Europa

Celtic terá queda de braço com ultras por mais segurança

A Green Brigade é um grupo de torcedores fanáticos (ou ultras) do Celtic. Eles se reúnem no Celtic Park durante os jogos da equipe escocesa. Quem fica no setor geralmente não costuma se comportar nos padrões exigidos pela Uefa.

Eles mantêm uma tradição de virar de costas para o campo e pular enquanto cantam os gritos tradicionais da torcida dos Bhoys. Entretanto, após uma série de avisos e complicações para o Celtic, esses tempos podem estar chegando ao fim.

Depois de várias multas e apelos da entidade europeia para que eles permaneçam sentados ou não direcionem nenhum tipo de ofensa a adversários, o próprio Celtic decidiu interditar o setor por questões de segurança. O clube alega que os movimentos feitos pelos torcedores podem causar algum acidente grave. A ideia por enquanto é relocar os ultras para outra posição no estádio.

Entre as modalidades mais praticadas pelo grupo está o mosh, que consiste no torcedor ter seu corpo carregado pelos colegas por toda a extensão da arquibancada, exatamente como em shows de rock. Legal? Sim, legal, porém perigoso.

Outro ponto sensível nesse impasse é o desrespeito de algumas pessoas aos oficiais que trabalham para garantir a segurança no local. E parece que a diretoria dos Bhoys se cansou de tentar dialogar. A decisão irritou a Green Brigade, que ocupa o setor 111 do Celtic Park. Eles emitiram um comunicado nesta segunda-feira repudiando o ato por parte do Celtic, avisando que vai entrar com um recurso que impeça essa desativação.

Cadeiras, sinalizadores e balbúrdia

A situação virou uma queda de braço, mas em certo ponto o clube tem sim razão. Em junho, pelas preliminares da Liga dos Campeões contra o Cliftonville, o Celtic precisou arcar com os custos da destruição de mais de 100 assentos e a explosão de três sinalizadores. De acordo com a BBC, nenhuma tragédia ocorreu por sorte, e o árbitro precisou até fazer um anúncio por meio do sistema de som para que a baderna fosse controlada.

Esse deverá ser mais um capítulo turbulento no conflito entre a modernização do futebol e os defensores das tradições nas arquibancadas. Evidente que as conversas entre os representantes da Green Brigade com a alta cúpula da agremiação devem acontecer, mas não há nenhum indício de que o Celtic esteja tomando uma posição arbitrária, já que foram muitos os avisos e danos ao seu patrimônio.

Em comunicado oficial, a Green Brigade expôs seu descontentamento com o anúncio oficial do Celtic e declarou que está procurando apoio legal: “A Green Brigade está desapontada com o anúncio que a seção 111 estará fechada por determinação do Celtic Football Club. Pateticamente, isso ocorreu em função do nosso movimento lateral, que é considerado inseguro pelos diretores. Estamos procurando conselhos jurídicos e consultaremos aqueles que frequentam a seção nos próximos dias. Garantimos que este não será o fim da Green Brigade”.

Bater de frente com um grupo de ultras pode ser prejudicial para o time, mas neste ponto o pessoal da Green Brigade precisa entender que se essas medidas de segurança não forem tomadas, o efeito pode ser bem pior do que algumas cadeiras arrancadas.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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