga dos Campeões bem disputada deixa os jogadores desgastados no final da temporada. Resultado: os melhores do mundo chegam cansados ou lesionados para a Copa do Mundo, e acabam decepcionando. Esse pensamento ficou muito forte nas temporadas que antecederam os últimos Mundiais, sobretudo depois de Zidane não mostrar seu melhor futebol (estava no auge) em 2002.
O raciocínio faz sentido, mas talvez estejamos passando por mudanças. Uma conta simples pode mostrar isso. Basta pegar os vencedores das Bolas de Ouro, Prata e Bronze (dadas pela Fifa aos melhores jogadores de cada Copa) e os das Chuteiras de Ouro, Prata e Bronze (dadas aos artilheiros) dos Mundiais de 1998 – quando a Liga dos Campeões passou a ter um modelo semelhante ao atual – até 2010 e ver quantos jogos por competições europeias (isso exclui os vencedores que atuavam em outros continentes) eles fizeram na temporada imediatamente anterior.
Veja só:
Um calendário completo da Liga dos Campeões ou Copa Uefa/Liga Europa tem entre 13 e 19 jogos, dependendo do ano (alguns tiveram duas fases de grupos) e do momento da competição em que o time entra. A média de partidas continentais disputadas pelos destaques das primeiras Copas não chegava à metade disso. Ou seja, jogadores que tiveram menos partidas de grande intensidade no meio da semana durante a temporada chegaram bem ao Mundial.
Mas, em 2010, houve uma mudança. Todos os jogadores premiados passaram de dez partidas continentais. Forlán, eleito o melhor do Mundial, acabara de levar o Atlético de Madrid ao título da Liga Europa. Sneijder, destaque da Internazionale campeã da Liga dos Campeões, foi a estrela da Holanda vice-campeã.
Claro que essa conta não é uma verdade absoluta, apenas um recorte da realidade que pode indicar uma mudança de tendência. Após a Copa de 2014, talvez tenhamos mais elementos para ver se houve realmente uma mudança nessa trajetória ou se o Mundial da África do Sul foi um acidente.



